O Sindipetro-BA divulgou em seu site que recebeu informação de fontes seguras que a primeira refinaria do Sistema Petrobrás, inaugurada em 1950, e segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi vendida para uma multinacional petrolífera.

Ainda de acordo com o divulgado pelo  Sindipetro-BA a gestão entreguista da Petrobrás vendeu 70% da RLAM, restando à Companhia os 30% que a coloca na posição de acionista minoritária. Fez parte do pacote o quadro de empregados e todo o sistema logístico da RLAM que inclui Terminal Madre de Deus, tubovias, etc.

"A gestão da refinaria, localizada na Bahia, passa a ser feita pela nova empresa, que já começou a realizar levantamento dos empregados lotados na unidade, o seu perfil, benefícios que recebem, afastamentos, contratos existentes e quantidade de terceirizados" - descreve a matéria.

O perigo da venda de ativos por parte do governo entreguista de Mishell Temer, capitaneado pelo Sr. Pedro Parente, ficou totalmente a mostra com essa primeira negociação de vender a Petrobras aos pedaços.

Essa semana já havia sido divulgada a denuncia do coordenador do Sindipetro-BA e ex- Conselheiro de Administração da empresa, Deyvid Bacelar da realização de um leilão na surdina dia 10 de maio de seis sondas da empresa da Bacia de Campos - P-10, P-16, P-17, P-23, P-59 e P-60.  As duas últimas que são sondas mais novas (primeiras autoelevatórias construídas no Brasil, após décadas de paralisia da indústria naval brasileira) custaram US$ 360 milhões cada uma e foram vendidas por US$ 30 milhões.

O diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes, alerta à categoria dos riscos que todos estamos correndo com a venda de ativos. "A categoria que está acomodada e acha que nada vai nos atingir precisa entender que essa gestão nefasta pode vender inclusive plataformas em produção e terminais como a UTG-CAB. Temos áreas ainda que são consideradas pelo mercado internacional como altamente rentáveis. Não podemos aceitar de braços cruzados" - afirma Nunes.

Clique aqui e leia a matéria na íntegra sobre a RLAM

Imprensa da FUP - Os resultados apresentados pela Petrobrás neste primeiro trimestre de 2017 comprovam que o caminho para a recuperação da empresa não é vender ativos a preços ínfimos, nem cortar investimentos estratégicos, como vem fazendo a gestão de Pedro Parente. O lucro líquido de R$ 4,45 bilhões é fruto dos excelentes resultados operacionais da companhia, decorrentes dos investimentos que recebeu entre 2003 e 2014.

Além de aumentar em 10% a produção de petróleo e gás em relação ao primeiro trimestre de 2016, a Petrobrás também reduziu em 40% as importações, ao ampliar consideravelmente a carga de óleo nacional processada em suas refinarias. O petróleo produzido no Brasil já responde por 95% do óleo processado pela empresa.  O resultado é que o lucro operacional neste primeiro trimestre foi de R$ 14,27 bilhões, 71% acima do mesmo período de 2016.

Tudo isso só é possível porque a Petrobrás recebeu investimentos bilionários em pesquisas e em tecnologias, que a capacitaram para explorar e produzir o Pré-Sal a custos cada vez menores. Além disso, seu parque de refino foi modernizado e ampliado, após ter amargado mais de 30 anos sem investimentos significativos.

A redução dos impairments no primeiro trimestre de 2017 (R$ 42 milhões, enquanto no trimestre anterior foi de R$ 3,67 bilhões) é outro fator que foi preponderante para a Petrobrás voltar a apresentar lucro. Como a FUP vem denunciando, a política deliberada de depreciação do patrimônio da empresa para facilitar os desinvestimentos está diretamente relacionada aos bilionários prejuízos que registrou nos últimos três anos. Entre 2014 e 2016, a companhia sofreu perdas de R$ 112 bilhões com a realização de impairments que reduziram drasticamente os valores dos ativos, impactando seus resultados financeiros. Nenhuma outra petrolífera no mundo utilizou baixas contábeis de forma tão recorrente como fez a estatal brasileira, o que evidencia a política deliberada de redução e privatização da empresa.

