Imprensa da FUP- A Federação Única dos Petroleiros apresentou, no dia 31/08, à Procuradoria Geral da República, documentos para serem anexados ao processo de representação de impedimento de Pedro Parente da presidência da Petrobras que enfatizam a existência de conflito de interesses na gestão de Parente à frente da Petrobrás.

Além de acumular a Presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, Parente é sócio fundador “licenciado" da Prada Administradora de Recursos Ltda, grupo de gestão financeira e empresarial presidido por sua esposa, Lucia Hauptman, e especializado em maximizar os lucros dos detentores das maiores fortunas do país.

Licenciado entre aspas, uma vez que, para a empresa presidida por sua esposa, a Prada Consultoria, o fato de Parente estar sentado no maior cargo da estatal, só trouxe benefícios. Em seu portal na internet, sua imagem é usada para atrair novos investidores e seu nome aparece em destaque entre os sócios da empresa, além de noticiarem as ações de Pedro Parente na Petrobras como forma de autopromoção da Prada.

Em dois anos, a empresa aumentou em 78% a quantidade de clientes pessoas físicas, além de atender empresas nacionais e investidores estrangeiros. Sendo que o maior aumento do número de clientes ocorreu em 2016, quando Parente já estava à frente da Petrobrás.  

Além disso, o volume de compras de ações da administradora saltou de R$ 403 mil, em dezembro de 2015, para R$ 3,2 milhões, em dezembro de 2016. Uma movimentação maior do que a comum no mercado.

De acordo com a Lei de Responsabilidade das Estatais,13303/16, basta que exista a possibilidade de conflito de interesse para que seja vedada a indicação ao cargo. Como pode-se constatar, pelas atividades da empresa Prada e pelo seu exponencial aumento no último ano, existe claro conflito de interesse na gestão Pedro Parente. Além disso, no item 9 do Programa da Petrobras de Prevenção da Corrupção, “há conflito de interesse quando o empregado não é independente em relação à matéria em discussão e pode influenciar ou tomar decisões motivadas por interesses distintos daquele da companhia”. Como Parente pode tomar decisões livres de influências externas, quando sua esposa tem como clientes as famílias mais ricas do país? Diante disto, existe a caracterização clara de conflito de interesse na gestão golpista.

Parente, peça para sair!

FUP

 

 

A FUP ingressou na sexta-feira, 01/09, com uma interpelação judicial, questionando a diretoria e o Conselho Deliberativo da Petros sobre o equacionamento do Plano Petros-1, que fechou 2016 com um déficit de R$ 27 bilhões. A origem e valores dos fatores geradores desse déficit devem ser identificados para que os participantes e assistidos sejam o menos possível impactados na parte da conta que lhes é de responsabilidade. É fundamental, também, que o equacionamento leve em consideração as submassas de repactuados e não repactuados.   

A proposta da Petros de equacionamento do PP-1 seria colocada em votação na última sexta-feira, durante a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo da Petros, que foi adiada e ainda permanece sem data definida. Nesta segunda-feira, 04, a FUP notificou os diretores e conselheiros da Petros sobre a interpelação, cobrando que se manifestem.

Entendemos que o plano precisa de novos aportes financeiros e está aberta a negociar o problema, mas os participantes e assistidos não podem ter suas vidas inviabilizadas. Além disso, a sustentabilidade do PP-1 no longo prazo só será garantida se forem resolvidas as questões estruturais.

Sem problemas estruturais, PP-2 é superavitário

Conquista da FUP durante a negociação do Acordo de Obrigações Recíprocas, o Plano Petros-2 está completando dez anos de vida, com um patrimônio de mais de R$ 15 bilhões e cerca de 50 mil participantes. O PP-2, além de superavitário, já é o maior plano do país na modalidade de Contribuição Variável. Ele foi inteiramente negociado com as representações sindicais, que garantiram um modelo previdenciário seguro e sem os problemas estruturais do PP-1.

 

Imprensa da FUP - Após prorrogar o prazo do Acordo Coletivo de Trabalho até 10 de novembro, um dia antes de entrar em vigor as novas regras trabalhistas que retiram direitos, Petrobrás marca primeira rodada de negociação para o dia 14 de setembro, às 10 horas, no Rio de Janeiro.

O RH da empresa enviou à FUP documento nesta segunda-feira, 04, à noite, agendando a reunião (veja abaixo).

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A FUP e seus sindicatos filiados decidiram elaborar um Termo Aditivo para proteção da categoria petroleira em relação aos principais ataques da Contrarreforma Trabalhista, que valerá a partir do dia 11 de novembro de 2017. O movimento sindical petroleiro já esperava que a empresa atacasse de alguma forma a categoria, por isso havia construído esse termo. Ao prorrogar o Acordo Coletivo até o dia 10 de novembro, os gestores da Petrobrás esperam pressionar para que as negociações sejam realizadas de forma apressada.

