Chico da Boleia - Em entrevista ao jornal dos caminhoneiros Chico da Boleia, o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Eduardo Costa Pinto, analisou que a medida da atual gestão da Petrobrás tem alterado constantemente o preço dos combustíveis. Leia a matéria com a entrevista:

O Brasil tem vivido, nos últimos dias, o fenômeno da greve dos caminhoneiros. O movimento que começou com a paralisação de membros da categoria em 21 de maio afetou a vida de toda população brasileira.

Os caminhoneiros se mobilizaram, sobretudo, em torno da pauta da redução do preço do diesel. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos), no período de 22 de abril a 22 de maio de 2018, a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do diesel nas refinarias 16 vezes.

O estudo mostra que o preço da gasolina saiu de R$ 1,74 e chegou a R$ 2,09, alta de 20%. Já o do diesel foi de R$ 2,00 a R$ 2,37, aumento de 18%. Para o consumidor final, os preços médios nas bombas de combustíveis subiram de R$ 3,40 para R$ 5,00, no caso do litro de gasolina (crescimento de 47%), e de R$ 2,89 para R$ 4,00, para o litro do óleo diesel (alta de 38,4%).

No último acordo anunciado por Michel Temer, no domingo 27 de maio, e ratificado por entidades sindicais de autônomos e transportadoras de cargas, a redução de R$0,46 no preço do combustível será realizada através do fim da tributação do Pis/Cofins e da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). A medida assegura o reajuste para baixo por um período de 60 dias.

Nenhuma das negociações, no entanto, foi aceita pelos caminhoneiros. Apesar de que, depois de tais tentativas, entidades sindicais tenham assinado o acordo e sugerido que os caminhoneiros voltassem ao trabalho, muitos resistem em seu movimento. Atualmente, demandam também redução do preço da gasolina e do gás de cozinha. Querem medidas duradouras de congelamento desses preços para que não sejam surpreendidos por uma nova alta.

Na visão do Prof. Dr. Eduardo Costa Pinto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), a redução do tributo que incide sobre os combustíveis não é capaz de garantir que o preço desses produtos não volte a subir. Em entrevista para o jornal Chico da Boleia, ele explicou que a grande causa desse expressivo aumento é a política de preços da atual gestão da Petrobras, presidida por Pedro Parente. Leia na íntegra.

Professor, como você enxerga a greve?

Pra mim claramente existe um movimento que é dos autônomos com interesses parecidos das transportadoras. Pra mim existe uma lógica muito clara nesse movimento que é causada pela atual política de preços da Petrobras que tem repassado para o mercado nacional os preços que oscilam em relação ao mercado internacional. Isso tem dois efeitos: um a curto e outro a médio prazo. O primeiro deles é que a gente tem uma economia que tem crescido muito pouco. Logo, a demanda desse tipo de serviço está relativamente baixa. Então, o que a gente vê hoje é um aumento do custo do transporte, sem aumento de receita. Com isso, você reduz as margens de receita tanto das grandes transportadoras, como do caminhoneiro autônomo. Só que ainda tem um jogo aí dentro: as grandes transportadoras contratam também os agregados. Nessa contratação, elas tentam empurrar a perda delas para os agregados.

E porque essa perda?

Porque a receita, que é o preço do frete que é cobrado tanto dos agregados quanto das transportadoras vezes a quantidade de produto que é transportada, tem crescido numa velocidade muito menor que o principal custo do transporte, que é o diesel. Então isso vai comprimindo a margem de receita, tanto da transportadora quanto do agregado. Soma-se a isso a capacidade que uma grande transportadora tem de empurrar esse efeito para o caminhoneiro, porque o poder do autônomo é muito menor que o da empresa. Então, essa política de preços da Petrobras, tem gerado tanto uma compressão da margem de lucro das transportadoras quanto do autônomo. Logo, é um movimento que tem a ver com essa deterioração da margem de lucro. Por isso, os trabalhadores se somaram à mobilização independente de terem sido convocados ou estarem alinhados, porque tem a ver com a perda de receita deles.

Com o preço de diesel reajustado diariamente, o caminhoneiro não consegue mais planejar seus custos. Então, por exemplo, o autônomo ou o agregado pega um frete, daí ele está transportando a carga e, de um dia para o outro, o preço do diesel sobe. Então, ele vai ter que arcar com um custo a mais que ele não planejou, porque não tinha como planejar e porque os preços alteram todo dia. O autônomo, portanto, recebe esse efeito de maneira ainda maior que as transportadoras. A atual política de preços da Petrobras gera uma compressão da margem dos lucros e, além de tudo, dificulta a mensuração dos custos por parte dos caminhoneiros.

E tem um agravante todo nessa situação! Dada a capacidade maior do patronato de influenciar a categoria – e um pouco também mesmo dos trabalhadores de referendar essa ideia – constrói-se uma visão de que o aumento de preços do combustível não é causado pela atual política de preços da Petrobras e sim pelos impostos. E não é! Porque? Porque a gente não teve recentemente, nenhum aumento da alíquota dos tributos sobre o diesel e a gasolina. Você também não teve nenhuma mudança de ganhos por parte das distribuidoras ou dos postos de gasolina. Então, o imposto sempre existiu, antes mesmo da nova política de preços da Petrobras, com a mesma alíquota. O imposto é uma alíquota fixa. Então o que eu quero dizer é que a causa desse aumento acelerado do preço dos combustíveis tem a ver com a política de preços. Na verdade, a Petrobras deveria fazer uma política de preços, de reajuste pra cima ou para baixo não diariamente, ela tem que fazer isso no trimestre. Para que os consumidores, os caminhoneiros, possam planejar seus custos. O caminhoneiro não pode sair com um frete e, no meio da viagem, o preço do combustível mudou e fez com que se alterasse completamente a projeção de custos dele.