A recuperação dos preços do barril de petróleo, que subiu de US$ 34 no primeiro trimestre de 2016 para US$ 54 no mesmo período deste ano, também influenciou positivamente os resultados da Petrobrás, reforçando a importância de se pensar e planejar os negócios da empresa a médio e a longo prazos e não de forma imediatista, como vem fazendo Pedro Parente para satisfazer os anseios do mercado.

Só neste primeiro trimestre do ano, sua gestão já encolheu em 34% os investimentos da companhia em relação ao mesmo período de 2016. Nos cortes feitos, chama a atenção a redução de 17% do número de trabalhadores próprios. Quem arca com os custos são a sociedade brasileira - que perde empregos, desenvolvimento e soberania - e os petroleiros, que sofrem as consequências diretas do desmonte da Petrobrás, expostos a riscos, em condições de trabalho cada vez mais precárias. 

A estatal brasileira, apesar de todos os ataques que vem sofrendo ao longo destes últimos anos, vem comprovando com seus resultados operacionais que não é desinvestindo que voltará a ocupar o lugar de destaque que sempre teve na economia do país e do continente. O lucro destes últimos três meses é a prova disso. 

 

 

 

ONU considerou um retrocesso a extinção das Secretarias Especiais das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos

Rede Brasil Atual - Em um momento em que o governo brasileiro ainda padece de falta de respaldo internacional, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas questionará o país sobre retrocessos em andamento. Nesta sexta-feira (5), o grupo de trabalho da Revisão Periódica Universal (RPU) da ONU apresentará relatório sobre o Brasil para a comunidade internacional, denunciando temas como inação no desastre ambiental de Mariana (MG) e falhas nas políticas de combate à discriminação e ao trabalho escravo, além da ineficiência nas ações para garantia de direitos de pessoas presas.

O elevado número de pessoas encarceradas sem julgamento tem levado o Brasil a sucessivas condenações por parte da Nações Unidas.

Na publicação, a ONU diz estar “preocupada” com o fato de debates sobre questões de gênero terem sido excluídos de planos estaduais e municipais de educação em diversas regiões do país e criticou o fato de políticas para criminalização de homofobia terem evoluído pouco no Congresso Nacional. “Ele (o comitê da ONU) recomendou que o Brasil decrete legislação para proibir discriminação e incitamento de violência com base na orientação sexual e na identidade de gênero”, diz o relatório.

“A proposta do Estatuto da Família, que exclui lésbicas, gays, transgêneros e transexuais do conceito de família, e a proposta de criação de um dia nacional do orgulho heterossexual ganharam apoio no Congresso, enquanto propostas como garantia de identidade de gênero e criminalização da homofobia não tiveram qualquer progresso”, afirma o texto.

A revisão periódica é um processo único que envolve um exame da situação dos direitos humanos de todos os 193 Estados-membros das Nações Unidas a cada quatro anos e meio. Os governos apresentarão relatórios mostrando as medidas que tomaram para promover recomendações feitas nas revisões anteriores e quais políticas adotaram para avançar na proteção aos direitos humanos. A delegação brasileira será chefiada pela ministra dos Direitos Humanos, Luslinda Dias de Valois Santos.

Além do Brasil, outros 13 países terão a situação dos direitos humanos examinada em Genebra. As avaliações a que o Brasil já foi submetido ocorreram em abril de 2008 e maio de 2012. O país receberá novas sugestões dos países membros sobre áreas que devem ter prioridade. Até setembro o governo brasileiro irá analisar as sugestões e decidir se vai acatá-las ou não.

O relatório da ONU considerou um retrocesso a extinção das Secretarias Especiais das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que foram fundidas em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff no Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Quando Michel Temer assumiu, ainda como presidente interino, extinguiu a pasta e transferiu as responsabilidades para o Ministério da Justiça que, na ocasião, passou a ser Ministério da Justiça e Cidadania. Em dezembro, após uma série de críticas, recriou a pasta dos Direitos Humanos.

“Em novembro de 2016 cinco titulares de mandato espacial (da ONU) solicitaram ações imediatas para enfrentar o impacto do catastrófico rompimento da barragem de rejeitos do Rio Doce em Mariana em novembro de 2015”, relembra o relatório, afirmando que as Nações Unidas, que na época considerou urgente assegurar acesso à água potável no município. “Em julho de 2016, um grupo de especialistas em direitos humanos nas Nações Unidas condenou a decisão da Suprema Corte de suspender o plano de reparação ambiental firmado entre o governo e a Samarco Mining S.A.”