O termo protege a categoria petroleira em relação a não realizar novas contratações individuais contrárias ou abaixo do ACT, às terceirizações das atividades do PCAC, demissões em massa, não permite a formação de comissões de representação sem negociação prévia com os sindicatos e Federação e obriga que as homologações aconteçam em sindicatos petroleiros. Ao aprovar, esse termo passa a integrar a Pauta de Reivindicações. Conheça abaixo o conteúdo do Termo Aditivo:

TERMO ADITIVO À PAUTA DE REIVINDICAÇÕES PARA O ACT 2017-2019

Considerado o advento da Lei 13.467/2017, e as resoluções dos foros democráticos da representação sindical dos empregados do Sistema Petrobrás – aqui incluídas a Controladora, suas subsidiárias (Transpetro...) e Araucária Nitrogenados S.A.

E considerando que a negociação coletiva de trabalho é Direito Humano Fundamental, assim nominada pela Declaração dos Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho, da OIT, e direito consagrado pela Convenção 98 daquela organização, ratificada pelo Brasil, e protegido pela Constituição da República, as partes pactuam o seguinte:

Cláusula 1ª – As Companhias não praticarão contratações individuais que estipulem condições de trabalho, remuneração, jornada, vantagens, benefícios, ou mecanismos de gestão de pessoal, em contrariedade ou aquém do conteúdo normativo do ACT Petrobrás 2015-2017, ou dos equivalentes em suas subsidiárias, e nem mesmo em contrariedade ou aquém do conteúdo normativo dos ACTs que os sucedam, ora em negociação, sem explícita previsão resultante de negociação coletiva de trabalho.

Cláusula 2ª – As Companhias não realizarão eleição para constituição e formação de comissões de representação de seus empregados, e nem reconhecerão eventuais comissões formadas, senão mediante regras eleitorais e de funcionamento a serem pactuadas via negociação coletiva de trabalho entre a FUP e seus sindicatos, por um lado, e a Companhia, por outro.

Cláusula 3ª – As Companhias não praticarão terceirização de trabalho nas funções previstas em seu Plano de Classificação e Avaliação de Cargos (PCAC), e “nem em funções de atividades permanentes, sem prévia negociação coletiva de trabalho.

Cláusula 4ª – As Companhias não promoverão despedida em massa, nem rotatividade de pessoal, sem prévia negociação coletiva de trabalho.

Cláusula 5ª – As Companhias realizarão as homologações das rescisões de contrato de trabalho de seus empregados nos sindicatos acordantes, observadas as respectivas bases territoriais, desde que na localidade exista representação da entidade de trabalhadores, e desde que não haja prévia manifestação em contrário do empregado.

Parágrafo único – Nos casos em que o empregado optar por não realizar a homologação no sindicato, a entidade receberá cópia da rescisão contratual no prazo de uma semana.

As proposições aqui presentes integram a pauta já apresentada, e deverão fazer parte do(s) futuro(s) acordos coletivos de trabalho.

Diretores do Sindipetro-NF embarcam amanhã e na quarta-feira para reuniões de Cipa a bordo de plataformas da Bacia de Campos. Estão programados embarques dos diretores Rafael Crespo (PPM-1), Marcelo Nunes (PCH-1), Guilherme Cordeiro (PNA-1) e Alessandro Trindade (P-65).

Haveria ainda nesta semana o embarque do diretor Benes Oliveira, para P-37, mas a reunião foi remarcada para o próximo dia 22.

A participação de sindicalistas nas comissões é uma conquista dos trabalhadores em Acordo Coletivo de Trabalho e contribui para combater a insegurança no trabalho.

 

Diretores do Sindipetro-NF têm reunião marcada com gestores da Falcão Bauer, hoje, às 14h, no Rio, para discutir o acordo coletivo de trabalho dos empregados lotados em Macaé. A entidade cobra o cumprimento das obrigações da empresa e implementação da política de promoções.

O sindicato será representado pela diretora Jancileide Rocha, que é funcionária da empresa, e pelos diretores Wilson Reis e Eider Cotrim.

A Falcão Bauer incorporou recentemente 75 trabalhadores lotados em Macaé, em três contratos com a Petrobrás. A entidade também discute com a empresa a representação destes empregados, que atuam no Cenpes (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento), na área de análises químicas.

