Brasil 247 - "Pode haver alguma razão técnica desconhecida, uma vez que a Petrobras não comentou o assunto. Mas, a esta altura, já não é de duvidar de nada, na operação de desmonte em curso na empresa", diz Fernando Brito, sobre mais um bloco devolvido por Pedro Parente

POR , editor do Tijolaço

Rede Brasil Atual - Mínimo foi reajustado em 6,48%, de R$ 880 para R$ 937, mas estimativa para a inflação final em 2016 é de 6,74%

Para fixar o novo salário mínimo, de R$ 937, válido desde ontem (1º), o governo aplicou um "resíduo redutor" de R$ 2,29, valor que deixou de ser considerado no reajuste. O mínimo deste ano não terá aumento real (acima da inflação), por causa da queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, parâmetro utilizado por lei, mas não houve arredondamento "para cima", como em anos anteriores. Segundo o Ministério do Planejamento, o redutor resulta "da diferença entre o valor observado para o INPC em 2015 e estimativa aplicada para o cálculo do reajuste do salário mínimo de 2016".

Segundo o Dieese, 47,907 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, sendo 23,133 milhões de beneficiários do INSS, 12,212 milhões de empregados, 8,586 milhões de trabalhadores por conta própria, 3,792 milhões de trabalhadores domésticos e 184 mil empregadores. Considerando este número e o "redutor" de R$ 2,29, são aproximadamente menos R$ 1,4 bilhão na economia este ano, contados 13 meses.

O INPC, calculado pelo IBGE, é o indicador usado pelo governo para reajustar anualmente o salário mínimo, conforme determina a lei. Até novembro, o índice está acumulado em 6,43%. O mínimo foi reajustado em 6,48%, de R$ 880 para R$ 937. Mas a estimativa para a inflação final em 2016 é de 6,74%, diz o próprio Planejamento, citando como fonte o Ministério da Fazenda. A previsão original para a inflação era de 7,5%, o que levaria o mínimo deste ano a R$ 946.

Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (2), o Dieese afirma que desde 2003 o salário mínimo teve aumento real de 77,17%, considerado nesse cálculo um INPC de 6,48% no ano passado. Nesse caso, o INPC acumulado no período chegaria a 164,43%, enquanto o mínimo tem reajuste nominal de 368,5%.

Em valores de janeiro, o mínimo deste ano fica praticamente igual ao de 2015, pelos cálculos do Dieese (R$ 937,01), interrompendo uma trajetória de crescimento contínua desde 2003. Em abril daquele ano, o mínimo equivalia a R$ 535,37, em valores atuais.

Mesmo assim, neste momento os R$ 937 permitiriam comprar 2,15 cestas básicas (com valor unitário estimado pelo Dieese em R$ 435), a maior quantidade desde 1979. Em 2003, quem recebia o salário mínimo conseguiria comprar pouco mais de uma cesta (1,38).

Pelas médias anuais, o mínimo de janeiro deste ano é o maior da série. Mas os anos anteriores já têm valores deflacionados pelo ICV-Dieese.

"Do ponto de vista do sistema produtivo, o desafio é fazer com que se reduza a desigualdade na distribuição funcional da renda (isto é, entre trabalho e capital) e na distribuição salarial, promovendo a transição para uma estrutura mais igualitária com um patamar de rendimento mais elevado na média", diz o Dieese. "O SM (salário mínimo), em um processo de elevação contínua e acelerada, deve ser considerado como um instrumento para buscar um patamar civilizatório de nível superior para o Brasil, atendendo aos anseios da maioria dos brasileiros."

A atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses em meio a fortes quedas nos volumes de produção e no nível de emprego, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

O IHS Markit informou que o PMI foi a 45,2 em dezembro de 46,2 em novembro, com a recessão econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção e ampliando o cenário de retração do setor --leitura abaixo da marca de 50 aponta contração.

Além da fragilidade econômica, a demanda fraca e as pressões competitivas levaram o nível de novos trabalhos a cair em dezembro com a maior força em seis meses. Os novos pedidos para exportação também apresentaram perdas.

Isso levou a produção a cair pela taxa mais rápida desde junho, com reduções em todos os três subsetores pesquisados, sendo a mais acentuada entre os bens de capital.