E aqui tem um ponto que é muito importante. A Petrobras tem usado um discurso que é falso. Ela tem defendido que essa atual política de preços garante mais receita. Isso não procede, porque a Petrobras tem reduzido a produção de derivados. Quem tem ganhado dinheiro com essa política de preços são as importadoras estrangeiras.

Professor, qual é de fato a estratégia da Petrobras com essa nova política de preços e porque ela impacta no valor dos combustíveis?

Essa política começou tem um pouco mais de um ano, e a ideia dessa política é alinhar os preços dos derivados do petróleo produzidos nas refinarias da Petrobras, ou seja, gasolina, diesel, GLP, a duas variáveis. A primeira são as mudanças dos preços internacionais desses derivados, então ela usa como referência preços desses derivados praticados nos Estados Unidos e na Europa. Se o preço sobe lá fora, automaticamente sobe o preço aqui. A segunda variável é a taxa de câmbio. Se a taxa de câmbio se desvaloriza, ou seja, fica mais caro importar. Se fica mais caro importar, também sobe o preço do diesel ou da gasolina que vão ser importados pelo Brasil. Logo, isso é repassado automaticamente para os preços dos derivados de petróleo comercializados pela Petrobras. Essa é a atual política. É um alinhamento do preço dos produtos que saem das refinarias da Petrobras com os preços do diesel, da gasolina, do GLP, no mercado internacional. Essa é a estratégia. E isso está associado tanto a operação do preço internacional quanto à variação da taxa de câmbio.

E o que está por trás dessa política?

Eduardo Costa Pinto: Nessa política de preços a regulação é feita pelo livre mercado, pela suposta livre concorrência. Ou seja, a Petrobras não vai atuar na conformação dos preços porque, supostamente, seria melhor, tanto para a empresa, quanto para os consumidores, o mercado regular esses preços. Esse é o argumento da atual gestão. E a gente vê claramente, agora, que essa regulação não traz benefícios para os consumidores. Porque se a gente olha essa política de preços, ao longo desse último ano você teve um aumento do preço dos derivados, do diesel, gasolina e GLP, numa velocidade muito maior do que a inflação do país, muito maior do que os custos de produção da Petrobras. Esse é o fundamento, hoje, dessa política de preços.

E qual é a crítica que o INEEP tem feito com relação à essa política?

A partir dos estudos que fazemos, nós identificamos que, em primeiro lugar, você não pode deixar a lógica de mercado stricto sensu operar em cima de um produto que é estratégico. Também não dá para fazer o controle pleno disso, porque senão você também terá problemas. Mas, definitivamente, não pode deixar com que ele se auto regule pelo livre mercado. E daí você poderia me perguntar assim: “Mas Eduardo, e se você deixar de controlar o preço, qual o efeito disso?”. Aí tem um outro ponto que eu acho que tem que ser ressaltado que é que o aumento, hoje, nos preços que saem das refinarias da Petrobras, não tem gerado lucros, aumento dos lucros para as refinarias da Petrobras. Isso porque tem reduzido fortemente a produção de derivados nas refinarias da Petrobras. A Petrobras de hoje, com essa política de preços, que tem como objetivo vender seus ativos, ou seja, vender as refinarias, que sinaliza para os investidores estrangeiros que não vai mexer na política de preços, tem reduzido o nível de utilização das refinarias. Então as refinarias da Petrobras, que teriam capacidade de refinar cerca de 2,4 milhões de barris por dia, tem operado, atualmente, com cerca de 30% abaixo da sua capacidade total. O que significa dizer que, hoje, cerca de 23% do mercado de derivados do Brasil é suprido por importações, mas não da Petrobras, de outros importadores. Então, quem tem lucrado com o aumento dos preços dos derivados são as empresas estrangeiras importadoras e, principalmente, as grandes empresas de petróleo, Total, Shell. A Petrobras não tem lucrado com isso! E isso é assustador! Pior ainda, isso não tem gerado nenhum benefício para os consumidores.

Pra mim, o que fica muito claro com relação à mobilização é que os caminhoneiros não podem embarcar nessa lógica de que o problema é o tributo. O problema é a atual política de preços da gestão da Petrobras. Porque isso tem reduzido as margens de lucro das transportadoras e, mais ainda, dos autônomos.

Você disse que há uma redução da capacidade produtiva dessas refinarias, qual o objetivo final disso?

Isso significa que a Petrobras, hoje, está ofertando muito menos derivados no mercado nacional e a gente fica refém das importações.

Mas, Eduardo, os custos de refinar hoje no Brasil cresceram?

Não! Eles até caíram, porque as refinarias brasileiras utilizam 94% do petróleo produzido no Pré-sal, cujo custo de produção é muito mais baixo. Então, o principal custo de produção dos derivados é o petróleo, ou seja, é dele que saem o diesel, a gasolina, os derivados. Então, o principal custo de produção da Petrobras é o próprio petróleo que ela produz no Pré-sal. Os custos de produção estão ficando cada vez menores, só que isso não está sendo repassado principalmente para o consumidor. Porque existe essa política de preços atrelada ao preço internacional do Petróleo. Aí você vai dizer: quem ganha com isso? A Petrobras ganha relativamente pouco. Porque o que ela está fazendo com a estratégia? Ao invés de refinar petróleo aqui, nas refinarias da própria empresa, ela está exportando petróleo cru e deixando com que os importadores aqui e outras empresas, importem derivados principalmente das refinarias dos Estados Unidos. E isso com a desculpa de que se está deixando o mercado regular os preços, o que supostamente seria bom tanto para a Petrobras, quanto para os consumidores.