Atualmente estes trabalhadores estão filiados a uma outra entidade sindical, da área da construção civil, no município de Duque de Caxias. Na semana passada, o assunto foi discutido em reunião com os empregados, no Rio.

 

[Foto: Reunião do NF com trabalhadores da Falcão Bauer, no último dia 31]

 

Da Rede Brasil Atual - O feriado de 7 de setembro é também conhecido como o dia do tradicional Grito dos Excluídos, que desde 1994 propõe manifestações com algum tema voltado ao combate às injustiças e desigualdades sociais. Para a CUT, que encerrou nesta quinta-feira (31) seu congresso extraordinário, será também dia de encaminhar a mais importante resolução do evento, segundo o presidente da central, Vagner Freitas: o lançamento de uma campanha para colher 1,3 milhão de assinaturas em apoio a um projeto de lei de iniciativa popular que anule os efeitos da reforma trabalhista. A campanha, acredita Vagner, será uma forma de os sindicatos estreitarem seu contato com os trabalhadores nos locais de trabalho, agora com “muito mais moral” para cobrar o alerta que faziam antes do impeachment – o de que o golpe que derrubou Dilma Rousseff não era contra Dilma, mas contra todos os direitos conquistados nas últimas décadas.

“Agora as pessoas estão vendo o que está acontecendo. Não é mais ‘olha, eu estou avisando, vai acontecer isso, isso e isso’. Está acontecendo. O desemprego é assustador, a crise de credibilidade do país é sem tamanho, a economia está destroçada e sem rumo ­– a nave está completamente desgovernada”, diz Vagner, em entrevista à RBA. “Por isso, se dizíamos antes que a luta era necessária e valia a pena, agora vamos dizer isso mais ainda, e com mais aderência entre esses trabalhadores, que estão sentindo na prática os efeitos devastadores desse governo.”

Em seu congresso, que reuniu nesta semana mais de 700 representantes de sindicatos de todo o Brasil, a central decidiu também programar um dia nacional de lutas, acompanhando uma ação que já estava programada pelo movimento Brasil Metalúrgico em defesa dos empregos na indústria e das estatais – reunindo sindicatos da categoria associados a várias centrais. Outra data considerada importante para a CUT será o 3 de outubro, dia em que a criação da Petrobras completa 64 anos, e que está programado um ato de protesto, diante da sede da empresa no Rio de Janeiro, com objetivo de denunciar a operação de desmonte promovida pelo governo nesta e em outras empresas públicas consideradas pelo sindicatos estratégicas na promoção do desenvolvimento nacional.

Outras duas decisões foram consideradas prioritárias para os sindicatos cutistas no próximo período, ambas acompanhadas de bordões que resumem seu sentido: “Se botar pra votar, o Brasil vai parar”, a respeito da reforma da Previdência que está prestes a andar no Congresso; e “Eleição sem Lula é fraude”. Para a CUT, a anulação dos atos do “governo ilegítimo”, a restauração da democracia e a perspectiva de retomada de um projeto soberano de crescimento passam pela possibilidade de retorno do presidente mais bem avaliado da história, para assumir o lugar hoje ocupado pelo pior deles.

 

 

Da Rede Brasil Atual - Em entrevista à Rede Brasil Atual, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, comentou as principais resoluções e planos de luta apontados pelo Congresso Extraordinário da Central, realizado na última semana de agosto, e analisou os desafios dos sindicatos e movimentos sociais frente à atual conjuntura. Leia a íntegra:

Por que fazer um congresso extraordinário da CUT e como você avalia o resultado?

Transformarmos a nossa plenária nacional estatutária em congresso extraordinário para fazer um debate mais aprofundado da conjuntura. A CUT tem feito enfrentamento extraordinário contra o golpe e pela volta da normalidade democrática, e todos neste congresso reconhecem isso. Fizemos a maior greve de todos os tempos, a maior ocupação de Brasília de todos os tempos, e agora estamos avaliando quais serão os passos daqui em diante. A reforma trabalhista foi aprovada, está para ser posta em prática a partir de 11 de novembro e já tem efeito devastador para as categorias em termos de perda de emprego. Discutimos no congresso a luta pela anulação jurídica da reforma trabalhista. Entendemos que ela é inconstitucional, mas não teremos como estratégia ingressar com Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. É possível que o STF já tenha visão determinada sobre isso e essa ação cairia por terra. Podem haver perspectivas mais favoráveis se entrarmos em varas regionais com ações, onde existem muitos juízes contrários ao texto da reforma.

Uma das resoluções é promover uma coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que revogue a lei da reforma trabalhista, é isso?

Isso. Esta foi a mais importante deliberação deste congresso, junto com o plano de lutas nas próximas semanas.