Esse cenário levou a mais cortes de empregos, chegando ao 22º mês de perdas, com destaque para os trabalhadores do setor de bens de capital.

Já a inflação de custos chegou a um recorde de quatro meses em dezembro, levando a um aumento mais forte nos preços de venda. O enfraquecimento da moeda fez com os preços pagos por produtos importados aumentassem, ao mesmo tempo em que algumas empresas tentaram proteger as margens de lucro.

"O cenário para 2017 parece adverso em meio a vários obstáculos significativos que a economia brasileira enfrenta, incluindo a deterioração do mercado de trabalho, o consumo fraco, cortes de orçamento, distúrbios políticos e demanda fraca nos mercados externos", apontou em nota a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

Em outubro, a produção industrial recuou 1,1 por cento sobre o mês anterior, no pior resultado para o mês desde 2013 e iniciando o quarto trimestre com mais fraqueza, de acordo com os dados do IBGE.

 

Fonte: http://www.fup.org.br/ultimas-noticias/item/20444-oito-meses-depois-do-golpe-industria-brasileira-esta-bem-pior-do-que-antes

Em nota divulgada nesta segunda-feira (2), o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), repudia em nome da bancada petista os recentes crimes relacionados a preconceitos ocorridos em Campinas e São Paulo, “mas que se repetem cotidianamente, de forma mais ou menos grave, em qualquer cidade brasileira”.

No texto, Zarattini lembra que “o discurso de ódio disseminado por adeptos do pensamento fascista associado à extrema direita possui porta-vozes em todos os setores da sociedade: no Parlamento, em alguns fanáticos religiosos, nos meios de comunicação e em outras instituições”.

Leia a íntegra da nota.

NOTA OFICIAL – PT NA CÂMARA

Violência baseada em preconceito é consequência do discurso de ódio

Assim como o Brasil inteiro, a bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados ficou chocada diante da violência que resultou em 12 pessoas assassinadas na última noite de 2016, em Campinas (SP). Poucos dias antes, justamente na noite de Natal, o País também se comoveu frente ao assassinato de um ambulante que impediu a agressão de duas travestis numa estação do metrô paulistano.

A Bancada do PT repudia tais crimes, que simbolizam o perigo que representam para a sociedade o machismo, a misoginia, a homofobia e a intolerância em geral, amplamente expressados na carta que o assassino de Campinas deixou e que foi publicada pela imprensa.

Rejeitamos qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são a base do discurso de ódio que alimenta a cultura de violência da qual resultam episódios como o de Campinas e o de São Paulo, mas que se repetem cotidianamente, de forma mais ou menos grave, em qualquer cidade brasileira.

O discurso de ódio disseminado por adeptos do pensamento fascista associado à extrema direita possui porta-vozes em todos os setores da sociedade: no Parlamento, em alguns fanáticos religiosos, nos meios de comunicação e em outras instituições. Os representantes desse tipo de pensamento também são responsáveis, portanto, pelos atos violentos que diariamente ceifam vidas e causam traumas a milhares de pessoas.

O combate efetivo a esse tipo de crime passa pelo amplo debate público a respeito de suas causas, assim como depende de ações firmes e políticas públicas do Estado que promovam o respeito à diversidade e coíbam a disseminação de discursos de ódio e práticas similares.

Esperamos que tragédias como estas não voltem a ocorrer no Brasil e que, ademais, a cultura de intolerância e violência a elas vinculada deixe de ser alimentada.

Brasília, DF, 2 de janeiro de 2017.

Deputado Carlos Zarattini (SP)

Líder do PT na Câmara

A partir deste janeiro, o cientista político Fernando Haddad se apresenta à Universidade de São Paulo para reassumir sua cadeira de professor. Mas já não é mais o mesmo depois de uma profunda imersão no mundo da política. Trabalhou na gestão da ex-petista Marta Suplicy (2001-2004) na prefeitura de São Paulo, na qual participou da elaboração de um Plano Diretor Estratégico, que seria depois abandonado pelos sucessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (então no DEM). Por isso, afirma ter tomado precauções para que o novo PDE, elaborado no meio de sua gestão na prefeitura e com diretrizes de planejamento até 2030, ficasse bem “amarrado” e difícil de ser desmontado. “Podem querer ajustar, mas desmontar será difícil.”