A questão é que isso não existe! O mercado de produção e exploração do Petróleo, o mercado de derivados e o de distribuição, é um mercado oligopolizado. Isso significa dizer que ele não registra a lógica de oferta e demanda simplesmente, porque você tem uma quantidade muito pequena de ofertadores e uma quantidade enorme de demandadores, que são os consumidores. Então, a capacidade de mercado é muito baixa. E achar que, do nada, o preço cai…o que acontece é o contrário. O que estamos vivendo hoje? Uma política que deixa o preço flutuar a partir do câmbio e do preço do petróleo internacional. Isso é um risco enorme! E daí as pessoas falam: “ah, mas nos Estados Unidos isso é feito”. Mas os Estados Unidos têm uma política que não faz isso no automático. Além de tudo, os EUA têm um grande estoque de derivados que regula, que dá uma certa estabilidade nesse processo. A gente não!

Então, em nenhum lugar do mundo você deixar isso acontecer. Porque o preço do petróleo não depende só de oferta e demanda, ele também é influenciado por fatores geopolíticos. Às vezes o preço subiu porque o Trump resolveu quebrar um acordo com o Irã. Aí depois esse preço pode baixar, de novo. Se eu fico numa política de sobe e desce o tempo inteiro, isso gera uma dificuldade para os agentes econômicos que, no caso, é o setor do transporte, e que na ponta é o caminhoneiro autônomo, que fica sem nenhuma perspectiva de planejar suas despesas. Então ele recebe, chutando aí, um frete de R$2 mil, o preço do combustível subiu de repente, e ele vai ter um prejuízo nesse processo.

E tem mais! Como a gente tem uma economia vulnerável, que é de um sobe e desce impressionante, quando eu uso isso para regular o preço, isso vira um caos que a gente está vendo hoje.

E qual a relação do preço dos combustíveis com os tributos?

Eduardo Costa Pinto: Eu acredito que atacar, hoje, a questão dos tributos, é uma estratégia equivocada. O crescimento dos preços não é causado pelo imposto, porque você não teve mudança de alíquota. É preciso refazer a política de preços da Petrobras. Ela não pode descolar totalmente do internacional, mas ela também não pode subir e descer a cada dia. Isso cria instabilidade econômica, dos agentes econômicos. Essa política também não beneficia a Petrobras em termos de receita. Por isso que o Parente falou que não ia mudar a política de preços, porque ele estabeleceu que tem que vender parte do refino. E os investidores estrangeiros já disseram, principalmente os chineses, que não vão comprar refino se a política de preços não for de acordo com a internacional. E isso é assustador! Porque no meio de uma crise dessas, com os preços subindo, a Petrobras tem refinarias, como essas que foram colocadas à venda, a refinaria da Bahia e a de Pernambuco, que estão com capacidade ociosa de 50%. Ou seja, você tem um investimento, uma estrutura produtiva, e ela só refina 50% dos derivados que ela poderia produzir. Se a Petrobras fizesse uma produção interna, eu não precisaria jogar o tempo inteiro esse preço pra cima, porque ele só teria a ver com os custos de produção. Então, existe uma estratégia privatizante para a Petrobras, para a venda de ativos. E muita gente está usando a questão dos tributos sem saber o que está acontecendo com a política de preços. E essa política não tem só a ver com o preço dos derivados, tem a ver com a forma como a Petrobras vê hoje a estratégia do refino no Brasil.

Prof., a questão dos tributos vai além do fato de que não houve um reajuste. Tem a ver também com a própria característica desse tributo que é o Pis/Cofins que é repassado para áreas da seguridade social…

O que acontece é o seguinte. Criou-se uma questão no Brasil, e daí eu acho que tem que colocar a questão da lava jato e de corrupção nesse meio, porque por conta disso, criou-se a ideia de que a Petrobras está quebrada. Isso é uma completa falácia. A Petrobras enfrentou problemas, mas não tinha nada a ver com a corrupção. É claro que a corrupção, 6 bilhões como foi registrado no balanço da Petrobras – e daí qualquer pessoa vai dizer que é muito dinheiro. Mas 6 bilhões na receita da Petrobras, que foi o balanço de 2014, não é nem 10% da receita da empresa naquele ano. Ah, mas a dívida aumentou muito? Aumentou! Mas em parte isso aconteceu porque você teve uma desvalorização cambial. Só que, inclusive, o Parente e uma parte do setor empresarial brasileiro divulgou e reforçou o argumento de que o problema era a corrupção, era a política do Estado. E que era preciso fazer o que? Reduzir os impostos e reduzir o papel do Estado na regulação dos preços.

A Petrobras sendo uma empresa estatal, ela tem que levar em conta o quanto ela vai lucrar, mas também o quanto ela vai gerar de custos para a sociedade. A questão toda aí é que, dado o cenário de crise que a gente vive, o argumento é sempre o mesmo: resolve-se tudo reduzindo os tributos. O que me impressiona é que, nesse caso especifico, você ainda quer reduzir um tributo que é destinado à seguridade social. Ele é destinado à população mais pobre. Ou seja, você não ataca qual é o problema hoje que gerou essa escalada de preço do diesel, do GLP e da gasolina. Você arruma um paliativo, uma desculpa de que o problema é o tributo.

