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Editorial

O recado do povo nas pesquisas

Nesta semana, passado pouco mais de um mês da prisão do ex-presidente Lula, as pesquisas continuam a indicar a sua liderança nas intenções de voto para a Presidência da República. A mais recente, da patronal CNT/MDA (Confederação Nacional do Transporte), coloca Lula na frente com 32,4% da preferência dos eleitores, o dobro do segundo colocado.
Além do efeito imediato que as pesquisas provocam no cenário eleitoral, influenciando nas decisões dos partidos e nas próprias escolhas do eleitorado, é possível também utilizá-la para apreender recados que a população está passando, mesmo que por meio de perguntas que não estão nas pranchetas dos entrevistadores dos institutos.
A pergunta objetiva é em quem ele ou ela vai votar. E então ele ou ela escolhe um candidato ou candidata. Mas, no fundo, o que quis dizer com a escolha que fez?
No caso de Lula, vem sendo corrente e pertinente a leitura de que o seu eleitorado conserva uma memória simpática em relação à sua passagem pelo governo. Pode ser por ter tido acesso à moradia, ter experimentado mais estabilidade financeira, ter acessado bens e serviços dos quais não dispunha, ter visto as oportunidades de educação melhorarem. Tudo isso faz sentido e certamente continua a ser fator determinante nessa escolha.
O recado seria então de que essa política é a que merece a legitimidade da maioria dos eleitores: ênfase no combate à miséria, promoção de direitos, estado indutor de desenvolvimento, geração de empregos na indústria nacional, investimentos no ensino e na saúde públicas.
Mas há o nada desconsiderável dado de que o ex-presidente está preso. E essa insistente manutenção da intenção de votos pode ser sintoma de uma resistência silenciosa contra algo que difusamente está sendo percebido como injustiça, mesmo com todo o esforço da grande imprensa em tentar dar ares de legitimidade à condenação por “atribuição” de um imóvel a Lula.
O povo brasileiro é muito intuitivo. Por vezes não tem conhecimento, mas tem sabedoria. Sabe que Lula é um seu igual, que reconhece, por ter vivido, a dor da pobreza e da desigualdade. Isso, eles não vão conseguir tirar.

Espaço aberto

Meu encontro com Lula na prisão

Marcelo Barros**

Desde que a justiça liberou visitas religiosas, fui o segundo a ter graça de visitar o presidente Lula em sua prisão. (Quem abriu a fila foi Leonardo Boff na segunda-feira passada).
Eram exatamente 16 horas quando cheguei na dependência da Polícia Federal onde o presidente está aprisionado. Encontrei-o sentado na mesa devorando alguns livros, entre os quais vários de espiritualidade, levados por Leonardo.
Cumprimentou-me. Entreguei as muitas cartas e mensagens que levei, algumas com fotografias. (Mensagem do Seminário Fé e Política, de um núcleo do Congresso do Povo na periferia do Recife, da ASA (Articulação do Semi-árido de Pernambuco) e de muitos amigos e amigas que mandaram mensagens.
Ele olhou uma a uma com atenção e curiosidade. E depois concluiu:
- De saúde, estou bem, sereno e firme no que é meu projeto de vida que é servir ao povo brasileiro como atualmente tenho consciência de que eu posso e devo. Você veio me trazer um apoio espiritual. E o que eu preciso é como lidar cada dia com uma indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima e ao mesmo tempo sem dar lugar ao ódio.
Respondi que, nos tempos do Nazismo, Etty Hillesum, jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração. E, naquela situação, ela escreveu em seu diário:
“Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”.
Vi que ele me escutava com atenção e acolhida. E ele começou a me contar a história de sua infância.
[Continua em bit.ly/2k0Csvw]
* Trecho de artigo publicado pela Rede Brasil Atual em bit.ly/2k0Csvw. ** Monge beneditino.