A partir do governo Lula, em 2003, tornou-se secretário-executivo do Ministério da Educação até 2005, quando assumiu o comando da pasta, em substituição a Tarso Genro, lá permanecendo até 2012, quando deixou o posto para disputar sua primeira eleição. Mesmo em pleno bombardeio do julgamento televisivo do mensalão, o petista acabou vencendo o tucano José Serra.

Ele afirma que não tem ambições políticas pessoais em seu horizonte e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país. “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil.” Um projeto, segundo ele, abortado com violência, que trazia crescimento de forma importante, e que as pessoas ainda não se deram conta dos prejuízos causados pelo golpe e dos que ainda estão por vir.

O agora ex-prefeito de São Paulo alerta que as forças mais avançadas da sociedade têm de superar eventuais diferenças e se reorganizar em torno de um programa e de um polo mais forte, num momento em que o país vive um absoluto déficit de republicanismo. “Se nos fragmentarmos, não vamos disputar o imaginário da sociedade, por melhor que seja o nosso projeto. É hora de sentar à mesa, discutir programaticamente o que fazer, o que faríamos se estivéssemos no comando do país. Tentar alinhavar um projeto que dialogue com os que estão sofrendo os efeitos da crise, para termos chance de concorrer com condições de vitória”, defende.

O sr. acha que a esquerda se afastou da população?

Por exemplo, houve críticas à campanha de Marcelo Freixo (Psol) no Rio, porque muito se falou em desmilitarização da polícia, descriminalização das drogas, direitos humanos e não se discutiu aquilo que a população em geral mais se preocupa, como saúde, tarifa de ônibus, emprego...

Existe esse risco. Se a gente não tiver atenção para aquilo que mais aflige a população, corre o risco ter uma pauta setorial, que vai dialogar com nichos da sociedade, mas não vai dialogar com o todo. E o que o todo quer é viver num ambiente de prosperidade, que foi a marca do governo Lula. A questão programática é a mais importante. Estou interessado em debruçar e colaborar com um projeto para o país. Não está no meu horizonte disputar eleição.

 

O que o sr. vai fazer a partir de 2 de janeiro?

Me apresentar na USP, onde eu ganho meu pão. A partir do dia 2 volto para lá. Estou participando dos debates, da discussão com os setores avançados da cidade. No que eu tenho mais interesse em investir agora? Na questão programática. É a mais importante das questões. Antes de discutir quem sairá candidato a isso e aquilo, estou interessado em debruçar sobre a questão do projeto para o país, colaborar com isso. Não está no meu horizonte disputar uma eleição. Não penso nisso agora. Projeto pessoal é uma coisa demodê, acho que você tem de representar alguma coisa, ser a expressão de um movimento.

Mas o sr. se tornou uma expressão política habilitada a disputar parlamento, governo estadual e até federal. O sr. se colocará à disposição do partido para disputar eleições?

Estamos em uma situação tão anormal que tem alguns pressupostos que precisam ser respondidos antes. Por exemplo, a questão programática. Em segundo, a renovação do PT. Terceiro, a relação do PT com outras forças de esquerda e progressistas. Há tarefas para cumprir que, se a gente se desviar delas, a gente corre o risco de tomar o essencial pelo acessório.

 

Por onde passa essa renovação do PT?

É importante salientar que as pessoas acham que existe um campo e se você tirar o PT, outro partido assumirá esse espaço. Não é assim que funciona. O PT tem uma história, uma gênese única, capilaridade. Temos um partido que está machucado e precisa encontrar um caminho de cicatrização de tudo que aconteceu. Apesar de daqui a dois anos ter eleição – pelo menos eu espero que tenha –, o fato é que temos de entender a situação atual, as tarefas a cumprir e depois fica fácil decidir os candidatos. Mas não estamos em uma situação normal. Estou despido de ambições pessoais, quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil, com oportunidades, mais igualitário, com mais esperança. As pessoas ainda não se deram conta dos prejuízos causados nos últimos anos.

Nem dos prejuízos que estão por vir. Quando se fala em “renovação” do PT, se admite um envelhecimento. O que o PT fazia quando era jovem, parou e precisa voltar a fazer?

Sem dúvida já fomos um partido de massa e hoje somos menos. A grande diferença do PT com os outros partidos de esquerda é que o PT nunca se viu como um partido de quadros, mas como um partido capilar, que estava em todos os cantos. A gente perdeu um pouco isso. Talvez retome agora.

