"Vamos fazer o debate em todos os estados", afirmou o senador, que contesta os motivos do governo e diz que o sistema é superavitário

 
ALESSANDRO DANTAS / AG. SENADO
PauloPaim.jpg

Paulo Paim (PT-RS) contesta argumento de Temer para justificar reforma da Previdência

Rede Brasil Atual – O senador Paulo Paim (PT-RS) protocolou na tarde de hoje (21) na Secretaria-Geral da Casa um pedido de abertura de CPI (comissão parlamentar de inquérito) para apurar desvios na Previdência Social. O pedido teve assinaturas de 47 dos 81 senadores, bem acima do mínimo exigido (27).

O parlamentar é contrário à proposta de reforma da Previdência feita pelo governo e em discussão, neste momento, em comissão especial da Câmara. Para Paim, a CPI deverá comprovar que o sistema é superavitário, contestando, dessa forma, argumento do governo para justificar a reforma. "Vamos fazer o debate em todos os estados, para que a população saiba quem está assaltando os cofres da nossa seguridade."

Em vídeo postado na sua conta no Facebook, o senador disse que o objetivo é saber "quem é quem" "Quem rouba, quem são os corruptos, onde estão os 500 maiores devedores, quem de forma indevida desloca para outros fins o dinheiro da Previdência", diz Paim.

Com base, segundo ele, em dados de procuradores da Fazenda e auditores-fiscais, o parlamentar afirmou que é possível arrecadar R$ 500 bilhões a mais por ano. "Vocês sabiam que, em quatro anos, teve gente que descontou do trabalhador mais de R$ 100 bilhões e não passou para a Previdência?"

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou que pretende iniciar a votação às 11 horas

 
LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Camara dos deputados.jpg

Proposta estava na pauta de votações de ontem (21), mas oposição barrou e não foi apreciada

Agência Câmara – Está na pauta da sessão extraordinária, marcada para as 9h, o projeto que regulamenta a terceirização e o trabalho temporário. Os deputados precisam analisar o substitutivo do Senado ao PL 4302/98, do Executivo. A matéria é o único item da pauta de hoje.

A proposta estava na pauta de votações desta terça-feira (21), mas não foi apreciada. O relator do projeto, deputado Laercio Oliveira (SD-SE), explicou que não houve tempo hábil para o início da discussão, visto que a Ordem do Dia só foi iniciada por volta das 20h e havia a previsão de obstrução de partidos contrários à proposta.

“Como haveria pouco tempo restante da sessão para discutir a proposta e para evitar qualquer especulação de que se tentaria debater a matéria na calada da noite, optou-se por deixar para esta quarta-feira. Assim, venceremos a obstrução e votaremos a proposta”, disse o relator, que estipulou que todo o processo deve durar por volta de dez horas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, declarou que pretende iniciar a votação às 11 horas e só vai encerrar os trabalhos quando a votação for encerrada.

A proposta

Um dos pontos da proposta do Senado regulamenta a responsabilidade das empresas contratante e da terceirizada em relação às obrigações trabalhistas dos funcionários.

Pelo texto, a responsabilidade é subsidiária, ou seja, a empresa que contratou a terceirizada só poderá ser acionada se não houver mais bens da terceirizada para o pagamento da condenação relativa a direitos não pagos. É diferente da responsabilidade solidária, em que o trabalhador pode acionar ao mesmo tempo contratante e terceirizada para o pagamento da causa trabalhista. Atualmente, de acordo com decisões da Justiça do Trabalho, em alguns casos, a contratante e a terceirizada respondem solidariamente.

O substitutivo também regulamenta aspectos do trabalho temporário, aumentando de três para seis meses o tempo máximo de sua duração.

O Coordenador da FUP José Maria Ferreira Rangel e os economistas que assessoram a Federação participam hoje, 22, às 14 horas  de uma transmissão ao vivo da coletiva que será concedida à imprensa.

Durante a coletiva será comentado o último balanço da Petrobrás e o impacto dos resultados financeiros e operacionais da empresa para o povo brasileiro. A RadioNF e o site do Sindipetro-NF retransmitirão a coletiva de imprensa.

Divulgado nesta terça-feira, 21, o balanço da Petrobrás reflete a importância dos resultados operacionais, decorrentes dos investimentos feitos entre 2003 e 2014, mas contabiliza os prejuízos gerados pelos “impairments”, que reduziram em R$ 20,3 bilhões o valor dos ativos em 2016, comprometendo o patrimônio da empresa.

