Imprensa da CUT - A Universidade Global do Trabalho (Global Labor University - GLU), formada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fundação Friedrich Ebert,  sindicatos e universidades, vai realizar esta semana, em São Paulo, a 13ª Conferência da GLU, que vai discutir o tema: “O Futuro do Trabalho: Democracia, Desenvolvimento e o Papel do Trabalho”. 

A Conferência será oficialmente aberta nesta terça-feira (7), às 14h, na sede da CUT, na Rua Caetano Pinto, 575, em São Paulo. Após a abertura, será realizada a primeira mesa de debates, com o tema “Mudanças Estruturais e Futuro do Trabalho.  Às 18h, será realizado um Ato Internacional em Defesa da Democracia e do Lula, que contará com a participação de mais de 100 convidados internacionais, entre eles sindicalistas, ativistas e acadêmicos de todos os continentes, além dos  convidados nacionais. Na quarta (8) e na quinta (9), as outras mesas da Conferência, serão realizadas em Campinas. 

A Global Labor University (GLU) organiza cursos de curta duração e à distância e cursos de mestrado em cinco países diferentes sobre sindicatos, desenvolvimento sustentável, justiça social, normas internacionais do trabalho, empresas multinacionais, políticas econômicas e instituições globais. Além disso, promove cooperação em pesquisas sobre questões trabalhistas globais.  

Na 13ª Conferência, representantes do Brasil e do exterior vão debater o crescimento das forças políticas conservadoras, o desemprego e a precarização do trabalho no mundo; além das mudanças no mundo do trabalho provocadas pelas transformações tecnológicas e pela reestruturação global do processo do trabalho, que representam enormes desafios para acadêmicos, sindicalistas e organizações sociais preocupadas com o futuro do trabalho, democracia e redução nas assimetrias do desenvolvimento.

O secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, explica que a nova abordagem dos cursos da GLU aumentam a capacidade intelectual e estratégica dos representantes dos trabalhadores e trabalhadoras e estabelecem relações mais fortes entre  os sindicatos, a OIT e a comunidade científica.  

“Os cursos fortalecem a capacidade e a competência sindical para defender a Justiça social e o trabalho decente no local de trabalho, nacional e internacionalmente”, diz o dirigente.

Por isso, continua Lisboa, os programas da GLU são uma oportunidade única para sindicalistas e outros ativistas de direitos trabalhistas estudarem em um ambiente internacional e fornecerem oportunidades de qualificação ainda maior para sua equipe ou até para novos especialistas que recrutarem no mercado. 

“A rede global da GLU fornece uma estrutura inovadora para pesquisa e desenvolvimento de políticas em um ambiente verdadeiramente multicultural, multirregional e multidisciplinar”, diz Lisboa. 

O secretário lembra que o primeiro curso foi lançado na Alemanha em 2004 -  programa de mestrado - que agora também é oferecido na África do Sul, Brasil, Índia e, desde 2014, nos Estados Unidos. Em 2018, a GLU completa 10 anos no Brasil e a CUT é a única central sindical da América Latina que participa na coordenação da GLU em parceira com a UNICAMP e FES Brasil.

A mesa de abertura contará do primeiro dia da Conferência na terça (7)  com a participação de Christoph Scherrer, do ICDD; Rafael Peels, da OIT - ACTRAV; Vagner Freitas, Presidente Nacional da CUT; Katharina Hofmann, da FES; Anselmo Luis dos Santos, do CESIT/IE/UNICAMP; e Michelle Williams, representando a GLU.

Na sequência, será formada a mesa que vai debater as mudanças estruturais e o futuro do trabalho. Participam das discussões Victor Baez, CSA; Victor Figueroa, ITF; Marcio Pochmann, UNICAMP; Soledad Salvador, CIEDUR. A mesa será coordenada por Antonio Lisboa, Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil.

Do Ato Internacional em defesa da democracia e do Lula participarão Adolfo Perez Esquivel, Ativista argentino de direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz (ele enviou um vídeo porque não conseguiu conciliar as agendas); Victor Baez, CSA; Gleisi Hoffmann, presidenta do PT (a confirmar); Vagner Freitas, Presidente da CUTl; Luiz Gonzaga Belluzzo, UNICAMP; Han Sang-gyun, ex Presidente da KCTU (central sindical sul coreana); Shawna Bader-Blau, Centro de Solidariedade da AFL CIO (central sindical dos EUA) e coordena Rosane Bertotti, Secretária de Formação da CUT Brasil.

Imprensa da FUP - Com participação de cerca de 200 petroleiras e petroleiros, terminou neste domingo (05), no Rio de Janeiro, a VII Plenária Nacional da FUP, que deliberou sobre questões fundamentais para a categoria. Além de definir um amplo calendário de lutas contra a privatização do Sistema Petrobras e a entrega do Pré-Sal, a Plenafup apontou uma série de encaminhamentos para preservar direitos dos trabalhadores e impedir o desmonte de conquistas históricas, como a Petros, AMS e o Acordo Coletivo.