Os movimentos sociais e sindical têm promovido atos e manifestações do ano passado para cá, mas o envolvimento de trabalhadores e cidadãos não engajados deixou a desejar. Há um desânimo geral?

Esse é o objetivo principal de promover essa campanha de adesão ao projeto de lei de iniciativa popular. Já fizemos manifestações, atos públicos, paralisações, greve geral. Agora, o trabalhador precisa também entrar em campo, se envolver nas atividades que os movimentos se propõem a fazer, pressionar o deputado em que ele votou, o senador. A construção desse projeto de lei revogatório será um importante instrumento para isso, pois levará os sindicatos a uma inserção mais intensa em suas bases, ao contato direto com o trabalhador na ponta, para envolvê-lo nesse processo de resistência. O congresso também promoveu uma intensa discussão da crise política, e entendemos que eleição sem Lula é fraude. A eleição de Lula presidente da República acaba se tornando também um instrumento de luta pela revogação não só da reforma trabalhista, mas de todas as decisões tomadas durante esse governo golpista nocivas aos trabalhadores e à soberania nacional.

As pesquisas de opinião revelam forte rejeição da sociedade às reformas promovidas pelo governo Temer. Os parlamentares parecem não se preocupar com a repercussão negativa, talvez por contarem com a blindagem dos meios de comunicação. Ou seja, tudo indica que o Congresso não vai se constranger de votar a reforma da Previdência em breve.

Nós discutimos aqui um mote para isso: “Se botar pra votar, o Brasil vai parar”. Nós vamos organizar outra greve para impedir essa reforma e para convencer os trabalhadores a participar desse movimento. Você mencionou um aspecto da conjuntura que esteve muito presente no nosso congresso extraordinário. Este governo que está aí não tem a menor preocupação com apoio da sociedade. O Temer tem a pior avaliação da história. Tem menos aprovação do que tinha o (general João Baptista) Figueiredo quando disse que gostava mais de seus cavalos do que de gente. Não está preocupado, nem a maioria dos congressistas está.

Então, além de propor o projeto de lei de iniciativa popular, além de propor a greve para impedir a reforma da Previdência, nós temos de promover desde já ações políticas para chegar no ano que vem em condições de mudar esse Congresso que está aí, além de eleger outro presidente da República, porque com esse presidente e com esse Congresso, pouco importa o que pensa o povo.

Precisamos levar esse debate ao trabalhador, deixar muito claro que o que ele está perdendo em direitos e como cidadão que vai ficar sem políticas públicas, e o que o país está perdendo, tem a ver com aqueles em quem ele vota. Eleger Lula é muito importante, é um antídoto a todos esses venenos que estão aí – porque também não podemos permitir que seja eleito alguém que dê continuidade a esse processo de destruição de direitos e do Estado. É preciso convencer os trabalhadores das diferenças de opiniões e de projetos que temos para o Brasil. Esse debate não pode ficar só no âmbito da militância, da vanguarda. Tem de chegar forte na população.

As pessoas ainda estão tomando pé das consequências diretas das ações de governo em suas vidas?

Nós avaliamos que os trabalhadores começam a ter um outro olhar, ao sentir na pele os efeitos do golpe. Antes, a gente dizia o que ia acontecer, alertava, e vinha a mídia trabalhando forte para convencer as pessoas de que as reformas são boas, necessárias, que a Previdência vai quebrar, que a legislação trabalhista encarece os empregos. Isso confunde e desorienta a opinião pública. Agora as pessoas estão vendo o que está acontecendo. Não é mais “olha, eu estou avisando, vai acontecer isso, isso e isso”. Está acontecendo. O desemprego é assustador, a crise de credibilidade do país é sem tamanho, a economia está destroçada e sem rumo ­– a nave está completamente desgovernada.

Por isso, se dizíamos antes que a luta era necessária e valia a pena, agora vamos dizer isso mais ainda, e com mais aderência entre esses trabalhadores, que estão sentindo na prática os efeitos devastadores desse governo. A capacidade de desinformação da imprensa tem limites. Não tem família no Brasil que não tenha um desempregado. Então, continuaremos propondo os atos, manifestações e greves, mas também com os sindicatos mais envolventes e convincentes dentro dos locais de trabalho para fazer com que o trabalhador saia da acomodação de seu casulo e venha para a luta. Ele saindo da inércia vai ajudar seu sindicato a enfrentar e mudar essa realidade. E não é só o enfrentamento na relação de trabalho, mas também o enfrentamento político. O trabalhador não pode eleger políticos que atuem contra seu interesse, nem no Executivo, nem no Legislativo.