Então eu acho que o movimento dos caminhoneiros tem que entender essa dinâmica, porque a questão toda é a nova política de preços da atual gestão da Petrobras. E mais! Se essa política continua, se o Pedro Parente consegue vender as refinarias, e supostamente isso aumentar a concorrência e cair preços, isso é uma falácia! Porque você vai ter setores oligopolizados, um setor privado forte, que vai priorizar o preço internacional. Essa atual redução do preço do diesel que foi anunciada pelo governo é temporária, porque você tem uma tendência ao aumento do preço do Petróleo internacional e você tem uma tendência de desvalorização da nossa moeda em função da taxa de juros. Logo, se essa política for mantida, daqui 60 dias o preço do diesel vai disparar de novo, mesmo você reduzindo tributo!

Na tarde desta segunda-feira, 04, trabalhadores e trabalhadoras votaram e aprovaram o Regimento Interno do 14º Congresso dos Petroleiros e das Petroleiras do Norte Fluminense (Congrenf). A categoria também elegeu a mesa diretora do congresso.

A abertura oficial do Congrenf está marcada para às 18h, desta segunda, 04; O evento contará com a presença de representantes do Sindipetro-NF e de entidades nacionais, como CUT, FUP, CTB, MST,UNE, PC do B, PT e PSOL. Em seguida, haverá a mesa "Conjuntura: O impactos do Golpe no Brasil". A programação será transmitida ao vivo pela TV NF e pela Rádio NF, nos sites e redes sociais da entidade.

Nos dias seguintes, serão realizadas discussões estratégicas da categoria, com caráter de Seminário de Greve. Esta parte da programação não terá transmissão ao vivo.

 

Confira a íntegra da programação:

 

04/06/2018

 

Das 10h às 18h - Credenciamento dos Delegados

14h ás 17h- Eleição da Mesa Diretora do XIV CONGRENF e votação do Regimento Interno

18h às 19h30 - Abertura do XIV CONGRENF

- Representantes de Sindipetro-NF, FUP, CUT, CTB, MST e UNE.

19h às 21h – Mesa 1 - Conjuntura: O impactos do Golpe no Brasil

21h - Coquetel

 

 05/06/2018

08h às 10h – Credenciamento dos Delegados

10h  ás 12h – Credenciamento dos Suplentes

08h às 12h – Mesa 2 - Democracia & Comunicação

 12h-13h30 – Intervalo para o almoço

 13h30 às 17h – Mesa 3 -  A Precarização do Trabalho

 18h às 20h - Exibição do filme , Eu, Daniel Blake

 

 06/06/2018

 09h às 12h- Mesa 4:  Setor Petróleo

 12h às 13h30 – Almoço

 13h30 às 19h – Mesa 5 : Histórias das greves , Modelo de Greve e  Avaliação das formas de greve dos petroleiros

 19h às 20h – Consolidação das Propostas e Votação Chapa Plenafup 2018

 20h30 – Encerramento

FUP -  A queda do agora ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, há exatos dois anos do início de seu mandato no alto comando da companhia petrolífera brasileira, é o ápice de um conjunto de insatisfações relacionadas ao preço do diesel contestado pelos caminhoneiros e ao preço da gasolina e do gás questionado pelos petroleiros, ambos contando com o apoio do conjunto da população.

Desde o início do governo Temer, o Brasil experimentou mais de 229 reajustes no valor do diesel, que desde julho de 2016 a maio de 2017 sofreu alta de 57,8% nas refinarias, mais de 225 reajustes no valor da gasolina, que nesse mesmo intervalo passou por elevação de 57,1% também nas refinarias, para não mencionar o gás de cozinha que apenas o ano passado teve uma elevação média de 70%, um preço proibitivo que obrigou 1,2 milhão de domicílios a voltarem a cozinhar com fogão a lenha e álcool, segundo dados do próprio IBGE.

A opinião pública nos últimos dias demonstrou sua objeção e contrariedade ao projeto levado a cabo pela Petrobras, 87% da população é contra as medidas apresentadas pela empresa estatal e pelo governo para tentar contornar a crise atual, o principal incômodo decorre da percepção coletiva de se tratarem de medidas paliativas, de curtíssimo-prazo e que novamente oneram o bolso da população. Mais ainda, 74% afirmam ser contra a desestatização da empresa para o capital estrangeiro, 59% acreditam que as medidas propostas pela atual gestão trazem mais prejuízos do que benefícios aos brasileiros e 55% se declaram contrários à privatização, de acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha na última semana.

Esse cenário é também reflexo de um governo que demonstrou absoluta incapacidade de organizar a tempo uma adequada gestão de crise, a pressão aberta de caminhoneiros, petroleiros, e transportadoras, somadas às pressões de bastidores de acionistas, petrolíferas estrangeiras, grandes importadoras de derivados, do agronegócio do etanol, resultando na cobrança de uma resposta pela própria grande imprensa, exigiam medidas de administração de interesses conflitantes que deixaram o Planalto imóvel. Michel Temer praticou o locaute do seu próprio governo, acompanhado de uma equipe boa para fazer negociatas mas ruim para liderar negociações. Esse é o custo causado para a sociedade por um governo de legitimidade, popularidade e legalidade contestáveis.

A implementação de um projeto que não foi referendado pelas urnas segue despertando a repulsa da maioria da população que parece enxergar aquilo que o governo e a gestão da Petrobras se recusam a admitir: a atual política não foi chancelada pelas urnas e está sendo rechaçada pela ampla maioria da sociedade brasileira.