Trabalhador vota em trabalhador

A VII Plenafup também deliberou que uma das lutas centrais dos petroleiros deve ser a eleição de Lula e de um congresso representativo dos trabalhadores. A plenária aprovou por unanimidade o apoio às candidaturas de petroleiros para ampliar a defesa do Sistema Petrobras e do Pré-Sal como alicerces da retomada do projeto popular e democrático de soberania e desenvolvimento nacional.

Planos de luta

A direção da FUP permanece no Rio de Janeiro, onde reúne-se nesta segunda-feira (06) para operacionalizar as resoluções da plenária e definir ações para implementar o calendário de lutas aprovado.

Em reunião na VII Plenária da FUP, o Coletivo Nacional de Mulheres (CNMP-FUP) aprovou apoios às candidaturas de petroleiras que disputam vagas no parlamento e nos fóruns de representação da categoria. O coletivo definiu o apoio à Náustria de Albuquerque, funcionária concursada da BR Distribuidora, pré-candidata a deputada estadual no Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores. Ela é a única mulher petroleira do campo da FUP a disputar uma candidatura nas eleições deste ano.

Outro apoio importante definido pelo Coletivo é a reeleição da petroleira Fabiana dos Anjos, atual representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Transpetro. O Coletivo defenderá que a VII Plenafup aprove o apoio à candidatura de Fabiana.

O Coletivo também apresentou às delegações da Plenafup as resoluções do último Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras, realizado em abril em Natal, no Rio Grande do Norte, com participação recorde de petroleiras e petroleiros. A diretora da FUP e coordenadora do Coletivo, Rosângela Maria, ressalta a importância do crescimento da participação feminina nos fóruns e espaços de representação dos petroleiros. “O Encontro do Rio Grande do Norte foi um marco para nós. Reunimos 70 petroleiras, um número de participação recorde, que prova que nosso trabalho está avançando”, destacou.

A petroleira Fátima Viana, que também é diretora da FUP e integrante do Coletivo Nacional de Mulheres, afirmou que o crescimento da participação feminina nos debates da categoria reflete o avanço da atuação do Coletivo na organização sindical. “A reunião do Coletivo na Plenafup teve participação massiva das mulheres, mas também dos homens petroleiros. Isso é prova de que estamos avançando no debate de gênero e ampliando a organização da categoria”, declarou.

Entre os principais encaminhamentos definidos no Encontro Nacional do Rio Grande do Norte está a ampliação dos canais de comunicação do Coletivo de Mulheres Petroleiras, através da reprodução e divulgação pelos sindicatos.

Acesse o facebook do Coletivo:@mulherespetroleiras

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Veja a íntegra das resoluções:    

1 - Realizar os encontros estaduais e criar os coletivos locais;

2 - Reproduzir nas mídias da FUP e dos Sindicatos as publicações do CNMP-FUP;

3 - Levar para a comissão nacional de SMS a demanda sobre direito à amamentação. A implementação desse direito continua a depender de negociação setorial;

4 - A FUP e os Sindicatos devem fazer o mapeamento dos pedidos de redução de jornada, para identificar as razões e quantas são as mulheres envolvidas;

5 - Exigir que a Petrobras realize campanha interna sobre a importância da promoção da equidade de gênero, etnia e diversidade;

6 - Exigir da Petrobras a definição de critérios na movimentação dos empregados em áreas envolvidas no processo de parcerias/privatizações;

7 - Construir a greve em defesa do petróleo nacional, da Petrobras e contra a privatização;

8 - A PLENAFUP 2018 deve instalar o processo estatuinte, com vistas a criação Secretaria de promoção da equidade de gênero, etnia e da diversidade;

9 - O VI Encontro Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP aprova como agenda prioritária dos trabalhadores petroleiros a luta em defesa da liberdade e da democracia

A “Violência de gênero na política” foi o tema debatido na tarde deste sábado, 4, na VIII Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros, que contou com a participação da Coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisa da União Brasileira de Mulheres (UBM). Ana Rocha (PC do B) e da professora de História, especialista em Políticas Públicas e coordenadora da Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA), Eleutéria Amora e da colombiana Sonia Milena López Tuta, presidente da Fundação Joel Sierra e integrante do Congresso de Los Pueblos Capitulo Centro Oriente.

A quem pertence o espaço da política

Ana Rocha ressaltou a importância do tema de gênero estar na pauta da VII Plenária e sugeriu que essa iniciativa sirva para romper qualquer tipo de discriminação.

Para evidenciar a discriminação sofrida pelas mulheres na política relembrou casos emblemáticos recentes como o que aconteceu com Manuela Dávilla durante a entrevista no programa Roda Viva, com Jandira Feghali quando foi empurrada por um colega no plenário enquanto falava e os episódios de misoginia em relação à ex-presidenta Dilma Roussef. “O espaço da política é masculino e, quando a mulher entra a discriminação acontece” - comentou.