Na resistência ao impeachment, faltou unidade para juntar as resistências ao impeachment? Por exemplo, nem “volta, Dilma”, nem “diretas já” produziram consensos, em pleno bombardeio.

Foi tudo muito rápido, construído de forma ardilosa. Foi um processo bem pensado, feito por profissionais, coisa bem elaborada.

Começando 2017 na situação em que o país e o mundo se encontram, dá para ficar alguém ficar tranquilão?

São dimensões diferentes do humor. Em qualquer circunstância, mesmo diante de coisas dramáticas assim, eu estarei com esse estado de espírito. Eu sou meio budista para lidar com as coisas. Tenho uma compreensão sobre história do Brasil, então sei entender os nós institucionais em que estamos imersos. Lamento muito o que está acontecendo, estamos regredindo do ponto de vista institucional. Mas, enfim, estamos aí para brigar, né?

A que fatores o sr. atribui essa crise institucional em que o Brasil está mergulhado?

Para mim, havia um ressentimento crescente no seio da sociedade. Mesmo no período mágico que o Brasil viveu, principalmente no segundo mandato do presidente Lula. Existe um fenômeno, que é a perda de posição relativa das classes médias tradicionais, em relação às camadas populares. Aquela sensação de que não se podia mais falar em privilégio porque as pessoas estavam ingressando no mundo das oportunidades econômicas, na universidade, nos aeroportos, no consumo de massa. Isso tudo foi criando uma sensação de que havia prejudicados pelo processo. Na verdade, o que estava havendo era uma mudança de composição da sociedade. Uma mudança que nunca foi assimilada, nunca foi bem compreendida. É como se tivéssemos estamentos e fosse permitido a um indivíduo mudar de estamento. Mas não fosse permitido que esses estamentos se aproximassem uns dos outros.

É um fenômeno local, ou o cenário internacional influencia?

A elite econômica está colhendo os frutos de uma deterioração decorrente da crise internacional de 2008, com a emergência de partidos de direita e extrema-direita assumindo o controle das economias. E quando houve uma brecha para a direita brasileira explorar, explorou como ninguém, porque conhece do assunto como ninguém. Aproveitou fragilidades do governo Dilma, tanto do ponto de vista político como econômico, e turbinou uma crise que seria apenas conjuntural. Poderia durar um ano, 2015 talvez, um freio de arrumação para que as coisas voltassem ao normal. Mas ela apostou no pior, para desestabilizar o governo e promover um impeachment sem crime de responsabilidade.

Com um aparato tão complexo em torno do impeachment – setores do Judiciário, imprensa, oligarquias políticas, interesses externos e uma parcela da população que aderiu a isso –, esse golpe é reversível?

O que se revelou no Brasil é um déficit de republicanismo a toda prova. As instituições não estão funcionando de forma republicana. E os desdobramentos disso ainda não podem ser entendidos em toda sua magnitude, porque, quando você começa a colocar os alicerces da vida democrática em jogo, não se sabe onde isso vai parar. Creio que a tentativa deles é levar esse governo provisório até o final, para contar com condições favoráveis de eleger um conservador em 2018. Mas se isso vai se consolidar ou não, só o tempo vai dizer, há muita instabilidade no ar. A começar da questão econômica que não se resolve.

O fato de a questão econômica não se resolver, e tender a se agravar, pode criar um ambiente mais tenso? O sr. acredita que haja espaço para eleições diretas antes de 2018?

Têm surgido teses sobre a realização de eleições diretas. E o próprio PSDB reconhece que a escolha indireta de um presidente talvez agrave a crise política, que está na raiz da crise econômica tão aguda quanto ficou. Nós só estamos passando por uma crise econômica tão aguda porque a crise política é um combustível permanente. É difícil prever agora os desdobramentos. No âmbito da Lava Jato ainda tem muita para acontecer. Não sei se as delações que envolvem PMDB e PSDB vão ser tratadas da mesma maneira, no mesmo rigor e até com as arbitrariedades que estão vindo a lume (quando a acusação é contra petistas). O primeiro semestre de 2017 vai ser decisivo nesse processo.

O sr. já disse que deve haver uma disputa entre direita e extrema-direita, com a esquerda fora do foco das discussões. Como a esquerda pode se reorganizar para manter seu espaço?