Num momento em que a política é tão criminalizada e satanizada pelos meios de comunicação, a impressão que dá é que a imprensa comercial trabalha para que as pessoas não acreditem mais no ato de votar. Entretanto, o movimento sindical nunca teve argumentos tão fortes para mostrar que tudo que acontece na vida do trabalhador não decorre apenas da cabeça do seu patrão. Tudo passa pela política. É por aí?

Sim, estamos com a faca e o queijo na mão para ir às bases e mostrar que tudo aquilo que dizíamos, “olha, o golpe vai ferrar você”, deixou de ser opinião de sindicalista. Antes podiam pensar: “esses caras só estão dizendo isso pra não perderem o governo”. Agora o cidadão não tem mais a desculpa de não vir para a luta por achar que o seu sindicato só estava reagindo porque não gosta do Temer, porque não gosta do Aécio... Chegou o momento de o trabalhador compreender que se ele não prestar atenção na política, não se interessar pela consequência do seu voto, e não se organizar para se apropriar da política, ele vai continuar sendo governado por gente que governa contra ele.

Nosso sindicalismo cutista não faz só sindicalismo para confrontar a mão de obra e o capital. Criamos a CUT para fazer um sindicalismo que mude a vida das pessoas, e isso não se faz apenas no embate capital-trabalho. É preciso mudar o papel do Estado, é preciso intervir na forma de funcionamento político e econômico do país. Quando a gente ia ao local de trabalho para dizer que o impeachment não era contra a Dilma, “é contra você”, várias vezes o sindicato era rechaçado pelo cara que dizia não querer saber dessa guerra política “de vocês”. Agora os sindicatos estão mais empoderados pra chegar no trabalhador e dizer: “Entendeu o que eu estava avisando?”

É como aquela criança que não ouve a mãe e só vai entender que o buraco da tomada dá choque pondo o dedo lá?

Pois é. Esse trabalhador foi lá e meteu o dedo na tomada. Está vendo o que está acontecendo. E se nós, sindicatos da CUT, não tivéssemos feito o enfrentamento ao golpe, nós não teríamos moral hoje para propor alternativas, solução, continuidade da luta. A gente agora tem mais moral do que nunca para fazer isso. Por isso que o clima aqui no congresso da CUT não é de derrota, porque fizemos greve, e ainda assim passou a reforma. A luta continua e a coisa não está dada completamente. Nós temos condições de reverter, vamos fazer campanha revogatória. Temos mais condições de ter o trabalhador do nosso lado. Nós fizemos muita coisa, mas não tivemos trabalhador ombro a ombro conosco nessa luta. Se tivéssemos, não tinha passado a reforma.

Você diz que muito da reconstrução do país passa pela eleição do Lula. Mas e se ele for impedido pela Justiça?

Se o Lula for impedido, o candidato que ele indicar será eleito pelos trabalhadores. Eles estão com medo do que vão fazer. Eles não sabem se afastam o Lula ou não. Dependendo da forma que fizerem, vão transformar o Lula numa vítima, porque eles não têm moral para tornar o Lula inelegível, com o Rocha Loures saindo com sacos de dinheiro, passando na televisão. Com o Aécio cheio de denúncias absolvido pelo Congresso. Com um presidente em exercício, golpista, flagrado fazendo negociata com empresário na calada da noite.

Você acha que é a circunstancia política, e não a ciência jurídica, que vai decidir o futuro do Lula?

Nas últimas falas do juiz Sérgio Moro ele diz isso: não é necessário a comprovação do ato, apenas os acontecimentos que dão a noção de que é verdadeiro. Isso não existe. Tem que ter prova, fato. Cadê o documento de que ele é dono do sítio? Ou do apartamento? Não tem. Eu acho que eles estão pensando muito em relação a isso. E nós vamos fazer a campanha de que eleição sem o Lula é fraude. Não estou dizendo que, por causa disso, vamos nos furtar de participar do processo eleitoral. Nós estamos construindo um processo em que temos de indicar companheiros sindicalistas e trabalhadores para concorrer a deputado federal e senador para que o trabalhador tenha em quem votar.

Não é possível que você tenha a bancada da bíblia, da bala, da bola, ruralista, e não tenha a dos trabalhadores. Vamos colocar nossos militantes mais experientes, populares, que têm credibilidade, para concorrer ao Parlamento. Não podemos deixar o Parlamento à disposição do empresariado, como é hoje. Este congresso extraordinário da CUT entende que a eleição do Lula tem a ver com a redenção dos direitos dos trabalhadores. Para nós, uma das formas de retomarmos os direitos, além da luta sindical, é eleger o Lula e uma boa bancada.