Alertou ao fato de que há uma sub-representação feminina porque existem muitos obstáculos para as mulheres chegarem ao poder.  Inicialmente para participar da política tinham que pedir autorização dos pais ou dos maridos. Hoje isso mudou, mas mesmo assim enfrentam problemas diários, porque sociedade colocou para as mulheres o papel de cuidar e isso tira a possibilidade de disputar espaços de poder, porque precisa cuidar dos filhos, maridos e familiares.

Na avaliação de Ana Rocha, a mulher é tratada na política como se aquele espaço não lhe pertencesse e cabe a todos e todas desconstruir o que são espaços femininos e masculinos.

 “Para enfrentar a discriminação de gênero, é necessário estar em toda a parte. O machismo perpassa homens e mulheres, mas afeta diretamente o elo oprimido, ou seja, as mulheres. Existe uma diferenciação de papéis resultante de uma construção histórico-social. Exige uma transformação cultural enorme, que una não só a mudança nas estruturas, mas também dos conceitos e dos estereótipos. Por isso é tão fundamental termos ações como a Campanha Permanente de Combate ao machismo e valorização das mulheres, é na educação que podemos atuar para mudar essa forma de pensar” - disse.

O cuidar é dever de todos e todas

Eleutéria Amora considera que é necessário as mulheres assumirem seu papel na produção de conhecimento para mudar a sociedade. Esse é um desafio posto para a sociedade, não só para as mulheres.

Relembrou que na história mundial houve um grande apagamento das mulheres com a caça às bruxas, que na verdade eram mulheres que utilizavam o poder das ervas para curar, usavam sua sexualidade como bem queriam e se negavam ao casamento.

Para Amora, a desigualdade é reproduzida ainda mais com as mulheres negras, o racismo é estruturante da desigualdade. Sugeriu que o trabalho de todos é trazer as mulheres negras para assumir espaços de poder.

“Fomos confinadas ao trabalho de cuidar da sociedade e não para ocupar espaços de poder. As tarefas do cuidar é de todo mundo, todos e todas. Mas sempre sobra para mulher que tem que deixar de lado seu trabalho e seu lazer. É preciso vencer a divisão de tarefas do cuidado, para que possamos assumir os espaços de poder de forma igualitária”.

Violência de gênero

 

A colombiana Sonia Milena López Tuta, presidente da Fundação Joel Sierra e integrante do Congreso de Los Pueblos, fez um breve panorama da realidade em seu país, onde a mulher também vive uma rotina diária de violência, exploração e discriminação. Mulheres como ela, que atuam em movimentos sociais, sofrem duplamente, por serem criminalizadas, já que esses movimentos muitas vezes são rotulados como organizações guerrilheiras. “Tivemos 38 companheiros assassinados, dos quais 17 foram mulheres”, denunciou Sonia.

 

Ela fez um chamado sindicatos petroleiros a unificar e a valorizar a luta das mulheres contra o sexismo e pelo empoderamento. Sônia citou o exemplo do Congresso da Colômbia, onde 21% dos 258 deputados e senadores são mulheres, quase todas de classes dominantes. “Não temos voz no Congresso, pois as poucas mulheres que lá estão defendem os interesses de sua classe social. Por isso, é fundamental a formação política das nossas militantes para empoderar as mulheres de forma a permitir uma participação efetiva nos espaços de representação popular. Só assim, faremos as transformações sociais tão urgentes e necessárias no nosso continente”, afirmou Sônia.

 

 

“Quando muitas mulheres entram na política, muda a política” – presidenta do Chile Michelle Bachelet

 

Mesa na manhã de hoje na VII Plenária Nacional da FUP debateu a "Geopolítica do petróleo e erros de estratégias da Petrobrás". Os expositores mostraram como o Golpe de 2016 tem relação com os interesses internacionais no pré-sal brasileiro. A Petrobrás, afirmam, ao desmontar a sua atuação em toda a cadeia produtiva, está na contra-mão do que estão fazendo as empresas do setor, que buscam ter as suas atividades integradas.

Fizeram exposições na mesa de debates o economista Rodrigo Leão, coordenador do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra), o professor e pesquisador Igor Fuser, da Universidade Federal do ABC, e o coordenador licenciado da FUP e do Sindipetro-NF, José Maria Rangel. Além dos delegados e delegadas da plenária, puderam fazer perguntas os internautas que interagiram com a transmissão em redes sociais (aqui)

Pré-sal estratégico para o mundo

Para Leão,"muitas vezes a sociedade não tem clareza do que está se falando quando tratamos do pré-sal". Ele explica que esta camada possui reservas comprovadas de cerca de 100 milhões de barris e, hoje, o Brasil já é o quarto maior produtor do mundo, atrás apenas da Venezuela, da Arábia Saudita e do Irã.

"E uma diferença é que a Petrobrás já explora o pré-sal, diferente por exemplo da Venezuela, que ainda não tem condições de explorar ainda", explica o economista. Atualmente, mais da metade do petróleo produzido no Brasil vem do pré-sal.