Do ponto de vista internacional, a descoberta do pré-sal tornou o Brasil um grande player geopolítico e geoeconômico, em um momento de instabilidade na Venezuela e no Oriente Médio, de alta no preço do barril do petróleo, combinada à desvalorização cambial e à mudança na rota da política monetária dos EUA, se bem geridas, tais variáveis poderiam favorecer o país ao invés de fragilizar ainda mais nossa inserção externa.

Do ponto de vista nacional, a internalização da volatilidade do preço nos combustíveis, sendo repassada diretamente ao consumidor final, em uma economia cujo padrão de desenvolvimento depende do transporte rodoviário e do frete e em uma conjuntura marcada por baixo dinamismo econômico, alto desemprego e elevada precarização das atividades de transporte e logística só poderiam mesmo colapsar o conjunto das atividades do mercado interno.

Não perceber isso denota profunda negligência com a análise das bases em torno das quais se fundou nossos processos de industrialização, urbanização e integração nacional, além de uma acentuada insensibilidade com a situação daqueles que impactados por uma reforma trabalhista e pelo corte de gastos sociais e investimentos públicos passaram a experimentar condições de vida cada vez mais insalubres e indignas.

Trata-se, em última instância, de mais um dos sintomas de um sistema econômico-financeiro que impôs seus interesses sobre a vida política-institucional do país tornando essa última ainda mais alheia e descolada dos anseios e expectativas da população. A troca na presidência da empresa com a manutenção da política de refino e preços não solucionará o problema, é muito provável que outra crise já esteja sendo gestada com a continuidade da subida do preço da gasolina e do gás. Ou as urnas governam a Petrobras ou a Petrobras desgoverna o Brasil.

Brasil de fato - 

A tendência mundial de alta no preço dos combustíveis não afetou o bolso dos consumidores da Rússia. Segundo a agência Bloomberg, o litro de gasolina no país da Copa custa em média R$ 2,32.

A reportagem do Brasil de Fato está na capital Moscou, onde o custo de vida costuma ser mais alto que no restante do país. Mesmo nos postos de combustível da região central, o preço da gasolina não ultrapassa os R$ 2,50. O litro do diesel custa menos de R$ 2,65.

Paralelos

A greve dos caminhoneiros no Brasil estimulou uma reflexão sobre a gestão e o controle do petróleo. Na Rússia, quem comanda a produção de petróleo e gás é a empresa pública Gazprom, fundada em 1989, que tem 50,002% de capital estatal.

A Gazprom é a maior empresa de capital aberto da Rússia. Apesar das denúncias de corrupção e falta de transparência, as receitas da companhia superaram há dois anos a casa dos US$ 100 bilhões.

No aniversário de 25 anos da Gazprom, em fevereiro, o presidente Vladimir Putin discursou diante de milhares de trabalhadores e atribuiu o sucesso da empresa ao fortalecimento do seu caráter estatal.

Trajetória

“Houve um tempo em que o Estado praticamente perdeu o controle sobre a companhia”, disse Putin, em referência ao processo de privatizações ocorrido após a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No início da década de 1990, a população apoiou a venda de ativos das estatais e a entrada de empresas multinacionais no país.

O fracasso do modelo neoliberal, evidenciado pelos índices socioeconômicos, mudaram em poucos anos a opinião pública. Na virada do século, mais de 77% dos russos eram favoráveis a uma revisão parcial ou total das privatizações realizadas nos primeiros meses de abertura para o capitalismo.

Com respaldo popular, e de olho no aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo reverteu a onda privatizante e apostou na gestão pública dos recursos naturais. A mesma tendência se verificou na Argentina, durante o governo Néstor Kirchner, e no vizinho Azerbaijão.

O modelo russo permite concessões e partilha, como no Brasil. Ou seja, o governo pode conceder a terceiros o direito de explorar petróleo em uma área durante determinado período. Mas, como o próprio Putin insiste em dizer, é o Estado, e não as empresas privadas, quem “dita as regras do jogo”. Ao contrário do que propôs Pedro Parente, presidente da Petrobras, na Rússia o preço do combustível não é atrelado às flutuações diárias do valor de mercado internacional do petróleo.

Modais de transporte

O protesto dos caminhoneiros no Brasil também suscitou debate sobre a dependência do sistema rodoviário para o transporte de mercadorias.

Na Rússia, a categoria se mobilizou, em junho de 2017, contra o aumento de 25% no imposto referente ao Sistema de Cobrança Eletrônica de Pedágios (ETC) em rodovias administradas pelo Estado.

Houve paralisações de caminhoneiros em 80 distritos russos, mas a greve não levou a um cenário de desabastecimento como no Brasil. Cerca de 88% do transporte de cargas na Rússia utiliza o sistema ferroviário. Devido às variações climáticas, a manutenção de rodovias é considerada muito custosa, e a construção de novas pistas é inviável durante o inverno nas regiões mais frias do país.

Começa hoje, no Teatro do Sindipetro-NF, em Macaé, o 14º Congresso dos Petroleiros e das Petroleiras do Norte Fluminense (Congrenf). Nesta manhã, delegados e delegadas já podem iniciar o credenciamento, para as atividades que começam na parte da tarde, às 14h, com a eleição da mesa diretora e a votação do Regimento Interno do congresso.

À noite, haverá  mesa de abertura, transmitida ao vivo pela TV NF e pela Rádio NF, nos sites e redes sociais da entidade, com representantes do Sindipetro-NF e de entidades nacionais, como CUT, FUP, CTB, MST,UNE, PC do B, PT e PSOL. Em seguida, haverá a mesa "Conjuntura: O impactos do Golpe no Brasil".