A estatal registrou lucro operacional de R$ 17,1 bilhões e continua batendo recordes de produção, ao fechar 2016 com a média histórica de 2,94 milhões de barris diários de petróleo no final de dezembro. No entanto, amargou perdas de R$ 14,8 bi, decorrentes da política deliberada da atual gestão de reduzir o tamanho da companhia, despejando no mercado ativos nobres com valores depreciados. Não fossem os “impairments”, a empresa teria registrado lucro, em vez de prejuízo.

Nenhuma outra petrolífera no mundo utilizou baixas contábeis de forma tão recorrente como vem fazendo a Petrobrás, que já reduziu em US$ 39,48 bilhões o valor de seus ativos, desde 2014. Nesse período, mesmo com a crise internacional dos preços do petróleo, gigantes do setor, como a Exxon e a Chevron, por exemplo, realizaram “impairments” em torno de US$ 2 bilhões.

Não há argumentação contábil alguma que justifique as rigorosas depreciações feitas pela Petrobrás, ainda mais com base em premissas tão voláteis, como preço do barril do petróleo, variação cambial e taxas de juros. Por trás desta manobra, está a estratégia de privatização da companhia a toque de caixa, como vem fazendo Pedro Parente, o ex-ministro do apagão. Não por acaso, os principais bens depreciados por sua gestão são justamente os que estão para serem privatizados, como Complexo Petroquímico de Suape, Araucária Fertilizantes, Usina de Biodiesel de Quixadá, Comperj, campos de petróleo, termelétricas, entre outros.

O resultado deste desmonte está refletido no próprio balanço da Petrobrás, através de indicadores que vão além dos resultados financeiros. A empresa fechou 2016 com reservas de 9,672 bilhões de barris de óleo equivalente, uma queda de 8% em relação ao ano anterior, que fez a empresa retroceder 15 anos. Os investimentos da companhia também despencaram 32% em 2016, impactando negativamente na economia do país e contribuindo para o desemprego que afeta o povo brasileiro. Só a Petrobrás fechou 9.641 postos de trabalho diretos, o que equivale a uma perda diária de 26 trabalhadores.   

Perde o país, perde a empresa, perdem os trabalhadores e perdem os acionistas.

ACOMPANHE TRANSMISSÃO AO VIVO DA FUP NESTA QUARTA PELO FACEBOOK:

Nesta quarta-feira, 22, a FUP fará uma transmissão ao vivo sobre o balanço da Petrobrás, onde apresentará um estudo político-econômico que se contrapõe às diretrizes seguidas pela atual gestão da companhia. O evento terá início às 14h, pela página da Federação no facebook:@fupetroleiros        

 

Rio de Janeiro, 21 de março de 2017

Federação Única dos Petroleiros

A direção da FUP participou hoje, terça-feira (21/03), de reunião no Instituto Legislativo em Brasília para avaliar as ações jurídicas e legislativas que têm como objetivos barrar as privatizações na Petrobrás e denunciar os prejuízos forjados nos balanços.

Além das assessorias legislativa e jurídica, os senadores Roberto Requião (PMDB), Fatima Bezerra (PT) e Lídice da Mata (PSB) também participaram do encontro. O objetivo da reunião foi discutir o andamento dos processos e as novas estratégias. O senador Requião afirmou que as ações judiciais são "uma batalha de guerrilha", enquanto não chega o combate nas ruas.

 

 

Outro ponto debatido foi a relação das leis das S.A. versus a Lei do Petróleo, devido o ocorrido na Eletrobras. Na Eletrobras, as ações preferenciais passaram a ter direito a voto devido a não distribuição de dividendos por três anos seguidos, sendo que estas ações representaram menos de 40%, não afetando o controle acionário. Na Petrobrás, as ações preferenciais estão acima de 50%, o que pode afetar o controle. Importante lembrar que a lei do Petróleo normatiza que o governo deve ser o controlador.

Temos que aguardar para ver como se desenrola essa situação. Em relação a novas ações, será questionado o Impairment, Aliança da Total e venda das sondas. A decisão do TCU deve ser referência para novas ações, pois demonstra as várias arbitrariedades na privatização. A decisão do TCU não bloqueia as vendas, mas dá um ordenamento.