O coordenador do Ineep também situou o interesse estratégico dos Estados Unidos no pré-sal brasileiro. "Eles produzem o gás de xisto, que está crescendo muito, mas tem vai acabar muito rápido", afirma, mostrando que os EUA, mesmo tendo algumas das maiores empresas privadas do setor petróleo, ainda dependem da exploração feita em outros países.

Ele também destacou que há muita incerteza entre as multinacionais sobre o cenário do petróleo para os próximos anos, por isso elas estão procurando explorar ao máximo o petróleo agora e com baixo custo, como é o caso do pré-sal brasileiro. "As empresas querem ter o petróleo e querem ter o petróleo rápido", disse.

Esses interesses estão na base do Golpe de 2016, entende Leão. Ele lista os passos que a Petrobrás passou a dar depois do impeachment da presidenta Dilma, justamente para atender aos interesses das empresas internacionais que estiveram por trás do Golpe: a companhia está sendo fatiada, está reduzindo investimentos e abrindo mão do uso flexível do petróleo (como na área de fertilizantes).

Por um mundo multipolar

O professor Igor Fuser concorda que os interesses internacionais no petróleo brasileiro estão entre os principais motivos do Golpe de 2016. "O que estão fazendo com a Petrobrás tem relação direta com o Golpe", disse, lembrando o abandono da política de conteúdo local, a entrega das reservas e o desmonte da própria companhia.
"O Golpe foi da burguesia, do grande capital nacional, que não estava mais disposto a tolerar governos populares, mas não apenas. Houve uma mão externa, a mesma do Golpe de 1964. Ainda não está muito claro o papel dos Estados Unidos, o papel do [juiz Sérgio] Moro, mas a história vai mostrar, muitos canais ligam o Golpe de 2016 aos EUA", afirma Fuser.

Segundo ele, o Golpe retirou o Brasil de uma política internacional altiva, quando "havia deixado de ser capacho dos Estados Unidos sem ser inimigo", e "passou a se articular com outros países, de forma multipolar".

"Um mundo dominado pelos Estados Unidos não nos interessa, nos coloca à mercê de uma potência externa. Nos interessa um mundo onde haja vários países com força, entre eles o Brasil", disse o pesquisador.

Resistência petroleira

O coordenador licenciado da FUP e do Sindipetro-NF, José Maria Rangel, disse que concorda com as análises de Leão e de Fuser, mas acrescenta que tem havido resistência petroleira há muitos anos em relação a este cenário. "Nós da FUP não ficamos de braços cruzados esperando a morte chegar", afirma.

Ele lembrou a luta contra o Projeto de Lei 131, do senador José Serra, que originalmente previa a retirada total da Petrobrás da condição de operadora única do pré-sal. "Foi a nossa atuação que conseguiu que a Petrobrás tenha pelo menos a preferência na operação", citou.

Rangel destacou ainda o simbolismo do jaleco laranja, que passou a ser utilizado não apenas por petroleiros e petroleiras, mas por todos que defendem a Petrobrás e a soberania nacional, além da criação do Ineep, para subsidiar a ação política da categoria no debate do setor petróleo.

"Hoje nós podemos argumentar com qualquer entreguista. O Ineep possibilitou isso. Quando a Petrobrás divulga o balanço, praticamente em tempo real a gente discute e responde", disse José Maria.

 

[Foto: Mirela Adams / Da Imprensa do Sindipetro-ES]

 

Imprensa da FUP - Em nota divulgada à imprensa, a Petrobrás comunicou mais um acidente fatal de trabalho. A vítima foi o mergulhador Athayde dos Santos Filho, 57 anos, da empresa Fugro, que presta serviços para a petrolífera no projeto de expansão da produção da Plataforma de Mexilhão, na Bacia de Santos. O acidente ocorreu na manhã desta sexta-feira (03), quando o trabalhador realizava um mergulho, a cerca de 170 metros de profundidade, para manobras de instalação de tubulação no leito marinho.

Segundo informações de petroleiros do Litoral Paulista, a mangueira de oxigênio foi degolada do equipamento de respiração do mergulhador devido a um problema que estava ocorrendo no flutuador da tubulação da plataforma. Dois trabalhadores que estavam com Athayde ainda tentaram salvá-lo.

A Petrobrás declarou que o mergulhador foi socorrido no local, recebeu a assistência emergencial, mas não resistiu. “A companhia já avisou aos órgãos reguladores e vai instaurar comissão de investigação para apurar as causas do acidente”, informou a empresa em sua nota.

Este foi o quarto acidente fatal este ano no Sistema Petrobrás. Todos com trabalhadores terceirizados. Nos últimos 23 anos, 379 petroleiros perderam a vida em acidentes de trabalho, sendo que 308 eram trabalhadores terceirizados. Ou seja, a cada dez acidentes, oito são com prestadores de serviço.

Desmonte aumentou a insegurança

Os cortes de investimentos e a privatização de ativos potencializaram os riscos de acidentes, principalmente em função da redução de efetivos, da falta de manutenção das unidades e da consequente precarização das condições de trabalho.