Nos dias seguintes, serão realizadas discussões estratégicas da categoria, com caráter de Seminário de Greve. Esta parte da programação não terá transmissão ao vivo.

Confira a íntegra da programação:

 

Programação 14º Congrenf

 

 04/06/2018

Das 10h às 18h - Credenciamento dos Delegados

14h ás 17h- Eleição da Mesa Diretora do XIV CONGRENF e votação do Regimento Interno

18h às 19h30 - Abertura do XIV CONGRENF

- Representantes de Sindipetro-NF, FUP, CUT, CTB, MST e UNE.

19h às 21h – Mesa 1 - Conjuntura: O impactos do Golpe no Brasil

21h - Coquetel

 

 05/06/2018

08h às 10h – Credenciamento dos Delegados

10h  ás 12h – Credenciamento dos Suplentes

08h às 12h – Mesa 2 - Democracia & Comunicação

12h-13h30 – Intervalo para o almoço

13h30 às 17h – Mesa 3 -  A Precarização do Trabalho

18h às 20h - Exibição do filme , Eu, Daniel Blake

 

06/06/2018

09h às 12h- Mesa 4:  Setor Petróleo

12h às 13h30 – Almoço

13h30 às 19h – Mesa 5 : Histórias das greves , Modelo de Greve e  Avaliação das formas de greve dos petroleiros

19h às 20h – Consolidação das Propostas e Votação Chapa Plenafup 2018

20h30 – Encerramento

 

 

O Sindipetro-NF recebeu denúncias da categoria petroleira de que há gerentes em plataformas da Bacia de Campos pressionando os trabalhadores para saber quais deles fizeram a Greve de Advertência, na semana passada.

A entidade alerta que esta prática é caracterizada como assédio moral e atitude antissindical, passível de denúncia aos órgãos fiscalizadores e ação judicial.

Durante o período de greve, o contrato de trabalho fica suspenso e todas as informações e negociações sobre o movimento devem ser feitas diretamente entre o sindicato e a empresa, nunca entre gerentes e trabalhadores.

Em um dos casos relatados ao NF, o gerente que fez o assédio verbalmente junto aos trabalhadores se negou a fazê-lo institucionalmente, por e-mail, em uma demonstração de que tem ciência de que está fazendo algo errado.

O sindicato mantém canal aberto para denúncias dos trabalhadores e das trabalhadoras, em O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. , sobre este e outros temas do cotidiano da categoria.

Ivan Monteiro: mais do mesmo

Junho 04, 2018 09:20

Da Imprensa da FUP - Empresário, banqueiro, executivo, bem relacionado com o mercado financeiro e internacional. Essas são as condições exigidas pelo atual Conselho de Administração da Petrobrás e MiShell Temer para o currículo de presidente golpista da empresa. Ivan Monteiro, o nomeado, cumpre o requisito entreguista.

Braço direito do Deus Mercado, Monteiro foi vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil entre 2009 e 2015. Antes de se tornar presidente interino da Petrobrás, ocupava a diretoria financeira e era o responsável pelo programa de privatização da empresa, que tem como meta vender R$ 21 bilhões em ativos até o fim deste ano.

A luta dos petroleiros iluminou para a população brasileira que a crise instalada no país está diretamente ligada com a atual política de preços e a privatização do Sistema Petrobrás. A greve dos petroleiros e dos trabalhadores caminhoneiros e a pressão da população, fizeram com que Pedro Parente pedisse demissão.

Contudo, Monteiro, ao aceitar a nomeação, exigiu a não interferência do governo no seu plano de política de preço atrelada ao preço internacional do petróleo. Mantendo o projeto de privatização da Petrobrás e ignorou as reivindicações do povo que é o acionista majoritário da empresa. Em seu primeiro dia de reinado, aumentou em 2,25% o preço da gasolina nas refinarias. Em um mês o combustível teve 11% de aumento, enquanto a inflação cresce 0,6%. Em dois anos de governo Temer, o gás de cozinha teve a maior alta em 15 anos. Se a política de preços da Petrobrás continuar, um botijão de gás poderá chegar aos R$100,00. Valor fora da realidade da população. Os aumentos consecutivos levaram 1,2 milhão de brasileiros a voltar a cozinhar com lenha e carvão em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mudar a política de preços para uma que condiz com o real valor do petróleo, que é produzido e refinado no Brasil, além de mudar o atual governo que gere o país em benefício dos empresários e não do povo é urgente.
Se com duas categorias em greve o presidente da Petrobrás pediu arrego, o que aconteceria com uma greve geral de todos os setores? Vamos tirar o Temer do poder. E apesar de Ivan Monteiro ser mais do mesmo, o povo brasileiro está unido e seremos muito mais dos mesmos em defesa da Petrobrás e do Brasil.

 

 

MST - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vem a público saudar mais uma vitória conquistada pela greve dos petroleiros e pelo conjunto da classe trabalhadora que resultaram primeiro na demissão de José Alberto Lima, conselheiro ligado à Shell, e agora na saída de Pedro Parente da Presidência da Petrobrás.

Pedro Parente, indicado pelo PSDB desde 2016, operava um processo de desmonte na estatal visando sua privatização. Essa política, resultou na desvalorização da Petrobras no mercado internacional, além de praticar uma política de preços que permite reajustes diários nos valores do diesel, da gasolina e do gás de cozinha ao sabor do mercado, completamente danoso para o povo brasileiro.