 

 

Em fevereiro de 2017, o custo médio da cesta básica em Macaé registrou uma diminuição de 1,06% em relação a janeiro, ao atingir R$ 387,68. Essa foi a sexta queda mensal consecutiva, embora o valor da cesta básica ainda esteja num patamar 2,3% superior ao observado em março de 2016. No entanto, em relação ao mesmo período de 2016, a cesta básica apresentou um custo 0,32% inferior em fevereiro de 2017.

TABELA 1

Gasto, variações mensal e anual e tempo de trabalho necessário

Macaé-RJ – Fevereiro de 2017

Produtos

Quantidades

Gasto

Variação mensal (%)

Tempo de trabalho

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Carne

6 kg

116,22

117,00

-0,67

27h17m

27h28m

Leite

7,5 l

26,85

26,40

1,70

6h18m

6h12m

Feijão

4,5 kg

29,43

32,45

-9,31

6h55m

7h37m

Arroz

3 kg

10,77

10,80

-0,28

2h32m

2h32m

Farinha

1,5 kg

4,68

4,76

-1,68

1h06m

1h07m

Batata

6 kg

13,50

13,98

-3,43

3h10m

3h17m

Tomate

9 kg

30,96

28,62

8,18

7h16m

6h43m

Pão

6 kg

57,18

57,48

-0,52

13h26m

13h30m

Café

600 g

13,42

13,11

2,36

3h09m

3h05m

Banana

7,5 dz

39,75

42,83

-7,19

9h20m

10h04m

Açúcar

3 kg

11,55

11,73

-1,53

2h43m

2h45m

Óleo

900 ml

4,77

4,69

1,71

1h07m

1h06m

Manteiga

750 g

28,60

27,99

2,18

6h43m

6h34m

Total

 

387,68

391,84

-1,06

91h01m

92h00m

Pesquisa Nacional da Cesta Básica

Fonte: DIEESE

 

O trabalhador que reside em Macaé com rendimento equivalente a um salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 91 horas e um minuto para adquirir os itens alimentícios que compõem uma cesta básica individual. O valor gasto com essa cesta representou, em fevereiro, 44,97% do salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos da Previdência Social. 

A partir da cesta básica mais cara, que neste mês foi verificada na cidade de Porto Alegre (R$ 435,51), o DIEESE calcula o Salário Mínimo Necessário, ou seja, a quantia necessária para suprir as despesas de uma família composta de quatro membros (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme estabelece a Constituição Federal. O valor calculado para o mês de fevereiro foi de R$ 3.658,72 (3,90 vezes o mínimo vigente de R$ 937,00).

Na comparação mensal, entre janeiro e fevereiro de 2017, oito produtos pesquisados registraram variações negativas do preço médio, sendo em dois deles inferior a -6%. Desse modo, a queda do custo da cesta básica de Macaé se deveu, em grande, as quedas dos preços da banana (7,19%) e do feijão (9,31%). Além disso, outros cinco produtos tiveram redução de preço entre 1% e 4%. Somente cinco itens apresentaram oscilação positiva do seu custo, a saber: leite, tomate, óleo e manteiga. Diferentemente do último ano, em que o tomate apresentou forte queda (cerca de 40%), em fevereiro teve uma alta relevante. A maior elevação do mês ocorreu no tomate (8,18%), sendo todas as outras elevações menores que 3%.

Na comparação estadual, o custo da cesta básica de Macaé representou 92,32% do valor apurado no município do Rio de Janeiro (R$ 424,55) no mês de janeiro. Durante este mês, apenas três das vinte sete capitais pesquisadas apresentaram variações no preço médio dos itens da cesta básica menor ao de Macaé, a saber: Natal, São Luiz e Recife, sendo as duas primeiras as únicas capitais com aumento no preço médio da cesta. Ou seja, todas as outras vinte e quatro capitais observaram uma redução do custo da cesta básica maior do que Macaé. A capital que apresentou a maior variação negativa foi Manaus (-5,14%).

RBA - O Projeto de Lei 4.302/1998, que permite a terceirização de todas as atividades das empresas em todos os setores produtivos, previsto para ser votado nesta terça-feira (21), na Câmara dos Deputados, deve trazer inúmeros impactos negativos no mercado de trabalho: redução dos salários, enfraquecimento da Previdência, perda de direitos como aviso-prévio e multa de 40% nos casos de demissão sem justa-causa, além de aumento do número de acidentes. A avaliação é do presidente da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho (ALJT), Hugo Melo Filho, que nesta segunda feira (20) participou audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado

Ele afirmou que, com a liberação da terceirização das atividades-fim, o número de trabalhadores terceirizados, no país, deve saltar dos atuais 13 milhões para mais de 52 milhões. Segundo Melo Filho, que a aprovação do projeto vai criar "empresas sem empregados". 