Em pesquisa feita pela FUP e seus sindicatos com os trabalhadores das refinarias, 94% dos 1.180 petroleiros que participaram da consulta informaram que não se sentem seguros nas unidades. Apenas 170 trabalhadores disseram ter tido algum tipo de treinamento sobre os procedimentos de Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis, como prevê a NR-20.

O cenário de insegurança é o mesmo nas plataformas, terminais e campos de produção terrestre, onde vários ativos estão sendo privatizados. O resultado desse desmonte é o aumento das ocorrências de emergência, acidentes frequentes e 14 trabalhadores mortos neste dois anos da gestão temerária dos golpistas.

A próxima quarta-feira, dia 8, será de grande mobilização para os aposentados, aposentadas e pensionistas. Às 13h haverá audiência no Tribunal de Justiça, no Rio de Janeiro, sobre o agravo de ação do Sindipetro-NF contra o equacionamento do plano Petros, quando Petrobrás tentará cassar as liminares obtidas pelo sindicato em favor de associados de vários municípios.

Para mostrar a indignação da categoria, o sindicato está chamando os aposentados para que estejam presentes nessa audiência. Será disponibilizado transporte saindo da sede do Sindipetro-NF em Campos dos Goytacazes (às 7h) e em Macaé (às 8h30), com retorno logo após o fim da audiência. Os interessados em participar do ato no Rio devem enviar nome e número RG para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou informar nas recepções das sedes.

Nesse mesmo dia haverá reunião geral em Macaé, às 19h, sobre a alternativa dos trabalhadores ao equacionamento Petros. O encontro terá a participação dos conselheiros e membros do GT Petros, Paulo César Martins e Norton Cardoso, além da assessoria jurídica da FUP.

"Se possível todos devem participar da reunião, caso contrário, a gravação da reunião será disponibilizada. Chamamos a atenção de todos sobre a importância da participação pois, no caso de derrota, teremos terríveis consequências futuras", afirma o diretor do Sindipetro-NF, Antônio Alves, o Tonhão.

Saída também às 15h de Campos

Para os aposentados de Campos que não puderem ir ao Rio, mas desejarem participar da reunião das 19h em Macaé, haverá disponibilidade de transporte Campos x Macaé x Campos, com saída às 15h da sede do sindicato em Campos, também sendo necessário inscrever com antecedência na recepção do NF.

 

O  Sindipetro-NF convoca os 90 trabalhadores e trabalhadoras que entregaram as carteiras de trabalho para correta assinatura, dentro da ação judicial de nº 0213000-10.2004.5.01.0481, a comparecerem à sede do sindicato, em Macaé, para retirada do documento.

A devolução será feita pessoalmente ao titular do documento, ou a terceiros, desde que tenham autorização expressa do titular.

Ação de retroatividade 

O Sindipetro-NF venceu a ação sobre a retroatividade da assinatura das Carteiras de Trabalho para 115 trabalhadores admitidos entre 2002 e 2003, aprovados em concurso público.

"A tese do ação teve como base o fato de que tais admissões foram ilícitas, pois, ao assinar as CTPS com a data no início do pacto laboral, a empresa desconsiderou o período em que os trabalhadores aprovados ficaram fazendo treinamento remunerado, mesmo trabalhando em plataformas offshore" - explica o jurídico.

Ao terminar a fase de recursos, o processo retornou à Macaé para cumprimento da sentença, e o NF chamou os trabalhadores para entrega da CTPS para devida assinatura.

Segundo o jurídico está pendente para apreciação a petição em que é pedido um novo prazo para apresentar as CTPS, que não foram entregues dentro do prazo deferido pelo juízo.

Lucro da Petrobrás é fruto dos investimentos passados
 

Imprensa da FUP - A Petrobrás anunciou nesta sexta-feira (03) os resultados do segundo trimestre de 2018, em que registrou lucro líquido de R$ 10 bilhões, bem acima das estimativas feitas pelos analistas financeiros. Apesar do mercado e do governo continuarem reforçando a ladainha de que os resultados da empresa são fruto da recuperação da empresa, a variação do dólar e do preço médio do barril de petróleo é que foi determinante para o lucro.

Como no trimestre anterior, o principal fator determinante para o resultado positivo da Petrobras continua sendo o preço médio do barril de petróleo, que aumentou 50% nos últimos 12 meses, saltando de US$ 49,8, no segundo trimestre de 2017, para US$ 74,5, no mesmo período deste ano.

Soma-se a isso, a variação cambial, que no primeiro semestre do ano foi de 11%, o que impactou positivamente as contas da empresa, já que a política de preços dos derivados continua indexada ao dólar e ao barril de petróleo. Mesmo com a queda de 6% no volume de vendas do semestre, a companhia lucrou com a internacionalização dos preços de derivados, que fez a gasolina, o diesel e o gás de cozinha dispararem.  

Indicadores externos, que não dependem das ações de gestão, mas que influenciam diretamente nos resultados da Petrobrás, cada vez mais dependente do Pré-Sal. Essas reservas já representam mais de 50% da produção da petrolífera brasileira, graças aos investimentos feitos nos 13 anos do governo Lula e Dilma.