Você acompanhou a caravana de Lula pelo Nordeste. As pessoas têm um sentimento ao mesmo tempo de gratidão e de preocupação com o futuro. No Nordeste tem sido um sucesso e lá tem 25% do eleitorado. Você acha que ele conseguirá fazer caravanas como essa no Sul ou Sudeste?

Temos certeza. Eu acompanho muito ele. Nós tínhamos como política dar condições ao Lula de ser o líder que é. Levantando a moral, defendendo contra a perseguição que ele sofre. Nós sabemos que as centrais sindicais são importantes, os partidos de esquerda são importantes e os sindicatos também. Mas, o principal instrumento de luta do trabalhador hoje é o Lula. Nós o apoiamos, porque ele nos apoia. É um projeto, ele pode fazer com que tenhamos nossos direitos garantidos, e outros não farão isso. Eu vou propor que a caravana venha a São Paulo. Temos de andar pelo interior do estado, mostrar o que fizemos por São Paulo e o Brasil.

Aqui parece haver muita gente envergonhada.

E arrependida. Não é que eles não gostam, é que a mídia é mais influente, o capitalismo é mais influente. A imprensa tradicional trabalha com a ideia de fazer com aumente o percentual de votos brancos e nulos e de abstenções. A soma desses três foi maior que a votação do João Doria em São Paulo, e ele acabou eleito no primeiro turno. Eles trabalham para isso. A negação da política tem essa função. Quando você faz a negação da política, você vai ao fascismo e à intolerância, sem discussão. Isso é feito para impedir que pensamentos modernos e civilizatório virem maioria na sociedade. Só que eles perderam a mão.

A mídia e o poder econômico, e o PSDB em grande medida, ao promover o ódio e a intolerância, criaram um monstro chamado Bolsonaro e agora não sabem o que fazer com ele. As pesquisas o colocam como opositor do Lula, não é o tucanato, não tem um nome do PSDB em condições de disputa, é o Bolsonaro. A soma dos três tucanos mais conhecidos dos tucanos não dá um Bolsonaro. Eles propagaram o ódio e agora eles estão preocupados, porque uma alternativa com Bolsonaro destrói o Brasil, a economia, nossa credibilidade, porque a visão dele sobre Estado é uma tragédia. Para quem é capitalista e quer ganhar dinheiro, Bolsonaro não serve.

Para os direitos civis individuais também não serve.

Sim, e o PSDB não é alternativa na eleição. Eles sabem disso, por isso inventam o Doria, que está com essa projeção. Eu acho que ele será candidato, com ou sem PSDB. Ele não tem apego a partido politico, é um oportunista. Quanto mais tempo ele fica na política, mais ele se descredencia. As pessoas estão vendo, ele não é prefeito de São Paulo, não cuida da cidade, e não ganha mais eleição. É um marqueteiro que a mídia apoia. Ele virou um anti-Lula. Ele não fala dele, fala do Lula. Nem o PSDB nem vai querer o Doria. Nós precisamos fazer esse debate com os trabalhadores. Acima de tudo, demonstrando a diferença de projetos que temos para o Brasil e apresentando-se como alternativa.

Hoje (30/08) está havendo reunião do presidente interino, Rodrigo Maia, com algumas centrais sindicais. A CUT não participa? Por quê? Está acompanhando?

Estamos acompanhando. A CUT, no Fórum Nacional do Trabalho, em 2003, já apresentou a sua proposta: o fim do imposto sindical, substituído pela contribuição negocial, que tem de passar por assembleia e o trabalhador tem que concordar. A CUT não acha que a luta sindical aconteça só com o associado e o valor que ele paga. Nós achamos que deve haver um complemento para fazermos as lutas – até porque todos ganham com ela, associados e não associados. Nós achamos que tem que ser uma contribuição que o trabalhador tenha o direito de se opor, mediante a avaliação que ele tem do desempenho do sindicato. Essa é a proposta que está vindo, através de uma medida provisória que o Temer editaria e teria que ser votada pelo Congresso.

A CUT não participa porque determinadas centrais colocam ênfase muito grande nessa questão de financiamento. Eu tenho alertado os companheiros das centrais em relação a isso. Temos de fazer a luta para retorno dos direitos dos trabalhadores. Também temos que fazer pelo financiamento do sindicato, porque é o principal instrumento de luta dos trabalhadores, mas a nossa ênfase não pode ser primeiro no financiamento, depois na luta. Essa é a divergência. E eu não vou negociar com um governo que não considero legitimo.