AGORA É CONSTRUIR A GREVE

Assembleias aprovam paralisação contra privatização e corte de direitos. Desconto assistencial e manifesto Lula Livre também foram aprovados. Conselho Deliberativo da FUP se reúne hoje para avaliar quadro nacional e discutir próximos passos

Diante do maior desmonte da história da Petrobrás, a resposta da categoria petroleira não poderia ser outra se não a aprovação e construção de uma grande greve nacional. O Conselho Deliberativo da Federação, que reúne representantes dos 13 sindicatos filiados, entre eles o Sindipetro-NF, se reúne na tarde de hoje para discutir o quadro nacional e os próximos passos.
A greve foi referendada por mais de 90% dos trabalhadores nas assembleias que vinham sendo realizadas desde o dia 30 de abril. Os petroleiros também aprovaram um manifesto público em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [confira ao lado].
No Norte Fluminense, o indicativo de greve também foi aprovado por aproximadamente 90% dos cerca de mil trabalhadores e trabalhadoras que participaram das assembleias, realizadas até o último domingo. Plataformas que não realizaram assembleias e quiserem fortalecer o movimento ainda podem fazer assembleias de adesão — independentemente disso, a greve já está aprovada para toda a categoria.
Estancar o desmonte
Desde que Pedro Parente assumiu o comando da Petrobrás através de um governo golpista, mais de 30 ativos da empresa foram privatizados. A preços vis, ele já entregou à concorrência campos valiosos do pré-sal, redes de gasodutos do Sudeste e do Nordeste, termoelétricas, sondas de produção, usinas de biocom-bustíveis, distribuidoras de gás, além de participações no setor petroquímico.

Quadro nacional
Sindipetro Aprovação da Greve

Paraná 100%
Pernambuco e Paraíba 100%
Rio Grande do Sul 98,3%
Paraná e Santa Catarina 96,3%
Minas Gerais 95%
Duque de Caxias 93,2%
Bahia 92,9%
Unificado SP 91%
Espírito Santo 84%
Amazonas 82%
Norte Fluminense 87%
Ceará 83%
Rio Grande do Norte 98%

 

Aprovado nas assembleias

Manifesto em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão política de Lula

A luta do proletariado contra a burguesia começa da sua prípria existência. E quando a existência de um operário toma a dimensão de um país inteiro, claro, toda populacão fica imersa nessa luta.

Nessa disputa histórica, a elite brasileira escravocrata e entreguista cansou de brincar de democracia. Quando percebeu que no verdadeiro jogo democrático a desigualdade e a exploração diminuem, a burguesia resolveu que tentaria se recrear sozinha, como aquele menino mimado que não conhece o equilíbrio entre oportunidade e capacidade e recolhe o objeto do jogo no meio da partida, pois acredita ter o mérito de ser o dono da bola, costurada, justamente, pela classe que ele insiste em explorar.

No jogo de um time só, é impossível ter mais de um vencedor. Por isso o Brasil não é mais o mesmo: o pleno emprego deu lugar à escravidão, com o fim da CLT; o país que foi exemplo de combate à fome e à miséria se foi. A terra das oportunidades, do SUS, das novas universidades, do Luz Para Todos, do Pré-sal, e do sorriso de quem teve a oportunidade de sonhar com uma vida digna, se tornou a terra da desesperança, de um povo que não confia em mais ninguém, desacreditado de si mesmo.

O Brasil mudou, sim, mas não assumiu uma face desconhecida. Muito pelo contrário! Nossa elite de rapina rasgou 54 milhões de votos para nos atirar no passado, e perseguir a maior liderança popular desse país com métodos bastante conhecidos: a ideologia fascista, seu ódio pelas conquistas do povo mais pobre e seu desprezo pela Ética democrática.

Cometeram a proeza de nos fazer retroceder 518 anos, a um projeto colonial que arrasou nossas riquezas, do Pau Brasil ao Café, agora repaginado para roubar nosso Pré-Sal.

Assim como Lula e o povo brasileiro, a Petrobrás e suas subsidiárias sofrem o apetite desenfreado daqueles que não conhecem uma vida sem privilégios. Antes o pilar de uma economia de pleno emprego, de geração de tecnologia, de crescimento do óleo e gás, da indústria naval, da exploração e refino, a Petrobrás agora se vê reduzida a um grande escritório de exportação de óleo cru, e de geração de lucro, tecnologia e emprego para outros países. Com a destruição da indústria do petróleo, nosso PIB sobrevive do agronegócio, neto abastado das capitanias hereditárias.

Essa mesma casta burocrática que aplicou o Golpe de Estado em 2016, e ficou adormecida durante dois anos de sexo explícito entre os poderes políticos - bem simbolizado pela pornografia da mala dos 500 mil reais - agora comemora a prisão daquele que, indubitavelmente, fez melhor governo desse país, o operário que foi penalizado apenas por existir.