“Os resultados da Petrobrás são a prova de que a empresa não está, nem nunca esteve quebrada. As gestões de Ivan Monteiro e Pedro Parente nada contribuíram para o lucro da empresa. Pelo contrário, o desmonte que eles já fizeram e continuam fazendo, ao venderem ativos e reduzirem investimentos, compromete cada vez mais o futuro da empresa”, alerta o coordenador da FUP, Simão Zanardi Filho.

A política da atual gestão continua sendo de direcionar a estatal para a exportação e entregar à concorrência o parque de refino e todo o setor logístico de distribuição de óleo e gás. As exportações já representam hoje quase um quarto (22%) da produção da Petrobrás, enquanto o povo brasileiro sofre os efeitos da política de preços de derivados, que favorece as importadoras e pesa no bolso do trabalhador e da dona de casa.

Os gestores da empresa continuam cortando investimentos estratégicos. Houve uma redução de 8% neste primeiro semestre do ano, quando os investimentos caíram de R$ 23 bilhões para R$ 21 bilhões. O setor de gás e energia, quase todo privatizado, foi o mais impactado, com queda de 76% nos investimentos, em relação ao primeiro semestre de 2017.

A Petrobrás também contabilizou em seu caixa R$ 5 bilhões obtidos com a venda de ativos, como a NTS, participações nos campos de Lapa, Iara e Carcará, entre outros bens estratégicos. O resultado já aparece na queda de 4% da produção de óleo e gás que a companhia registrou neste segundo trimestre, em relação ao primeiro trimestre. O maior impacto foi na Bacia de Campos, onde os investimentos foram drasticamente reduzidos e campos de petróleo.

Os trabalhadores também continuam sendo impactados com as reduções de despesas administrativas impostas pelos gestores. Neste primeiro semestre, foram feitos cortes de 4%.  O coordenador da FUP ressalta que os efeitos desta política refletem diretamente na falta de investimento em manutenção das unidades operacionais e na redução de efetivos, o que compromete a segurança dos trabalhadores. “Sem manutenção nas unidades, os petroleiros estão correndo riscos nas refinarias, plataformas e terminais. Soma-se a isso a redução de efetivos, que resultou na saída de mais de 30% dos trabalhadores, sem reposição destas vagas”, explica Simão Zanardi.

Enquanto o povo brasileiro e os trabalhadores pagam a conta do desmonte da Petrobrás, os gestores continuam favorecendo os acionistas privados e o sistema financeiro, com repasses bilionários. No início do ano, o Conselho de Administração autorizou o pagamento de dividendo aos acionistas a cada trimestre e não mais anualmente, como era praticado anteriormente. Só nos primeiros seis meses do ano, a empresa já distribuiu R$ 1,3 bilhões em dividendos.  

Os banqueiros também agradecem à Petrobrás por continuar sendo privilegiados, em detrimento do setor produtivo. Neste primeiro semestre, a Petrobrás despejou R$ 92 bilhões no sistema financeiro em pagamento de juros e amortizações da dívida. Esse valor já representa 67% dos R$ 137 bilhões que a empresa destinou aos bancos no ano passado.

Leia a análise do INEEP: Balanço do 2º Trimestre da Petrobras: melhora do cenário externo e reversão estratégica do refino

[FUP]

Os trabalhadores de P-63 denunciaram que ontem, 2 de agosto, que a Marinha esteve a bordo da plataforma para inspecionar a unidade, que teve um curto circuito no banco de capacitores e gerou um incêndio numa UPS (banco de baterias) no dia 28 de julho. Essa inspeção aconteceu porque a Marinha estabeleceu um prazo de 15 dias para normalização do Sistema da UPS, mas plataforma não conseguiu normalizar dentro do tempo determinado.

Durante essa inspeção, a Marinha solicitou um certificado de inspeção da unidade e constatou que  alguns tanques de Carga não haviam sido inspecionados, por isso determinou a parada de produção da unidade.

O SMS da empresa confirmou ao sindicato que a plataforma está parada por determinação da Marinha. Segundo a Petrobras, a carta de operação da classificadora está vencida e a unidade está em processo de renovação.

O Sindipetro-NF incentiva a categoria a continuar a denunciar problemas nas suas unidades para O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Na parte da tarde desta sexta, os participantes da VII Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros assistiram ao painel “Protagonismo dos trabalhadores frente ao golpe com representantes da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takimoto; da Federação Nacional doa Urbanitários (FNU),  Fabiola Antezana, do Dieese, Gustavo Teixeira e da FUP, Deyvid Bacelar.

Coube ao economista Gustavo Teixeira apresentar números e reflexões importantes para servir de base para os debates. Alertou a respeito do que vem acontecendo nas estatais, praticado pelas gestões, como algo que faz parte de interesses maiores do mercado.