[Foto: Imprensa da CUT]

O Sindipetro-NF convoca petroleiros e petroleiras do Sistema Petrobrás do Norte Fluminense a participarem de assembleias a a partir de terça, 5, para avaliar a aprovação do termo aditivo (acesse aqui o termo ou baixe o documento em anexo) para barrar a contra reforma trabalhista definido em reunião do Conselho Deliberativo da FUP, realizado no dia 25 de agosto. O objetivo desse documento é evitar os impactos da contrarreforma e também da lei que libera a terceirização para as atividades-fim.

Nas assembleias, petroleiros e petroleiras também irão avaliar o Estado de Assembleia Permanente e o desconto assistencial de 1% sobre a remuneração dos empregados ativos (salário básico e demais adicionais) e aposentados (Petros e INSS) nos meses de setembro, outubro e novembro. Sendo 0,5% para a FUP e 0,5% para o sindicato, para financiar a luta da categoria.

A categoria petroleira vem sofrendo intensos ataques da direção da empresa e do governo golpista de MiShell Temer. O último golpe do Sr. Pedro Parente foi fazer um termo aditivo de Acordo prorrogando o ACT dos trabalhadores da Petrobrás até um dia antes de começar a valer a contrarreforma Trabalhista. O objetivo claro é de pressionar os trabalhadores e suas representações a assinar o ACT a toque de caixa, e com isso permitir a destruição de conquistas históricas da categoria.

Calendário de Assembleias

05/09 - Terça - 13h - Praia Campista

06/09 - Quarta - 13h - Parque de Tubos e Edinc (simultâneas) 

Cabiúnas

05/09 - Terça - 07h - ADM/Turno

05/09 - Terça - 23h Turno E

06/09 - Quarta - 23hs - Turno A

08/09 - Sexta - 23hs - Turno B

11/09  - Segunda - 23h - Turno C

Plataformas de 8 a 10 de setembro com retorno das atas até às 12h do dia 11

Indicativos:

1 - Aprovação do termo aditivo da FUP para barrar a contra reforma trabalhista.

2 - Desconto assistencial de 1% incididos na remuneração dos empregados ativos (salário básico e demais adicionais) e aposentados (Petros e INSS) nos meses de outubro, novembro e dezembro, sendo 0,5% para a FUP e 0,5% para o sindicato.

3 - Aprovação estado de assembleia  permanente.

A Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realiza, nesta sexta, 1, uma audiência pública para discutir as privatizações anunciadas pelo Governo Federal e os impactos das medidas para a economia do Rio. A reunião que acontece desde às 10h30, no plenário Barbosa Lima Sobrinho, conta com a participação do diretor do Sindipetro-NF, Alessandro Trindade

Antes de começar a audiência manifestantes fizeram um protesto contra a entrega do patrimônio do povo brasileiro em vários setores. Entre as categorias presentes estão petroleiros, eletricitários, moedeiros e funcionários da Cedae.

Presidente da comissão, o deputado Paulo Ramos (PSol) vê com preocupação as propostas de privatização de empresas como a Eletrobras, Casa da Moeda e a Cedae. "Vamos debater as propostas não só do governo federal, como do estadual, que podem prejudicar os trabalhadores e a economia do estado", destacou.

Da Imprensa da CUT - Durante o Congresso Extraordinário da CUT, realizado entre os dias 28 e 31 de agosto, a Central reuniu seus dirigentes que atuam setores que se tornaram alvo da sanha privatista do governo ilegítimo de Michel Temer.

O objetivo da reunião foi traçar estratégias para combater o avanço do capital sobre as estatais. Petroleiros, bancários, urbanitários, entre outros, manifestaram preocupação com os planos de privatização de Temer. Entre as ações propostas pelo coletivo, estão manifestações nos estados e audiências públicas nas casas legislativas de suas regiões.

“O Temer está loteando o Brasil inteiro, setor de energia, água, a Petrobras, enfim, diversos setores. No dia 3 de outubro vamos defender que o capital brasileiro esteja na mão de brasileiros e não de estrangeiros. Nós já sabíamos que isso aconteceria, estão pagando o preço cobrado pelo golpe, mas os trabalhadores não vão permitir que isso aconteça”, afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.

O secretário nacional de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, explicou que o coletivo irá se reunir novamente em setembro na sede da Central, em São Paulo. “O governo Temer perdeu o controle financeiro e administrativo do país e para tentar cobrir a sua incompetência quer vender o patrimônio do povo a preço de banana. Não deixaremos, o povo vai resistir.”