Quando eu falo em direita e extrema-direita como polos, é sempre como tendência. Um alerta para que as forças mais avançadas da sociedade se reorganizem em torno de um polo mais forte. Porque se nós nos fragmentarmos, não vamos ter chance de disputar o imaginário da sociedade, por melhor que seja o nosso projeto. É hora de sentar à mesa, discutir programaticamente o que fazer, o que faríamos se estivéssemos no comando do país. Tentar alinhavar um projeto que dialogue com os que estão sofrendo os efeitos da crise, para termos chance de concorrer com condições de vitória.

O Lula trabalha muito a ideia de uma frente a partir do centro político. E alguns setores da esquerda avaliam que não é mais possível juntar um movimento de conciliação de classes, é preciso criar um modelo de ruptura, que esteja pronto para superar o neoliberalismo. Cabe todo mundo nesse conceito de frente?

Hoje nós temos os extremos adensados e o centro político esvaziado. Eu acredito que, pelas características da população, nós vamos ter de manter um diálogo com as forças democráticas do país. O Brasil tem de estar nesse projeto. E há muita gente boa, com quem se precisa conversar para isso. Eu entendo que se coloque em questão a visão mais conciliadora, em função até de como o outro lado está tratando os temas nacionais, sem nenhum diálogo, tudo feito a toque de caixa, sem discussão com a sociedade, nem com partidos de oposição. Mas eu entendo que nós temos que adensar os setores democráticos, desafiar os riscos que estão colocado a partir do desmonte que está sendo feito do pacto Constitucional de 1988.

Ministro rejeita pedido de "mediação" feito pela companhia e considera que haveria "desequilíbrio entre empresa e empregados, o que é indesejável". Categoria ainda não renovou acordo coletivo. Para o ministro Emmanuel Pereira, Petrobras é uma das líderes do segmento pelo esforço dos seus empregados

O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira, que está no exercício da presidência, negou na quinta-feira (29) pedido de mediação feito pela Petrobras contra a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos. Com data-base em 1º de setembro, a categoria ainda não chegou a um acordo com a empresa para renovação do acordo coletivo. Trabalhadores ligados às bases da FUP e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) rejeitaram proposta da estatal.

Segundo o TST, o ministro afirmou que seria "inadequado" aceitar o pedido de apenas uma das partes para negociação, pois isso "demonstraria a existência de um desequilíbrio entre empresa e empregados, o que é indesejável", acrescentou. "Seja para o próprio procedimento de mediação, seja pela necessidade de se reconhecer que a Petrobras só é uma das líderes mundiais do seu segmento pelo esforço continuado dos seus empregados, que diuturnamente trabalham para que os melhores resultados sejam por ela alcançados. E, por isso, não merecem sofrer qualquer forma de desprestígio." A FUP já havia adiantado que não iria ao TST.

O tribunal informou ainda que a empresa pediu que fosse dado caráter cautelar ao pedido, alegando uma possível greve dos petroleiros, mas segundo o ministro esse tipo de solicitação não prevê tal procedimento. Ele afirmou que poderia ser concedida cautelar em um contexto de urgência. Também salientou, se houver foto novo, o pedido poderá ser reexaminado.

Em novembro, a Petrobras manteve proposta de 6% de reajuste, retroativo à data-base, no salário básico e na tabela de Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), e acrescentou 2,8% para fevereiro, sem retroatividade. Os petroleiros, que rejeitaram a oferta, discutem a organização de uma greve nacional.

Rede Brasil Atual - Lei prevê aumento com base no INPC, que segundo o Ministério da Fazenda deve fechar 2016 em 6,74%. Correção foi de 6,48%. PEC do teto pode acabar com política de valorização

Saiu na sexta (30), no Diário Oficial da União, o decreto fixando em R$ 937 o valor do salário mínimo a partir de 1º de janeiro, conforme anunciado na véspera pelo governo. O reajuste é de 6,48% sobre o atual, de R$ 880. E fica menor que a inflação medida pelo INPC-IBGE calculada pelo próprio governo: a estimativa do Ministério da Fazenda para 2016 é de 6,74%.