“Quando o atual governo congela os gastos públicos em educação e saúde, implementa uma política que visa beneficiar os planos de previdência e os planos de saúde privados. Ao regulamentar a terceirização, que em alguns setores tem percentual altíssimo, acaba encarecendo as tarifas das estatais e causando uma imagem negativa junto à sociedade” – disse Teixeira.

O economista comentou que as privatizações em diversas áreas seguem um programa do governo de Temer, que tem como pano de fundo a desnacionalização do serviço, com perda da soberania nacional para empresa estrangeiras. Um programa que contraria a tendência mundial de reestatização principalmente dos serviços públicos na Europa e Estados Unidos.

O ataque às estatais em números

Teixeira apresentou números do Ministério do Planejamento, a partir de um Boletim das Estatais que dão um panorama do que está acontecendo. Em 2016,  haviam 154 empresas estatais federais, cujo patrimônio liquido era de meio trilhão de reais, o que caracterizava um papel de grande importância no desenvolvimento e geração de empregos. Só a Petrobras tinha 800 bilhões de reais em ativos e o seu patrimônio liquido a colocava como a maior estatal do Brasil, seguida do Banco do Brasil.

Após o golpe, as empresas estatais federais foram reduzidas a 143, que concentram 597mil trabalhadores.

“Nosso desafio contra a privatização é o diálogo com a sociedade, refletir o que os brasileiros esperam das estatais federais. O outro, é se reconhecer como trabalhador de empresas públicas com uma missão específica de defende-las” – propõe.

Segundo ele, existem casos de mais de 800 empresas públicas no mundo reestatizadas. Grande parte via municipalização e pela mobilização das comunidades locais que pressionaram para isso acontecer, inclusive contra aumentos abusivos.

Em defesa da Eletrobras

Fabiola Antezana lembrou que durante o governo Lula ocorreu um investimento na recuperação da Eletrobras, que passou a atuar em regiões onde o Estado não chegava. 

Com o golpe, os urbanitários se viram sob ataque do governo. Foram implantados planos de incentivo à demissão que reduziu de 27 mil para 21 mil empregados, nós últimos quatro anos. E cuja meta ainda é atingir 12 mil trabalhadores, o que por conseqüência prejudica o serviço prestado ao consumidor.

Para fazer o enfrentamento, os urbanitários atacaram em quatro frentes. Primeiro criaram uma frentes específica para comunicação com a categoria e com a sociedade, outra jurídica para atuação dentro comitê em Defesa das Estatais, um corpo a corpo com os parlamentares, para contato direto embasando nossos deputados para o embate técnico e colocaram uma força tarefa em Brasília, para tentar retardar esse processo de privatização.

“Nossa saída é a unidade da classe trabalhadora do campo e da cidade contra todos esses retrocessos do governo Temer” – afirmou

Lutas bem similares

O sistema financeiro foi um dos maiores financiadores do golpe, denunciou Takimoto da Fenae. Com o governo Lula, a CEF dobrou de tamanho e abocanhou uma grande fatia do mercado financeiro e isso não era interessante para o mercado, por isso a pressão para privatização do bancos públicos.

Takimoto contou que a iniciativa da FENAE foi bem parecida da FNU, fazendo audiências públicas e pressionando parlamentares na defesa da CEF e do Banco do Brasil.

Ele afirmou que a saída para mudar o rumo das privatizações é eleger um Congresso Nacional aliado da classe trabalhadora. Ao final citou Santo Agostinho : - “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

A categoria petroleira nesse cenário

Deyvid Bacelar representou a FUP nessa mesa e fez um histórico dos últimos enfrentamentos que a categoria teve como a operação lavajato com imensos ataques contra a Petrobras através da mídia, mudança do marco regulatório do petróleo e a retirada da Petrobras como operadora única do pré-sal, mudança do conteúdo local que garantia o desenvolvimento interno do país e as alterações em uma série de legislações para facilitar a privatização da empresa.

Bacelar lembrou que o governo Temer vendeu 20 bilhões de reais de ativos e quer mais 16 milhões até o final do ano (quatro refinarias, 12 terminais da Transpetro e dutos, Fafens, Campos terrestres do Nordeste, campos marítimos de águas rasas no NF, Braskem, Pbio, termelétricas e terminais de regazeificação...). Vendas que, segundo ele, envolvem casos de corrupção e foram feitas a preço de banana.

Os trabalhadores da Petrobrás também enfrentam ataques diretos como a implantação de PIDVs  (menos 17 mil trabalhadores na empresa), redução do efetivo mínimo gerando insegurança nas operações, equacionamento do Plano Petros 1, implantação o PCR e as mudanças dentro da AMS .

Para se contrapor, a categoria está na luta. “ Fizemos para uma greve em 2015 em defesa da empresa que nós queremos, através da Pauta pelo Brasil, lutamos contra o golpe, em 2017 realizamos uma greve de cinco dias contra a redução de efetivo, garantimos na luta a renovação do ACT sem perda de direitos, em 2018 fizemos a greve histórica de 72 horas.