Apesar da vitória, a luta deve continuar. Não basta só mudar o nome de quem preside a Petrobras, é preciso uma mudança substancial na política de gestão da estatal que deve estar submetida a um projeto de desenvolvimento nacional que tenha como prioridade o bem estar do povo brasileiro e não o mercado.

O país vive um extremo ataque ao Estado Democrático de Direito, acrescido da criminalização dos movimentos populares e sindicais. Em meio a esse cenário também nos solidarizamos com a Federação Única dos Petroleiros (FUP) que foi alvo de uma ação política e seletiva do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Ao considerar a greve ilegal determinando a aplicação de multa diária e o uso do aparato da Polícia Federal para criminalizar o movimento sindical, o TST busca demonstrar que houve menosprezo dessas entidades em relação ao cumprimento da ordem judicial, o que sabemos não se aplica, pois historicamente, a FUP tem se posicionado contra o entreguismo da Petrobras.

É preciso continuar a pressão contra o golpe e seus tentáculos de sustentação que querem entregar a Petrobras às grandes petroleiras transnacionais. Devemos fazer uma batalha diária contra a mídia golpista como a Rede Globo que esconde da população quem são os verdadeiros responsáveis pelo aumento da diesel, da gasolina e do gás de cozinha.

A greve continua sendo um dos principais instrumentos de luta da classe trabalhadora e é a que tem capacidade de interferir na pauta política do país. O apoio da população e a participação nessa luta das demais categorias da classe trabalhadora é fundamental para impedir a privatização da Petrobras e das riquezas de nosso pais.

Fora Temer!
Lula Livre!
A Petrobras é do Brasil!
Viva o Povo Brasileiro!

Da Rede Brasil Atual - “O pedido de demissão de Pedro Parente é um duro golpe no golpe. Ele foi indicado pelo PSDB, que tem uma relação umbilical com o setor que quer entregar o patrimônio público da Petrobras. Foi o PSDB que criou toda aquela onda de privatizações.” A opinião é do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, sobre a queda do agora ex-presidente da Petrobras.

Embora concorde com a avaliação de que “nada vai mudar” se continuar a política implementada por Parente na estatal, como os preços dos derivados de petróleo ancorados no mercado internacional, o dirigente considera a demissão significativa. “Não tem muita gente que tenha as bênçãos do mercado financeiro para levar adiante todo esse entreguismo que estava sendo tocado na Petrobras”, disse à RBA.

Parente afirmou em sua carta de demissão que “os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços”. Segundo ele, “a Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada”.

Para Rangel, “a greve dos verdadeiros caminhoneiros foi um convite para ele sair, porque desnudou a política de preços dos derivados”. O coordenador da FUP destaca que mesmo prejudicada em seu trabalho, e apesar do massacre midiático, 87% da população brasileira apoiou a greve. “Eles conseguiram levantar o tema, e nós da FUP conseguimos qualificar esse debate e demonstrar com números e com exemplos o quanto essa política foi nociva para o povo brasileiro. O Pedro Parente sentiu o baque e pediu pra sair.”

Porém, o dirigente alerta: “Temos que continuar na ofensiva, não podemos descansar. Agora só falta o ilegítimo (o presidente Michel Temer) cair, e vamos continuar trabalhando pra isso”.

Em vídeos postados no Facebook, as deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB) comentaram a queda de Parente. “A demissão foi uma vitória do povo brasileiro, mas isso não quer dizer que vai mudar a política de preços da Petrobras. Essa é a pressão que deve se seguir”, enfatizou Jandira.

Ela anunciou uma ação popular a ser ajuizada na semana que vem contra a política de preços dos derivados de petróleo. “O presidente Temer está na lona. Sem autoridade, sem competência. Para acabar com a greve, ele prometeu uma isenção de tributos que vai recair sobre as costas do povo brasileiro.”

Para Maria do Rosário, “Pedro Parente é uma figura conhecida do governo Fernando Henrique Cardoso como responsável pelo apagão das elétricas. Agora vai para história mais uma vez, como num daqueles filmes de terror antigo, e volta para nos colocar no apagão de combustíveis”, afirmou a petista.

Jandira lembrou que, em sua carta de renúncia, Parente afirmou ter cumprido sua missão. “Me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue”, escreveu Parente na carta. “De fato, ele entregou o Petróleo ao capital internacional. Esse cidadão fez da Petrobras uma agência a serviço das empresas americanas e estrangeiras, que vendiam ao preço do dólar os produtos extraídos no Brasil.”

Para Jandira, a demissão não significa que o governo mudará a sua política. “É a fragilização dessa política, mas ainda não é a mudança.”

Parente disse ainda que a greve dos caminhoneiros e suas consequências “desencadearam um intenso e por vezes emocional debate” e defendeu sua política de preços dos combustíveis. “Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país”, declarou o tucano.

Maria do Rosário também ressaltou que o fim de Parente no comando da estatal deve ser seguido de uma mudança na condução da Petrobras e do setor, ao invés de se cortar mais ainda das políticas sociais, como resolveu o governo Temer. Ela propõe a redução da margem de lucro sobre diesel, gasolina e gás, ao invés de se reduzirem os gastos sociais. Segundo consultoria da Câmara dos Deputados citada pela parlamentar, a margem de lucro é de cerca de 150%.

“Quem paga a conta é o povo brasileiro. Pedro Parente pediu demissão depois de aumentar a gasolina mais uma vez. A gasolina não baixou de preço, o preço do gás de cozinha continua absurdo e além disso a população segue pagando o desmonte da educação, saúde e direitos fundamentais”, disse a petista.