Para os relatores da ONU, a aprovação da lei antiterrorismo em 2016 aumentou a preocupação sobre atividades regulares promovidas por movimentos sociais e por organizações da sociedade civil, que não têm relação com terrorismo, e podem ser enquadradas na lei. Os especialistas se disseram preocupados também com o tratamento dado aos presos, com a violência contra povos indígenas e com práticas racistas das polícias.

Relatório do Brasil

relatório que será apresentado pelo governo brasileiro foi revisto após ser alvo de fortes críticas de organizações de direitos humanos e de órgão como a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados por estar “distante da realidade”. As críticas ao conteúdo e ao tom foram tamanhas que o governo chegou a ampliar o prazo para a apresentação de sugestões pela sociedade civil.

Apesar de reconhecer avanços na linguagem e na metodologia na segunda versão, que será apresentada em Genebra, as instituições mantiveram críticas em relação ao conteúdo do relatório.

O rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, o mais grave acidente ambiental da história do país, nem sequer aparecia na primeira versão do documento. Na nova versão, segundo a coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas, Camila Asano, em lugar de corrigir adequadamente o vazio, faz apenas uma breve menção burocrática – num claro reflexo da maneira com que o governo vem tratando a questão ao longo do Rio Doce. "O assunto mereceu menos de 15 palavras."

O desastre aparece no parágrafo 145, na última página do documento, em seção dedicada ao meio ambiente: “O Brasil ratificou o Acordo de Paris em 2016 e está comprometido a reduzir as emissões de carbono em 37% até 2025 e em 43% até 2030. Isso demonstra o firme compromisso do Estado brasileiro com a questão ambiental. No plano nacional, persiste o desafio de efetivação de políticas públicas e normativas ambientais. Um exemplo é o ocorrido na cidade de Mariana, Minas Gerais, em 2015”, diz o relatório do governo brasileiro.

Outros temas apontados durante audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a primeira versão do relatório permaneceram fora do documento final, como a repressão policial em protestos e a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congela o investimento público em áreas como saúde e educação pelos próximos 20 anos.

Após a reunião oficial da manhã, organizações da sociedade civil e do Legislativo realizarão uma audiência extraoficial para discutir a participação do Brasil e os novos desafios para garantia de direitos humanos.

Fonte: Rede Brasil Atual

Em abril de 2017, o custo médio da cesta básica em Macaé registrou um aumento de 1,91% em relação a março, ao atingir R$ 396,17. Macaé seguiu a trajetória nacional, em que houve aumento do custo da cesta básica em todas as capitais. Esse foi o segundo aumento da cesta de Macaé depois de uma queda por seis meses consecutivos. Em relação ao mesmo período de 2016, a cesta básica apresentou um aumento de 6,41%.

TABELA 1

Gasto, variações mensal e anual e tempo de trabalho necessário

Macaé-RJ – Abril de 2017

Produtos

Quantidades

Gasto

Variação  (%)

Tempo de trabalho

Abril 2017

Março 2017

mensal

em 12 meses

Abril 2017

Março 2017

Carne

6 kg

113,40

116,04

-2,28

-1,51

26h38m

27h15m

Leite

7,5 l

28,13

27,38

2,74

10,31

6h36m

6h26m

Feijão

4,5 kg

25,07

26,51

-5,43

18,53

5h53m

6h13m

Arroz

3 kg

10,62

10,83

-1,94

9,26

2h29m

2h32m

Farinha

1,5 kg

4,64

4,71

-1,49

3,11

1h05m

1h07m

Batata

6 kg

16,74

15,18

10,28

-27,53

3h56m

3h34m

Tomate

9 kg

43,74

35,01

24,94

20,00

10h16m

8h13m

Pão

6 kg

55,86

56,58

-1,27

1,64

13h07m

13h17m

Café

600 g

14,12

13,89

1,66

31,72

3h19m

3h16m

Banana

7,5 dz

37,88

38,25

-0,97

4,79

8h53m

8h59m

Açúcar

3 kg

10,80

11,19

-3,49

8,43

2h32m

2h38m

Óleo

900 ml

4,37

4,65

-6,02

5,56

1h02m

1h05m

Manteiga

750 g

30,80

28,52

7,99

47,93

7h14m

6h42m

Total

 