Ele contou que a categoria  faz audiências públicas em todo Brasil, enfrenta disputas jurídicas com ações contra as mudanças no estatuto da Petrobrás e da Transpetros, contra a quinta rodada do Leilão, contra as privatizações dos campos de águas rasas no NF. “Tudo isso não adiantará se não ganharmos as eleições em 2018” – concluiu Bacelar.

Mesa de debates nesta manhã na VII Plenária Nacional da FUP discutiu a "Mobilização para ampliar o diálogo com a sociedade", traçou um panorama sobre o modo como as lutas dos trabalhadores, especialmente no Brasil, conseguiram envolver toda a população, gerando avanços e conquistas sociais estruturantes.

Os debates foram fomentados por exposições do historiador Paulo Fontes, do líder nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, do diretor executivo da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Julio Turra, e do diretor da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Divanilton Pereira.

Os trabalhadores na história

A própria relação do campo de pesquisas em história com os movimentos dos trabalhadores foi o aspecto levantado pelo historiador Paulo Fontes. Ele mostrou como, no Brasil, é recente o reconhecimento do papel dos movimentos sindicais e sociais pela historiografia. "A História enquanto disciplina demorou para dar legitimidade social aos trabalhadores", afirmou, explicando que este campo de estudo foi antecedido por áreas como o direito e a sociologia nas pesquisas sobre os trabalhadores.

O historiador defendeu a ênfase no entendimento global do trabalho (pensando a ação dos trabalhadores internacionalmente), a articulação entre as noções de classe social, raça e gênero, e a necessidade de formulação de novas sínteses (uma vez que os estudos atuais estão, segundo Fontes, muito centrados em casos específicos).

Stédile: prioridade é eleger Lula

Para Stédile, o cenário atual é de crise do Capital internacional e do Estado Burguês, que perdeu a sua capacidade de responder às aspirações populares e está desacreditado, o que se mostra como oportunidade para os movimentos da classe trabalhadora na disputa ideológica com as elites.

Para o líder do MST, a conjuntura também é de crise civilizatória, quando estão ameaçados  os valores que, ao longo dos séculos, foram os elementos de enfrentamento da barbárie: as noções de solidariedade, de igualdade e de justiça. O neoliberalismo força uma sociedade que se opõe a estes valores, por meio do estímulo ao consumismo, ao egoísmo e ao individualismo.

Stédile defendeu a construção de um programa de reformas estruturantes a longo prazo, mas, a curto prazo, a tarefa prioritária dos trabalhadores brasileiros é eleger Lula para a Presidência da República. "Uma eleição sem Lula é fraude. Lula representa a classe trabalhadora. Se Lula não ganhar, o conflito só vai aumentar. Serão quatro anos de aprofundamento da crise", afirma.

Ele também destacou como necessidades dos movimentos sociais o retorno aos trabalhos de base, o diálogo direto com a população, a construção dos meios próprios de comunicação, a formação política e a construção do projeto popular para o Brasil.

Panorama histórico

O diretor da CUT, Júlio Turra, traçou uma história da formação da organização da classe trabalhadora no Brasil, lembrando as origens do anarcosindicalismo no início do século XX, que tinha ênfase na ação direta, na ampla solidariedade (na ausência do Estado, promovia o socorro mútuo entre os trabalhadores), a criação de sindicatos e a realização da primeira greve brasileira, em julho de 1917.

Em uma segunda fase, o movimento dos trabalhadores foi muito marcado pelo sindicalismo estatizado, no período Vargas, com inspirações corporativas e até fascistas, que forjou uma estrutura sindical burocratizada, explica Turra.

O sindicalista da CUT também mostrou o papel das greves do ABC, no final dos anos 70 e 80 do século XX, que romperam com o assistencialismo e com parte da influência estatal na organização dos trabalhadores, levando à criação da própria CUT e do PT, em um momento em que também nascia o MST.

A Constituição de 1988, lembrou Turra, eliminou alguns aspectos do estatismo sindical (como a possibilidade de intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos e o Estatuto Padrão) mas manteve outros (como a unicidade sindical e o imposto sindical).

Movimentos amplos

O diretor da CTB, Divanilton Pereira, defendeu a leitura de que os grandes momentos de avanços sociais no Brasil foram feitos quando houve o envolvimento de amplos setores, inclusive desorganizados, e não apenas dos sindicatos. Por isso, argumentou, procura enfatizar pontos que unificam os diferentes segmentos de partidos e movimentos sociais de esquerda, em busca de consensos estratégicos, como a necessidade imediata de "ganharmos pela quinta vez a eleição presidencial".

Um dos exemplos lembrados pelo sindicalista para ilustrar a força de movimentos amplos é a Greve de Abril de 2017, que ultrapassou a organização dos sindicatos e obteve adesão em vários setores, como igrejas, escolas, entre outras instituições. O movimento, destacou, foi o responsável por evitar a Reforma da Previdência. "Defendemos a tática da amplitude, com diálogo, para envolver milhões de pessoas, organizadas ou não, porque todas as grandes mudanças brasileiras ocorreram assim. Estamos precisando de todos", afirma.

 

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