O novo valor do piso nacional também está abaixo da aprovado pelo Congresso no Orçamento Geral da União para o próximo ano, que foi de R$ 945,80 – isso representaria um reajuste de 7,48%. Nesse caso, o governo argumentou que o INPC, usado como referência no cálculo, ficará abaixo do previsto inicialmente. "Em virtude da inflação menor em 2016, o reajuste será menor do que o previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual). Trata-se, portanto, de aplicação estrita da legislação", diz, em nota, o Ministério do Planejamento.

Nem tanto, considerando-se que o reajuste ficará abaixo do INPC de 2016 – o índice de dezembro será divulgado pelo IBGE em 11 de janeiro. De janeiro a novembro, a inflação está acumulada em 6,43%.

A lei a que o Planejamento se refere é a 13.152, de 29 de julho deste ano, ainda no governo Dilma, que fixa uma política de valorização do salário mínimo de 2016 a 2019. A regra prevê aplicação do índice de inflação (INPC) do ano anterior mais, a título de aumento real, o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso de 2017, já se sabia que não haveria ganho real, porque houve queda no PIB de 2015 (-3,8%).

A questão é se haverá aumentos reais em 2018 e 2019, caso o PIB brasileiro cresça nesses anos, por causa da chamada PEC do teto, a proposta de emenda à Constituição aprovada neste mês pelo Senado. Se o governo ultrapassar o limite de despesas, o salário mínimo não terá reajuste acima da inflação, acabando com uma política conquistada após mobilização das centrais sindicais, que a partir de 2004 fizeram uma série de marchas a Brasília. De acordo com o Dieese, de 2003 a 2016, o mínimo foi reajuste em 340%, enquanto a inflação do período somou 148,34%, com um ganho de 77,18%.

Confirmada a restrição ao ganho real, seria mais uma iniciativa do governo contrária aos gastos sociais. Na mesma nota em que informa sobre o novo valor, o Planejamento afirma que o reajuste significa incremento de R$ 38,6 bilhões na massa salarial, ou 0,62% do PIB, o que terá, acrescenta, "efeitos positivos na retomada do consumo e do crescimento econômico ao longo do ano".

Um pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, depois contestado pela FGV, chegou a fazer simulação e demonstrou que, caso as regras da PEC valessem desde 1998 o salário mínimo atual seria de aproximadamente de R$ 400, menos de metade do valor oficial.

O Dieese aponta o salário mínimo como um fator de ampliação do mercado e de redução da desigualdade. Em 1995, com um piso nacional era possível comprar 1,02 cesta básica. Neste ano, 2,14, em valores de janeiro. O instituto calcula que 48 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, inclusive aposentados e pessoal da ativa

 

“2016 foi uma tragédia para a reforma agrária”, afirma João Pedro Stedile. O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra publicou um vídeo nesta sexta-feira (30), onde faz um balanço das lutas no campo este ano.

Stedile destaca que os interesses dos trabalhadores rurais e dos camponeses foram “duramente afetados” pelas medidas do governo Temer, que assumiu a Presidência da República após o impeachment de Dilma Rousseff. 

Segundo o coordenador do MST, “os golpistas assumindo o poder, representaram, na verdade, a hegemonia completa dos interesses do agronegócio, dos latifundiários, das grandes corporações transnacionais da agricultura, que agora estão presentes e controlam o Congresso, o poder Judiciário e a mídia corporativa”, explica. 

A recente investida do governo não eleito de Michel Temer, que editou nas vésperas do Natal a Medida Provisória 759 “sem nenhuma discussão com os movimentos, ou com a sociedade”, como lembra Stedile, irá alterar a política de regulamentação fundiária rural e urbana e paralisará “ainda mais a reforma agrária”, afirma o dirigente. 

“Ela entrega, legaliza toda a grilagem de terras públicas na Amazônia, porque todos aqueles fazendeiros que grilaram terras públicas ao longo desses anos, agora, se aprovada a lei, poderão regularizá-las, de uma maneira muito rápida e praticamente sem custo”, disse.

O coordenador do MST destacou ainda que os camponeses terão vários desafios pela frente em 2017, entre eles, “o desafio político”. “Nós não poderemos suportar mais, um governo impostor, golpista, que está acelerando tudo o que eles não fizeram nos últimos 30 anos e querem fazer agora, em alguns meses”.