396,17

388,74

1,91

6,41

93h01m

91h16m

Pesquisa Nacional da Cesta Básica

Fonte: DIEESE

 

Na comparação mensal, entre março e abril de 2017, cinco produtos pesquisados registraram variações positivas do preço médio, sendo três deles superiores a 7%. Desse modo, a elevação do custo da cesta básica de Macaé se deveu, em grande parte, aos aumentos dos preços da batata (10,24%), do tomate (24,94%) e da manteiga (7,99%). Interessante ressaltar que o aumento do preço da batata destoa da variação dos últimos doze meses, tendo a batata sofrido uma redução de -27,53% em relação a abril de 2016. Essa alta atual no preço da batata e do tomate pode ser explicada pelas chuvas, que interromperam as colheitas, e o baixo preço na safra anterior, que fez com que o produtor diminuísse o plantio, fatores que diminuem a oferta e impactam no preço.

Oito itens apresentaram oscilação negativa do seu custo, entretanto, apenas o óleo de soja e o feijão apresentaram queda superior a 4%, de -6,02% e -5,43%, respectivamente. Contudo, em relação a abril de 2016, os preços médios do óleo de soja e do feijão apresentaram um valor superior em abril de 2017  5,56% e 18,53%, respectivamente,

O custo da cesta básica de Macaé representou 88,3% do valor apurado no município do Rio de Janeiro (R$ 448,51) no mês de abril. Durante este mês, o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em todas as capitais brasileiras. As maiores altas foram registradas em Porto Alegre (6,17%), Cuiabá (5,51%), Palmas (5,16%), Salvador (4,85%) e Boa Vista (4,71%). As menores elevações foram observadas em Goiânia (0,13%) e São Luís (0,35%).

O trabalhador que reside em Macaé com rendimento equivalente a um salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 93 horas e 01 minuto para adquirir os itens alimentícios que compõem uma cesta básica individual. O valor gasto com essa cesta representou, em abril, 52% do salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos da Previdência Social.

A partir da cesta básica mais cara, que neste mês foi verificada na cidade de Porto Alegre (R$ 464,19), o DIEESE calcula o Salário Mínimo Necessário, ou seja, a quantia necessária para suprir as despesas de uma família composta de quatro membros (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme estabelece a Constituição Federal. O valor calculado para o mês de abril foi de R$ 3.899,66, ou 4,16 vezes o mínimo de R$ 937,00.

Luciana Waclawovsky / Da Imprensa da CUT - Teve início nesta quinta-feira (11) a primeira sessão de debates sobre Reforma Trabalhista no Senado. Denominada Sessão de Debates Temática, a discussão aconteceu no plenário da Casa e contou com a participação de juristas, professores e sindicalistas.

A proposta deste formato de sessão é acelerar ainda mais a tramitação da matéria, ao juntar duas comissões em apenas um evento. Ou seja, o que deveria acontecer em duas audiências públicas, uma para cada comissão, no caso de hoje, a CAE e a CAS, ocorre em apenas uma sessão. A primeira audiência pública aconteceu ontem (10) e também foi uma atividade conjunta entre CAS e CAE.

Para Lindbergh Farias (PT/RJ) é preciso que o Congresso Nacional seja chamado à responsabilidade. O senador vê ameaça de uma convulsão popular no país: “Espero que esse Senado tenha juízo, porque essa proposta do governo Temer é indecorosa. Há também uma falta de juízo total das elites desse país. Nós estamos aqui entrando no terreno da pura irresponsabilidade. Querem o quê? Colocar o país num momento de guerra de classes? Um governo que tem 4% de apoio popular aprovar um projeto como esse?”, indagou o parlamentar.

Já o senador Roberto Requião (PMDB/PR) disse que a proposta da Câmara dos Deputados não deve ser rejeitada, mas sim “exorcizada”, pois é “de uma crueldade extrema”. Requião questionou publicamente se são realmente intelectuais os convidados que foram defender a reforma ou se são “assessores da Fiesp ou estão a serviço de grandes capitais financeiros que estão comandando a política do Brasil”.