Para Jandira, a crise dos combustíveis e a queda de Parente podem ter servido a um fim didático. "Acho que agora caiu a ficha do povo brasileiro. Não é possível que as pessoas não entendam o que foi e para quê esse golpe."

 

Dri Delorenzo / Forum - Para o economista Rodrigo Leão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), a greve dos caminhoneiros que culminou com a demissão de Pedro Parente, nesta sexta-feira (1), é resultado dos efeitos deletérios da política que vem sendo implantada na Petrobras.

A falta de investimentos nas refinarias revela os impactos negativos dessa política. Segundo Leão, a Petrobras hoje subutiliza a sua capacidade de refinar. “A Petrobras poderia refinar 2,4 milhões de barris/dia. O Brasil consome isso hoje. Só que refina 1,6 milhão. Por que a Petrobras faz o sucateamento do refino e opta pelas importações? Essa é a questão central”, questiona.

De acordo com Leão, o preço do combustível no posto é composto por uma série de elementos, o único que teve um aumento alto foi o da refinaria. “O Ministério de Minas e Energia usa a seguinte distribuição: preço da refinaria – ou preço do produtor, que é um pedaço da refinaria mais um pedaço da importação –; os tributos, o custo de transporte, e as margens (da distribuição e da revenda)”, explica. “Outro preço que estamos apontando é o preço da refinaria: quanto sai o preço da refinaria para o posto. Esse é o preço que está aumentando e que é o grande causador desse aumento do preço no posto. Se a gente comparar outubro de 2017 para abril de 2018, o preço médio do diesel saltou de R$ 3,21 para R$ 3,48”, aponta.

Ainda conforme Leão, os outros componentes (margem da distribuição, margem da revenda, custo de transporte e os impostos) não variaram nesse período. “Tudo isso é alteração que tem a ver com o preço da refinaria e o preço da importação.”

Como o preço do barril internacional disparou chegando a US$ 80, valor mais alto desde 2014, o preço do refino também subiu muito. “A empresa que importa obrigatoriamente segue o preço internacional. A questão é por que a Petrobras segue? Este é ponto central do debate. O custo da Petrobras refinar hoje no Brasil é 0,92 centavos o litro. Esse mesmo preço importando é 1,47. Uma diferença de 0,55 centavos. No entanto, nós temos petróleo e temos refinaria.”

Mudança na política da Petrobras

Essa lógica de privilegiar a entrada dos importados mostra o desmonte que está sendo feito na empresa, segundo José Maria Rangel coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Para ele, desde o golpe que tirou Dilma Rousseff da presidência do Brasil, a empresa vem ganhando um papel secundário. “A Petrobras já está sendo privatizada, com um discurso que ganhou eco na sociedade, de combate à corrupção.”

Rangel lembra que nos governos Lula e Dilma foi reativada a indústria naval, desenvolvida a capacidade de pesquisa e houve a descoberta do pré-sal, que abriu muitas oportunidades. Hoje, ele lamenta o desmonte da empresa e a sua opção de reduzir o refino. “As refinarias têm investimentos pífios.” Ele defende que para a empresa ser um motor de desenvolvimento nacional é preciso mudar a orientação política da empresa.

Leão concorda que é necessária uma mudança política, e elenca outros pontos fundamentais para a Petrobras voltar a ser uma empresa para os brasileiros. Entre as medidas estão retomar o investimento no refino, para ter uma capacidade de refinar tudo que o Brasil precisa, e retomar investimentos em fertilizantes. “Dessa forma a Petrobras estava garantindo o uso do gás natural. A gente queimava muito gás porque não tinha forma de uso. Hoje a gente importa 80% de fertilizantes”, comenta. Leão ainda chama a atenção para a importância de se repensar a política de conteúdo local. “A empresa é capaz de desenvolver setores de bens de capital e produção, como máquinas, equipamentos e a indústria naval”, conclui.

O INEEP é um instituto criado e mantido pelos petroleiros com o objetivo de fazer a discussão sobre o petróleo pelo viés nacionalista e soberano. Nasceu uma das greve mais fortes da categoria, em 2015, e homenageia Zé Eduardo Dutra – ex-senador e ex-presidente da Petrobras. “Foi escolhido para demonstrar como ações de cunho nacionalistas e que consideram a Petrobrás uma empresa do país, e não do mercado, culminam em resultados importantes para o país, como a reconstrução da indústria naval (que os golpistas querem destruir de novo); a descoberta do Pré-Sal e o crescimento da participação da Petrobras no PIB nacional, que saiu de 2 para 13% em 2013”, diz a FUP.

Leão e Rangel, ao lado do coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, concederam entrevista a blogueiros na última quarta-feira (30), onde tiraram dúvidas sobre o preço dos combustíveis. Assista aqui.



Começa nesta segunda-feira, 04, o Congrenf  (Congresso dos Petroleiros e Petroleiras do Norte Fluminense) e o Seminário de Qualificação de Greve. O evento será realizado na base de Macaé do Sindipetro-NF até quarta-feira, 06.

A construção da greve por tempo indeterminado, no Seminário de Greve, e as decisões estratégicas da categoria, no Congresso, se tornam essenciais na luta rumo a um outro momento para o País. E por isso, o sindicato espera a participação da categoria de forma  massiva.

A programação completa do congresso será divulgada em breve.

Petroleiros comentam nesta sexta-feira, 01, sobre a vitória, de todo o Brasil, com a queda do Pedro Parente da presidência da Petrobrás, em um Face to Face, na página do facebook do Sindipetro-NF.

Pedro Parente SAI, Petrobrás FICA! 

Confira: https://www.facebook.com/sindipetronf/videos/1718702944850191/

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