Por fim, Stedile explica que os movimentos que integram a Frente Brasil Popular carregarão, em 2017, a bandeira pelas “Diretas Já”. “Nós do MST, nos somamos com os movimentos populares da Frente Brasil Popular, para exigir eleições ‘Diretas Já’ em outubro de 2017. Não apenas para escolher um novo presidente da República, mas para eleger inclusive um novo Congresso. Porque esse Congresso que está aqui, ele é o resultado da Lava Jato. Mas de 300 congressistas são citados nas delações, que receberam propina e caixa dois para se eleger”.

 

VIA Brasil de Fato

 

 

As promessas eram as mesmas de há três décadas: acabar com os gastos inúteis do Estado, com sua administração ineficiente, controlar as finanças públicas como primeira prioridade, retomar a confiança na economia, recuperar o crescimento econômico. No passado, a novidade permitiu que as promessas tivessem duração mais longa: elegeram e reelegeram governos, baseados no controle da inflação, mesmo frente ao processo de estouro da dívida pública, do aumento da desigualdade e da exclusão social.

Desta vez, no entanto, para conseguirem certo espaço, tiveram de promover o esquecimento da população em relação ao seu fracasso e ao sucesso dos governos que os sucederam. Agiram, assim que Macri e Temer assumiram, repetindo a pantomima do seu surgimento, como se nada tivesse acontecido: nem seu esgotamento, nem o sucesso dos governos que se antepuseram a eles.

Se valeram da recessão econômica internacional e seus efeitos sobre os nossos países, da reiteração da campanha de desestabilização interna promovida pela mídia, das acusações reiteradas de setores do Judiciário e da polícia, concentrados nos governos progressistas, para promover a candidatura do Macri na Argentina, o golpe no Brasil.

Tiveram, para retomar suas políticas, de retomar seus diagnósticos, negados pela realidade recente. O Estado gastou muito, as políticas sociais desequilibraram o orçamento público, a força de trabalho é muito cara, o desenvolvimento gera inflação e assim por diante. E aplicaram seu duro ajuste fiscal, sem aprender nada da realidade, revelando como não tem nada de novo a oferecer. E fracassam de novo.

Bastaram alguns meses para ficar claro que nem na Argentina, nem Brasil, nem um único índice econômico é positivo. A recessão se aprofunda, como efeito do ajuste, e se torna depressão econômica. Não há investimentos novos, ao contrário, há fuga de capitais e aumento da especulação financeira. O desemprego dispara, os salários são comprimidos, a crise social se intensifica, a desconfiança na economia se generaliza, dentro e fora dos países.

Macri e Temer fracassam ao mesmo tempo, nos dois maiores países que se haviam atrevido a ferir preceitos básicos do neoliberalismo. Que haviam provado que é possível crescer, distribuir renda e controlar a inflação. Que é possível recuperar a legitimidade do Estado, com políticas de crescimento e de inclusão social. Que a integração regional e os intercâmbios Sul-Sul são melhores do que a integração subordinada como a do México com os EUA.

Agora a comparação não é com os desenvolvimentos esgotados das décadas anteriores ao surgimento do neoliberalismo, mas com os avanços realizados neste século. Como não sobrevivem a essa comparação, os governos neoliberais promovem o esquecimento na cabeça das pessoas, mas diante da expropriação dos direitos adquiridos, sua luta é vã. Por outro lado, tentam a desqualificação dos principais responsáveis por essas conquistas – Lula e Cristina Kirchner. Tampouco conseguem, como as pesquisas apontam.

Foi um ano de imensos retrocessos para os dois países, como não havia ocorrido desde as ditaduras militares. Só comparáveis com os retrocessos promovidos pelos primeiros governos neoliberais – de Collor e FHC no Brasil, de Carlos Menem, na Argentina. Com a diferença que desta vez o impulso neoliberal tem fôlego muito mais curto e deve ser um parêntesis e não um longo período de retrocessos no Brasil e na Argentina.

 

Fonte; http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2017/01/com-temer-e-macri-neoliberalismo-torna-se-expressao-do-fracasso-8701.html

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, escolheu a segunda colocada em eleições para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e provocou revolta entre a comunidade científica e profissionais da Saúde. A escolha rompe a tradição do respeito à soberania do voto nas instituições que realizam processo seletivo para seus gestores.