Na próxima terça-feira (16) a partir das 11h, acontece a segunda Sessão de Debates Temática, que deve contar com a participação do presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, que pretende defender o arquivamento da reforma que, caso aprovada, extinguirá, na prática, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Os caminhos do Projeto de Lei Complementar

Aprovada a toque de caixa pela Câmara no dia 26 de abril, a Reforma Trabalhista tramita no Senado como PLC 38/2017 e será avaliada nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE), Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) e Assuntos Sociais (CAS). Após passar pelas três instâncias vai a plenário em apenas um turno, com aprovação por maioria simples.

Se for aprovado, o texto é encaminhado para a sanção da Presidência da República e, se sofrer alteração, retorna à Câmara dos Deputados. Caso seja rejeitada, a matéria será arquivada.

 

Da Imprensa da FUP - "Este cidadão cometeu o crime de provar que esse país pode dar certo. Se alguém tem vergonha da Petrobras, Dr. Moro, eu tenho orgulho. De ter feito a Petrobras ser a empresa extraordinária que foi. Tenho orgulho de a Petrobras deixar de ter três bilhões de investimento por ano para chegar a 30 bilhões. Tenho orgulho da contratação de funcionários. Se dentro da Petrobras teve alguém que roubou, que pague. Mas eu tenho orgulho do que eu tentei fazer, sobretudo depois da descoberta do Pré-Sal", afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na parte final de seu depoimento no dia 10 de maio ao juíz Sérgio Moro.

"Eu estou sendo julgado pelo que eu fiz no governo. Eu estou sendo julgado pela construção de um Power Point mentiroso, que é ilação pura. Aquilo deve ter sido [feito por] algum cidadão, com todo respeito, que, desconhecendo a política, fez um Power Point porque já tinha uma tese anterior de que o PT era uma organização criminosa, que o Lula, por ser o presidente, era o chefe e que, portanto, o Lula montou o governo para roubar. Essa é a tese do contexto que está colocado. E é uma tese eminentemente política", frisou o ex-presidente, calando o juiz da Lava Jato.

Nas considerações finais de seu depoimento, Lula também denunciou a relação de Moro com a imprensa nos vazamentos seletivos que a mídia tem usado para lhe atacar: "Nos últimos depoimentos de pessoas que citaram meu nome, quais eram as manchetes no dia seguinte, qual era o tratamento que o Jornal Nacional dava à figura do Lula? Era a de criminalizá-lo. Ou seja, é preciso criminalizar independentemente de, daqui a dois anos, ele provar que é inocente. Então, Dr. Moro, é importante que o senhor saiba: de março de 2014 para cá, são 25 capas na Isto É, criando a imagem de monstro. Na revista Veja são 19 capas. Na Época, 11 capas. Dentro [das revistas] é demonizando o Lula. Meus acusadores nunca tiveram 10% do respeito que eu tenho por eles".

Apesar do juiz tentar impedir que Lula continuasse acusando a mídia, o ex-presidente prosseguiu: "A Folha de São Paulo, no mesmo período, teve 298 matérias contra o Lula e apenas 40 favoráveis. Todas com informações da Polícia ou do Ministério Público. Eles não assumem [jornais], culpam alguém. O jornal O Globo, 'o mais amigo', tem 530 matérias negativas contra o Lula e oito favoráveis. O Estadão, que é 'mais amigo ainda', tem 318 matérias contrárias e duas favoráveis. Aliás, nesses jornais, parece que tem gente com mais informações que os advogados de defesa. Tudo passa por eles: antes, durante e depois. Eu pacientemente venho assistindo".

Lula deu um destaque especial às manipulações da Rede Globo, em suas considerações finais ao juiz Sérgio Moro: "Só o Jornal Nacional foram 18 horas e 15 minutos nos últimos 12 meses. Sabe o que significam 18 horas falando mal de um cidadão? Doze partidas de futebol entre o Barcelona e Atlético de Madri".

[Foto: Ricardo Stukert]

Da Imprensa da FUP - Em texto publicado em seu blogue nesta quinta-feira, 11, o ex-representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Deyvid Bacelar, denuncia mais uma ação de Pedro Parente para desmantelamento da Petrobrás: a realização na surdina de um leilão internacional para venda de seis sondas da empresa. A informação que ele obteve é de que o leilão ocorreu ontem, dia 10 de maio, às 14 horas no Edifício Senado, no Rio de Janeiro.