"Para se ter uma ideia, a Telemar (empresa de telefonia que atua em parte do Sudeste e no Nordeste) dizia que a sua atividade-fim era a mera transmissão das ondas ou da linha pelo fio do telefone, que são atividades imateriais. Sob esse argumento, dizia que não tinha empregados, todo mundo era terceirizado. Se isso já é uma realidade hoje, imagine com a aprovação dessa norma autorizando livremente para que se contrate para qualquer atividade. Vamos ter empresas sem empregados", afirmou Melo Filho ao repórter Uélson Kalinoviski, para o Seu Jornal, da TVT.

Ele também prevê o aumento dos acidentes de trabalho. "São 560 mil trabalhadores acidentados terceirizados, contra 140 mil trabalhadores contratados diretamente. É uma relação de 8 para 2", disse. A reportagem não cita a fonte. O juiz ainda diz que, ao apoiar o PL da terceirização, o governo vai contra o discurso de que a Previdência precisa arrecadar mais. "Promover alteração da legislação trabalhista para terceirizar e reduzir em 30% o que se arrecada para a Previdência também é um absurdo. As contas não batem."

Os bancos estão entre os setores que mais lucram com a terceirização. Somente no setor financeiro, dos cerca de 1,5 milhão de trabalhadores no país, pelo menos 800 mil já são terceirizados, e o rendimento destes chega a ser até 70% menores do que os dos funcionários diretos.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, a terceirização pode ainda representar o fim do concurso público. "Isso pode acabar com o concurso público e pode gerar outros problemas em decorrência. Pode abrir para processos ilícitos e ilegais, como a contratação com base em privilégios. O concurso público democratiza a contratação", alertou.  

Na avaliação da economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto da terceirização é perverso para os trabalhadores. Além da perda de várias garantias e direitos trabalhistas, como aviso prévio e multa de 40% em caso de demissão sem justa causa, os salários dos trabalhadores serão drasticamente diminuídos. 

"Um trabalhador que trabalha, por exemplo, numa empresa química na cidade São Paulo, o piso de ingresso é de R$ 1.500. Não pode ser contratado por menos que isso. Se, em vez da empresa contratar o trabalhador diretamente, ela recorre a uma empresa de intermediação de mão de obra e contrata na forma de trabalho temporário, o piso desse trabalhador pode variar entre R$ 1.000  e R$ 1.300. Ou seja, só aí se tem uma diferença de 30% a 50% no salário", explica Marilane ao repórter Paulo Castilho, para o Seu Jornal.

 

 

 

Com informações da Agência Câmara - O projeto de lei que permite a terceirização de todas as atividades da empresa pode ser votado nesta terça-feira (21) pelo Plenário. Os deputados precisam analisar o substitutivo do Senado ao PL 4302/98, do Executivo. A matéria é o único item da pauta de hoje.

Para o deputado Ságuas Moraes (PT-MT), vice-líder do partido, a abertura da terceirização para mais áreas de uma empresa vai prejudicar o trabalhador. "O empresário poderá demitir um funcionário que tem carteira assinada com a sua empresa e contratar uma outra empresa para prestar aquele serviço. Com certeza, o trabalhador terá um salário menor, pois a empresa terceirizada buscará ter lucro", afirma. 

Ordem do Dia do Plenário começa às 16 horas.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Sindicalistas vão reivindicar que presidente da Câmara retire da pauta o Projeto de Lei 4.302, sobre terceirização

 
ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL
manifestação

Trabalhadores nas ruas em todo o Brasil na última quarta-feira (15) foi "grande mensagem" contra reformas de Temer

Rede Brasil Atual – "A população entendeu que o projeto do governo Temer é impor, com terrorismo publicitário e chantagem sobre o Congresso, o fim da aposentadoria e dos direitos trabalhistas", afirmam em nota as seis centrais reconhecidas formalmente em anúncio publicado nesta terça-feira (21) em alguns jornais. As entidades se referiam ao dia nacional de paralisações realizado na última quarta (15) em protestos contra as propostas de reforma trabalhista e da Previdência Social.