A defesa da ideia Lula, assim como foi a resistência popular do mandato da presidenta Dilma, não é simplesmente a pauta de uma pessoa ou de um partido, mas sim a defesa de um projeto revolucionário contra os verdadeiros criminosos do país: aqueles que por séculos exploraram os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras para viver uma vida de privilégios.

O país mudou, mas não os nossos sonhos. O Brasil já não é mais o mesmo, mas nossa existência continua sólida, como a chama da nossa luta, que aumentou - e aumentará - na medida em que crescem os ataques ao povo brasileiro e à soberania nacional.

Conclamamos a toda classe trabalhadora para se juntar à categoria petroleira e ampliar a luta em prol da Democracia, nesse momento representada pela liberdade do presidente Lula.

FEDERAÇÃO ÚNICA DOS PETROLEIROS - FUP


Spie em Cabiúnas

NF participa da abertura de auditoria

O Sindipetro-NF participou, na segunda, 14, de atividade de abertura da auditoria interna do Spie (Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos) no UTGCAB (Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas), em Macaé. A entidade foi representada pelo diretor Alexandre Vieira.
Sobre as condições de segurança do trabalho em Cabiúnas, o sindicalista lembra que a unidade passou recentemente pelas interdições de algumas áreas, duas delas revogadas. Ele destaca a importância do Spie como uma das ferramentas da prevenção contra acidentes.
"A importância da manutenção do certificado é tanto no aspecto de segurança quanto econômico. Você tomo conta melhor dos equipamentos e, ao mesmo tempo, tem de intervir menos. A auditoria consiste em uma amostragem que verifica os requisitos para a manutenção do Spie", explica.

Setor Privado

Petroleiros da Saybolt aprovam ACT

Em assembleia realizada na terça, 15, na sede do Sindipetro-NF em Macaé, os trabalhadores da Saybolt aprovaram a proposta de ACT apresentada pela empresa. Entre as principais conquistas estão o reajuste salarial de 2% retroativo a outubro, o pagamento da avaliação de desempenho em duas vezes, Ticket refeição de R$ 34,00 e Alimentação de R$ 280,00, além da manutenção do plano de cargos.
Os trabalhadores da Saybolt rejeitaram a primeira proposta de Acordo apresentada pela empresa em assembleia realizada na sede do Sindipetro-NF no dia 18 de abril. A categoria não havia concordado com algumas cláusulas. Após isso, o Sindipetro-NF e os representantes da Saybolt chegaram a um melhor ACT para os trabalhadores.


Terceirização

BANCO OBRIGADO A PRIMEIRIZAR

Decisão do TST condena Itaú e Santander a contratar de forma direta bancárias em atividades essenciais

Da Imprensa da CUT

Seis meses depois da reforma trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) legalizar formas fraudulentas e precárias de contratação de trabalhadores e trabalhadoras, ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) barram terceirização de duas trabalhadoras que prestavam serviço aos bancos Itaú e Santander.
Os ministros da 3ª Turma do TST consideraram a terceirização ilícita porque elas desempenhavam funções essenciais “ao funcionamento e à dinâmica empresarial do banco", diz trecho da decisão se referindo a chamada atividade-fim.
As funcionárias, que ganharam direito de vínculo empregatício direto com os bancos, trabalhavam no telemarketing exercendo serviço típico dos bancários – davam informações sobre cartão de crédito, além de liberar limite e contratar crédito pessoal, o que caracteriza a participação direta “no processo produtivo" das instituições financeiras.
Os magistrados se basearam na Súmula nº 331, do TST, que permite a terceirização da chamada atividade-meio (de suporte ao funcionamento das empresas), mas proíbe para as atividades essenciais à empresa.

 