 

 

Da Imprensa da FUP - Em artigo publicado no site Brasil 247, a jornalista e colunista política, Tereza Cruvinel, analisa os efeitos do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, um ano após a sua aprovação no Congresso Nacional. Leia a íntegra:

Um ano depois do golpe: a vertigem do retrocesso e o silêncio dos envergonhados

A passagem do primeiro aniversário do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff tem uma serventia: ela atesta de forma inequívoca que o programa do golpe fracassou em todas as frentes e castigou todos os seus articuladores com o cipó de aroeira da rejeição e do descrédito. O fracasso e o castigo deles, entretanto, não suprime os efeitos devastadores do golpe sobre a ordem democrática, econômica e social que o Brasil vinha construindo desde a Constituição de 1988. Nestes 12 meses, o país embarcou numa espiral vertiginosa de retrocessos em todos os campos, e quando os brasileiros se perguntam pela luz no fim do túnel, novos desatinos são perpetrados pelo governo e seu bloco político-partidário, descomprometidos com a vontade popular, com a ideia de Nação e com os horizontes do futuro. Haverá Brasil e haverá brasileiros depois que Temer se for mas ele age como se fosse o último monarca.

Nesta passagem dos 12 meses sob seu governo ilegítimo, imoral, entreguista e inepto, o que paira sobre tantos alaridos de vulgaridade é o silêncio dos envergonhados, dos que bateram panelas e soltaram gritos irados nas manifestações pró-impeachment , acreditando (nem todos, pois alguns sabiam exatamente o que faziam) que de uma ruptura democrática poderia sair alguma solução virtuosa. Um ano depois, eles não têm nada a declarar. Alguns tentam até dizer que a culpa é novamente de Dilma e do PT, que escolheram Temer como vice na chapa vitoriosa em 2014. Mas quando pediam impeachment, estavam pedindo Temer, estavam avalizando a agenda da “Ponte para o Futuro”, o programa golpista que virou ponte para o passado, estavam pedindo este estado de exceção dissimulado, que não legitima mas legaliza a supressão de direitos, a entrega das riquezas nacionais e a execução de uma política econômica recessiva, que tira empregos, quebra empresas e engorda bancos.

O fracasso é geral, começando pelo moral. Eles deram o golpe vociferando contra a corrupção e prometendo moralidade: um ano depois, a corrupção mostra todos os seus dentes e revela sua extensão. Eduardo Cunha, o presidente da Câmara que conduziu o impeachment, foi para a cadeia poucos dias depois. As denúncias fulminaram Aécio Neves, outro grande artífice do impeachment, encalacraram dezenas de parlamentares e ministros e fizeram do próprio Temer o primeiro presidente da República denunciado por corrupção. Agora o será também por obstrução da Justiça e participação em organização criminosa. A rejeição de todos eles, como se pode conferir pela pesquisa Ipsos, foi às alturas.

Eles venceram prometendo “colocar a economia nos trilhos”. Em 12 meses, a recessão e o desemprego se agravaram, o consumo despencou, travando qualquer disposição de investimento. Celebram o recuo da inflação, que nas condições recessivas atuais, é sinal de doença, não de saúde da economia. Nesta data em que completa um ano como presidente efetivo, Temer mandará ao Congresso um orçamento faz-de-conta,com um deficit inferior em R$ 30 bilhões ao tamanho real do buraco, que ontem o Congresso não conseguiu aprovar completamente na noite de ontem, a nova meta deficitária de R$ 159 bilhões.

Temer tomou posse falando em “Ordem e Progresso”. Em outubro, aprovou o congelamento do gasto público por 20 anos. Anunciou a reforma trabalhista, que conseguiu aprovar, liquidando com a CLT, e a previdenciária, que o Congresso perdeu qualquer condição para aprovar, depois das denúncias da JBS. A ordem que mantém a população receosa em casa decorre do desprezo e do medo de que tudo fique ainda pior. E em vez de progresso, retrocessos em todas as frentes: nas políticas sociais, na saúde, na educação, na proteção ao meio ambiente, aos índios, aos direitos humanos, aos direitos da mulher. No plano internacional, o Brasil tornou-se irrelevante, perdeu toda a influência conquista com a política externa altiva e ativa de Lula-Celso Amorim.

Fracassada a promessa da reforma previdenciária, outra agenda foi oferecida ao mercado, a das privatizações no atacado, que juntam uma Eletrobrás com uma entrega das ricas jazidas da Renca às transnacionais, passando por portos, aeroportos, estradas, poços de petróleo, Casa da Moeda etc.etc.

O que eles podem celebrar nesta data? Estando fora do país, Temer poupou-se de fazer qualquer pronunciamento a respeito. Se fizesse, não haveria panelaço, mas este silêncio pesado, o silêncio dos envergonhados e os dos que resolveram esperar parados pelas eleições de 2018, que também não são tão certas.

Por Tereza Cruvinel, no Brasil 247.

 

 

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