"Muitos petroleiros e petroleiras foram pegos de surpresa e o sentimento despertado é de indignação", declarou Deyvid.

As sondas leiloadas foram:

P-10 vendida em leilão por US$ 900.000,00;
P-16 vendida em leilão por US$ 920.000,00;
P-17 vendida em leilão por US$ 1.000.000,00;
P-23 vendida em leilão por US$ 1.300.000,00;
P-59 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;
P-60 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;

As sondas P-59 e P-60 são as mais novas e também as mais valiosas. No entanto, receberam ofertas que não cobrem sequer 10% do que foi investido pela Petrobras na construção das unidades. Elas foram as primeiras sondas autoelevatórias construídas no Brasil, após décadas de paralisia da indústria naval brasileira e custaram US$ 360 milhões cada uma.

"A Petrobrás gasta milhões com flotéis e aluguéis de sondas terceirizadas. Por que não utilizar essas sondas que estão sendo vendidas a preço de banana? Está claro que o que interessa de fato a essa gestão é beneficiar os investidores estrangeiros", afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

Em nota divulgada no dia 17 de março, a FUP já alertava para os impactos deste desmonte. "Além de dilapidar o patrimônio da Petrobrás, a atual diretoria está comprometendo o expertise da empresa em uma atividade onde sempre foi referência. O setor de perfuração e sondagem está sendo totalmente desmobilizado, assim como outras áreas estratégicas da companhia. Um desmonte que vem sendo implementado ao longo dos últimos dois anos, com a hibernação das sondas que agora serão doadas ao mercado. Tudo isso com a anuência da diretora de Exploração e Produção, Solange Guedes, funcionária de carreira da Petrobrás, que chegou ao cargo no governo do PT, através de um projeto que salvou a empresa do limbo da privatização e do sucateamento herdado do PSDB", denunciou a Federação na época.

Acesse aqui a nota

 

 

Há muitas críticas ao Lula, inclusive na esquerda. É um político, um ser humano, alguém tão falível quanto qualquer um. E, como figura pública, deve mesmo todas as explicações e está sujeito a toda sorte de investigações. Mas, daí a ser escolhido como alvo prioritário de uma perseguição jurídica e midiática que demonstrou, sem qualquer pudor, negligenciar exigências mínimas de imparcialidade, há uma grande distância.

Para nós, de um sindicato, a questão vai além: há o Lula pessoa física, há o Lula ex-presidente, mas há também um Lula que, ao ser atingido, leva com ele o simbolismo de toda uma visão de mundo, toda uma luta social. Ele é um dos milhares de construtores dessa caminhada, mas inegavelmente uma das suas maiores expressões, e não apenas no Brasil.

A mobilização social em torno do ex-presidente não significa a legitimação de seus eventuais erros — não comprovados até agora, diga-se, a despeito de todos os esforços legais e ilegais —, mas a defesa dos inúmeros acertos que a luta dos trabalhadores e trabalhadoras já produziu neste país. O que queremos para Lula é um julgamento justo, como deveria ocorrer para com qualquer agente público, mas sem que isso signifique criminalizar todo um pensamento social. É preciso entender a questão como processo histórico, não como vínculos a personagens.

O ódio ao Lula é a expressão do ódio de classe no Brasil. Todo o aparato de repressão montado para o depoimento da última quarta, em Curitiba, não pode ser visto apenas como uma proteção física ao inquiridor Moro. Tratou-se de uma espécie de desfile militar e um aviso: se o povo se levantar, haverá derramamento de sangue, como houve em 1964.

O julgamento, portanto, não é apenas de Lula. É um julgamento de todos os que se insurgem contra as injustiças, contra a miséria, contra a concentração de renda, contra os privilégios históricos da elite. É uma luta que havia antes de Lula, com Lula, e terá que seguir pelas próximas gerações.

 

[Nascente 991]

Volta a ser prorrogado pela comissão eleitoral da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) o encerramento do período de inscrições de candidaturas para as Cipas offshore da Bacia de Campos. O prazo, que terminaria hoje, passou para o próximo dia 18. Em 27 de abril, o Sindipetro-NF havia noticiado uma primeira prorrogação. A razão continua a mesma: falta de quorum.