Normando

Golpe sem candidato

Normando Rodrigues*

Enquanto o Brasil retroage 20 anos em 2, e volta a matar crianças de fome, o risonho Capital Financeiro apenas não está plenamente feliz porque lhe falta um marionete vendável.
A falta de um nome que sirva ao serviço sujo do Neoliberalismo se expressa em diversas leituras. Uma delas foi a fala de representante do Eurasia Group, consultoria dedicada à análise do risco político.
A Eurasia qualifica os presidenciáveis em 3 grupos, conforme a adesão ao neoliberalismo: “Reformistas”, neoliberais radicais (Alckmin, Maia, Meirelles); “Quase Reformistas” (Bolsonaro, Marina, Alvaro Dias); e “Antirreformistas” (Ciro, Lula, Haddad, Wagner).
Embora a Eurasia avalie os “Quase Reformistas” como mais palatáveis, e com mais chances eleitorais pois se apresentam com discurso antissistema, a pesquisa encomendada pela CNTI coloca todos esses nomes com, no mínimo, 46% de rejeição na população.
O Golpe precisa de um nome “novo”. Por isso frita Alckmin. Morto o Rei, vários se apresentam como novos “príncipes”. Um deles é Parente, que é bastante singular:
- Parente não declara quanto ganha da Prada Consultoria, nem quem lá são seus clientes investidores;
- Parente não declara quanto ganha na Ibovespa e na BMF; e mudaram o Estatuto da Petrobrás para o liberar da dedicação exclusiva, e permitir esse “extra-teto”.
E esse mesmo Parente se apresenta como presidenciável, e diz que “abriu a caixa preta” da Petrobrás, e a fez lucrar. Não importa que o lucro seja maquiado, pois se deu com vendas de ativos. Nada, aliás, importa. Parente, assim como outros rivais, é representativo do Golpe, e isso lhe basta.
Por falar em representativo do Golpe, o festejado Moro, premiado por seus amos em Nova Iorque, assim como Parente, declarou na cerimônia que não houve sequer ameaça de ruptura institucional da "democracia brasileira".
Em outros eventos, na Europa e nos EUA, Moro e o Barroso anti-Estado (existem muitos “Barroso”; é bom identificar), já declararam o mesmo. E o fizeram porque a “democracia brasileira” está sob questionamento, aqui e lá fora.
Diferentemente desses juizes do Golpe, analistas do Capital, que geralmente sabem das coisas, apenas usaram de eufemismo, mas pintaram o quadro, no "Valor" dessa 4a, 16 de maio:
As verdadeiras causas da alta dos juros do mercado financeiro, que prosseguem estratosféricos apesar da queda da Taxa Selic, é a incerteza eleitoral aliada à "baixa institucionalidade da democracia brasileira".

 

COMUNIDADE QUE SE DANE

A que ponto chega a barbárie burocrático-gerencial. O site do NF noticiou, no último dia 11, que a gestão da Petrobrás no Edinc negou socorro durante um incêndio que destruiu um carro estacionado ao lado do muro da empresa. No momento acontecia uma assembleia dos petroleiros, e diretores do NF correram para contribuir no combate às chamas. Os seguranças patrimoniais, sob ordens, não permitiram o uso de mangueiras. É o oposto do que pregam os mais básicos manuais de Relações Públicas, que prevêem boas relações com a comunidade do entorno, além de ser uma desumanidade.


Curtas

MST com Lula
O MST divulgou nesta semana uma “Carta ao Povo” onde oficializa o apoio à candidatura de Lula à Presidência da República. O movimento também chama a sociedade à participação no Congresso do Povo Brasileiro. “Reafirmamos nossa convicção na inocência do Presidente Lula, defendemos seu direito de concorrer às eleições presidenciais e, diante desta prisão política resultado de um processo ilegal e ilegítimo, exigimos sua liberdade”, afirma o documento, disponível na íntegra em bit.ly/2rLIvs7.

Perbras
O Departamento do Setor Petróleo Privado do Sindipetro-NF realiza nesta sexta, 18, no início do expediente de trabalho, Café da Manhã com os trabalhadores e trabalhadoras da Perbras, na porta da empresa, em Macaé. A atividade promove o diálogo entre a entidade e a categoria sobre a realidade brasileira e as demandas de cada local de trabalho.

Como previsto
Matéria especial do Portal da CUT mostrou, nesta semana, que a população de países ricos, atingidos pela onda privatizante iniciada por Margaret Thatcher nos anos 80 no Reino Unido, estão arrependidos e pedindo a reestatização de vários setores. Entre os próprios britânicos, 83% são a favor da nacionalização da água, 77% da eletricidade e do gás e 76% do transporte ferroviário. Confira em bit.ly/2k0iuAV.

Racismo
Uma ação civil pública foi ajuizada na última semana, em Salvador, pela União de Negros pela Igualdade (Unegro Brasil), contra a Rede Globo. A emissora está levando ao ar uma novela que se passa na Bahia, mas com a imensa maioria dos atores e atrizes brancos, enquanto Salvador é uma cidade com 85% da população formada por negros. O movimento acusa a TV carioca de racismo. E é mesmo.

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