Há 25 anos a presidência da Fundação Oswaldo Cruz é escolhida por eleição direta junto a seus trabalhadores, pesquisadores e professores. De 23 a 25 de novembro, 4.415 servidores de todas as unidades no Brasil elegeram a doutora Nísia Trindade, atual vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação, para o mandato 2017-2020. Nísia recebeu 2.556 votos em primeira opção, ou seja, 59,7%. Em segundo lugar, ficou a doutora Tania Araújo-Jorge, pesquisadora e ex-diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Obteve 1.695 votos em primeira opção (39,6%). Houve um comparecimento às urnas de 82,1% da comunidade.

O presidente da Fenafar e do Conselho Nacional de Saúde, Ronald Ferreira dos Santos, afirmou que a decisão fere a vontade soberana do corpo funcional da Fiocruz que há anos escolhe seus gestores de forma participativa, democrática e transparente. “Os instrumentos de participação social são indispensáveis para o desenvolvimento e fortalecimento das nossas instituições", disse.

"Na Fiocruz, um destes instrumentos é a voto da sua comunidade para a escolha de seus gestores. Isso se dá a partir de uma debate interno, com base em propostas de aprimoramento das políticas e ações da gestão para impulsionar e manter a Fiocruz como um das instituições de referência em pesquisa de Saúde no mundo. Essa decisão é uma verdadeira ameaça a nossa mais bem sucedida experiência de atuação nas ciências da saúde que é a Fiocruz. É a mais cruel evidência da ação de traidores da pátria”, afirmou.

O atual presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, afirmou que a decisão de nomear a segunda colocada "criou uma comoção intensa em todas as áreas em que a Fiocruz trabalha. Deveria ser um processo natural do presidente Temer e do ministro Barros de reconhecer que a Fiocruz tem demonstrado maturidade no processo de seleção da presidência".

 

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2016/12/temer-nomeia-para-fiocruz-candidata-derrotada-em-eleicao-de-funcionarios-5941.html

É com muita tristeza que o Sindipetro NF comunica o falecimento do companheiro Silvaney Bernardi, que morreu na tarde de ontem, primeiro de janeiro de 2017. Deixamos aqui nossos mais sinceros sentimentos a família e amigos desse guerreiro, que deixou um legado inquestionável para todos nós.  

O enterro será hoje, às 10h, no Cemitério Vertical, na Vila Tarumã, Curitiba-PR.

"Os petroleiros e petroleiras perderam um grande companheiro de lutas que se dedicou com muito afinco na defesa da categoria. Silvaney não media esforços para cobrar da empresa o fim das mortes, mutilaçoes e adoecimentos tão frequentes no setor petróleo. Que o exemplo dele possa inspirar todos nós na luta por condições decentes de trabalho" - Marcos Breda, Coordenador Geral do Sindipetro NF.

Silvaney  Bernardi , estava com 53 anos, sendo conhecido por mais de vinte anos de forte atuação no movimento sindical. Engenheiro agrônomo de formação, foi operador da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul-PR. Presidiu o Sindipetro Paraná e Santa Catarina por duas vezes, nas gestões 2008/2011 e 2011/2014. Estava licenciado dos cargos de secretário de saúde da Federação Única dos Petroleiros (FUP), de secretário da regional sul da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico (CNQ/CUT) e de secretário de relações com o setor privado e atividades terceirizadas do Sindipetro PR e SC.

Há pouco mais de um ano foi diagnosticado com um agressivo câncer de pâncreas e desde então travava uma batalha interna pela vida. Em sua última mensagem, enviada na tarde deste sábado (31), mais uma vez comprovou sua grandeza. “Amigos e amigas, gostaria de agradecer muito toda solidariedade que recebi. Estou em paz e desejo que vocês sejam muito felizes. Aprendi muito com todos vocês”, escreveu.

Entre as diversas homenagens que está recebendo, uma delas resume bem a dimensão do ser humano que perdemos. “É o tipo de pessoa que não parte nunca porque leva um pouco da gente e deixa muito de si”.

O desafio agora é que saibamos valorizar e reproduzir o legado e lições de vida que herdamos deste grande companheiro.

Duro sem perder a ternura

Dezembro 30, 2016 09:22

Fonte: http://www.fup.org.br/publicacoes/primeira-mao/item/20435-duro-sem-perder-a-ternura

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