Para a entidade, como havia afirmado o coordenador do Departamento de Saúde, Sérgio Borges, a dificuldade em atingir o quórum para as comissões tem relação direta com a volta de velhas práticas da alta administração da companhia, que desestimulam a participação dos empregados.

"São perseguições, punições, transferências arbitrárias e assédios a cipistas atuantes. Isso tem se tornado frequente em todas as instalações da Petrobrás", disse Borges à época do primeiro adiamento.

Para ele, o “Sistema de Consequências”, onde a gestão minuciosamente procura erros em processos, "é utilizado para punir trabalhadores de chão de fábrica, e não para adquirir conhecimento que melhore as condições de segurança das unidades".

O PIDV (Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário), aliado à redução de efetivo, foi outro ponto lembrado pelo sindicalista. Para a entidade, o enxugamento de quadro também afeta diretamente as Cipas, pois, além de diminuir a quantidade de pessoas a bordo, se desfaz de empregados extremamente experientes em atuar na segurança das instalações.

A direção do Sindipetro-NF mantém a sua indicação para que os trabalhadores participem do processo eleitoral, candidatando-se ou votando em candidatos que representem de fato os trabalhadores.

 

O Ex-representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, e coordenador do Sindipetro-BA, Deyvid Bacelar, denunciou hoje, em seu blog, a venda de diversas sondas da Petrobrás em um processo danoso à companhia e ao país. Confira o texto do petroleiro:

"O DESMANTELAMENTO DA PETROBRÁS CONTINUA

EM 11 DE MAIO DE 2017 

Ontem (10.05) aconteceu mais um episódio do desmonte da Petrobrás, o Leilão Internacional para alienação das sondas PETROBRAS III (P-III), PETROBRAS X (P-X), PETROBRAS P-XVI (P-XVI), PETROBRAS X-VII (P-XVII), PETROBRAS P-XXIII (P-XXIII), PETROBRAS P-59 (P-59) e PETROBRAS P-60 (P-60), em uma Audiência Pública realizada as 14 horas no Edifício Senado, no Rio de Janeiro.

Muitos petroleiros e petroleiras foram pegos de surpresa e o sentimento despertado é de indignação, como o aposentado Jessé que trabalhou em algumas dessas sondas “É uma vergonha nacional, as plataformas P10, P 16, P17 e P23 serem vendidas no leilão. Que notícia triste”.

As plataformas atracadas na Bahia que foram vendidas são:
P-10 vendida em leilão por US$ 900.000,00;
P-16 vendida em leilão por US$ 920.000,00;
P-17 vendida em leilão por US$ 1.000.000,00;
P-23 vendida em leilão por US$ 1.300.000,00;
P-59 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;
P-60 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;

As sondas P-59 e P-60 foram construídas no canteiro de São Roque do Paraguaçu, na Bahia. O investimento da Petrobrás foi de cerca de US$ 700 milhões. Elas foram as primeiras unidades deste tipo construídas no Brasil em 30 anos, representando um passo para retomada da indústria naval brasileira.

Segundo matéria do jornalista Nicola Pamplona, publicada no Jornal Folha de São Paulo, no dia 17 de março de 2017, “Cada unidade custou a estatal US$360 milhões. Ao contrário dos modernos navios-sonda, que flutuam e podem ser levados a águas ultraprofundas, P59 e P60 são unidade autoelevatórias: são apoiadas no fundo do mar por três torres de 145 metros.”

“Não é possível que essa “mutilação” esteja acontecendo com a nossa Petrobrás. A Bahia perde muito com esse desmonte, na verdade o Brasil inteiro é prejudicado, pois vender duas sondas tão novas e por um preço mínimo que não chega a ser 10% do investimento feito pela Petrobrás é um verdadeiro absurdo. O Sindipetro Bahia está tentando barrar a venda desse patrimônio público com ações judiciais que já estão sendo impetradas pelos assessores jurídicos do sindicato. A categoria petroleira junto com o sindicato, a FUP e outras categorias que entendem a importância da Petrobrás está sendo provocada a realizar mais uma greve histórica contra o desmonte e a privatização do Sistema Petrobrás, tendo em vista que essas sondas são apenas alguns dos inúmeros ativos que estão sendo entregues a iniciativa privada.” declara Deyvid Bacelar."

 

Renata Mielli / Da Mídia Ninja - Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20h – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashes mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.

A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

Mas eis que às 19h54 a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o tríplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de oito minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição desse primeiro trecho era visível a consternação dos seis jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo.”

Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da IstoÉ, 19 da Veja e 11 da revista Época, todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de S.Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e oito favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e duas favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e 15 minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos privilegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia 10 de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir às cinco horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta em defesa do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.

 

Da Imprensa da FUP - Confirmando o que havia dito semanas atrás, a Petrobrás emitiu um comunicado ao mercado falando sobre uma nova lista de desinvestimentos da companhia. Mas, vejam só: a lista não foi divulgada! Segundo a nova metodologia, a Petrobrás submeterá à Diretoria Executiva individualmente cada projeto de investimento e, se aprovado, serão divulgados ao mercado maiores informações dos projetos, como: atores envolvidos, modelo de negócio entre outros. No entanto, na mesma nota, a empresa informa que já está aprovada uma “carteira de intenções” de desinvestimentos: “Petrobras (...) informa que sua Diretoria Executiva aprovou a recomposição da sua carteira de projetos de parcerias e desinvestimentos. (...) a carteira aprovada é uma carteira de intenções, a partir da qual o início de divulgação de cada projeto se dará individualmente e oportunamente”.

Em outras palavras, ao invés de ampliar a transparência do processo de desinvestimento, como solicitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a gestão Pedro Parente se utiliza de um instrumento para não divulgar amplamente para a sociedade quais os ativos da “carteira de intenções” que estão dispostos a ser vendidos. Agora, os trabalhadores e a sociedade em geral somente terão acesso aos projetos a serem vendidos quando aprovado pela Diretoria e estiverem prontos para serem vendidos ao mercado. Embora já se saiba de antemão quais ativos devem compor a carteira de desinvestimentos, a Petrobrás se nega a informa-los.

No comunicado, a empresa apenas menciona que pretende se desfazer de Pasadena e dos ativos comprados na África. É mais uma prova da visão míope e de curto prazo dos gestores, que seguem jogando no lixo as oportunidades de ganho da companhia no longo prazo.

Em primeiro lugar, a refinaria de Pasadena continua apresentando grandes oportunidades de ganho para a Petrobrás – em 2014, por exemplo, o lucro foi superior a US$ 100 milhões. Recentemente, a produção de óleo não convencional no campo de Eagle Ford – que fica no Texas e próximo à refinaria – permitiu ampliar, a um custo relativamente baixo, sua capacidade produtiva. Segundo dados da Petrobrás e da Agência de Energia Americana, em 2016, o custo de produção dos derivados estava em torno US$ 43,5 o barril – considerando o custo do refino mais o do óleo cru – enquanto que o preço de venda no varejo era de US$ 48,2 o barril. Ou seja, para cada barril, a margem bruta da refinaria era de aproximadamente cinco dólares. Levando-se em conta que Pasadena tem uma capacidade de refinar cerca de 100 mil barris/dia, a margem diária seria algo em torno de US$ 500 mil.

Em segundo lugar, os ativos da África, atualmente, respondem por cerca de 40% das reservas que a Petrobrás tem no exterior. De acordo com dados da companhia, são de 32,5 milhões de barris. Seguindo a linha do que a companhia já tem feito dentro o Brasil, a nova ordem da gestão Parente é diminuir o volume de reservas provadas líquidas. Não é por acaso que em 2016, o volume de reservas provadas da Petrobrás se reduziu ao ponto de ser inferior ao volume de 2004.

Quantas empresas têm a oportunidade de ter uma margem bruta de US$ 500 mil? Quantas operadoras se desfazem de reservas de petróleo num ritmo assustador como o da Petrobrás?

Evidente que essas ações não têm relação apenas com a lógica financeira ou estratégia da Petrobrás, mas sim com a marca da atual gestão. Para dilapidar o patrimônio brasileiro e vender o mais rápido possível os ativos da empresa, atendendo aos interesses do governo e das operadoras estrangeiras, tudo é permitido por Pedro Parente: pouca transparência, abrir mão de oportunidades futuras para a empresa e até destruir aquilo que é o mais importante para uma petroleira, que são as reservas de petróleo.

Quando assumiu a Petrobrás, ele disse que não privatizaria a empresa. Nem será preciso, pois acabará com a companhia antes mesmo de privatizá-la.

 

 

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