"Os trabalhadores e o povo tomaram praças e ruas de todo o Brasil em defesa de direitos conquistados ao longo de décadas de lutas", dizem as centrais. "Esta foi a grande mensagem", acrescentam, considerando o dia 15 "um grande movimento de cidadania".

Assinam a mensagem CSB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT.

A preocupação destas e de outras entidades não está apenas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de reforma da Previdência, e no Projeto de Lei (PL) 6.787, de reforma trabalhista. Hoje, os sindicalistas vão reivindicar que o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), retire da pauta o PL 4.302, que permite a terceirização em todas as atividades.

 

 

Waldomiro Costa Pereira estava na UTI há dois dias, após sofrer um atentado no sítio em que morava

Por Redação Revista Fórum

mst

Nesta segunda-feira (20), um grupo de homens invadiu o Hospital Geral de Parauapebas, no Pará, e assassinou a tiros Waldomiro Costa Pereira, um dos principais líderes do Movimento dos Sem Terra (MST) no estado.

A vítima, que também assessorava o gabinete da Prefeitura, estava na UTI há dois dias, após sofrer um atentado dentro do próprio sítio.

Por volta das 2h30, os vigilantes foram rendidos por cinco homens armados e encapuzados que chegaram em duas motocicletas. Três deles entraram no prédio e efetuaram o ato, que durou cerca de três minutos, de acordo com testemunhas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde declarou que irá disponibilizar todas as imagens do circuito interno de gravação do hospital para as autoridades. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso.

TST adia julgamento da RMNR

Março 20, 2017 16:41

Nesta segunda-feira, 20, a FUP e seus sindicatos compareceram à sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, para o julgamento do Dissídio Coletivo de Natureza Jurídica sobre a interpretação da cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho do Sistema Petrobrás que trata do pagamento da RMNR. No entanto, pela terceira vez consecutiva, o julgamento foi suspenso pelo Tribunal.

O presidente do TST, ministro Ives Gandra, informou que a Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) declarou haver um Incidente Jurisprudencial de recurso repetitivo em dois embargos em recurso de revista, afetando, assim, a matéria que seria julgada pelo Pleno do Tribunal.

O próximo passo agora será o julgamento deste incidente jurídico para só então ser dado andamento ao julgamento do Dissídio Coletivo de Natureza Jurídica. O TST agendará uma audiência pública para debater mais profundamente a RMNR com os sindicatos e a Petrobrás. Será sorteado um relator para o processo e definidos os prazos que as partes terão para se manifestar.

 

 

 

 

 

Stédile diz que projeto é uma vanguarda baseada na agroecologia, no cooperativismo e no controle da agroindústria pelos trabalhadores

Rede Brasil Atual
 
GUILHERME SANTOS/SUL21
arroz mst.jpg

Abertura oficial da 14a. Colheita do Arroz Agroecológico ocorreu no assentamento Capela, em Nova Santa Rita

Sul 21 – "Essa atividade é um símbolo da resistência do povo brasileiro. Vocês que vêm se dedicando, nestes 15 anos, a produzir arroz orgânico são motivo de orgulho do nosso movimento e representam a prova de que é possível outra agricultura, sem usar veneno e transgênicos". Com essas palavras, João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), saudou a abertura oficial da 14o. Colheita do Arroz Agroecológico, sexta-feira (17), no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita. Além do valor em si de produzir alimento de qualidade, sem agrotóxicos, Stédile destacou ainda um sentido mais amplo da cerimônia de abertura da colheita do arroz orgânico: "Isso aqui representa um grande projeto popular para a agricultura brasileira, baseado na agroecologia, no cooperativismo e no controle da agroindústria pelos trabalhadores. Vocês são uma espécie de vanguarda apontando qual o caminho a ser seguido".

A chuva que caiu na região na noite de quinta e na madrugada de sexta levou os organizadores do ato a transferir a abertura oficial da colheita para a parte da tarde. Pela manhã, o ginásio do Assentamento Capela ficou pequeno para acolher todos os convidados para a cerimônia. Segundo estimativa dos organizadores, mais de mil pessoas participaram do encontro. Além de integrantes do MST, vindos de acampamentos e assentamentos de todo o Estado, o ato também contou com a presença do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Edegar Pretto, do escritor e teólogo Leonardo Boff, da prefeita de Nova Santa Rita, Margarete Ferretti, do ex-governador Olívio Dutra, do deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS), do presidente da Central Única dos Trabalhadores no RS, Claudir Nespolo e da Procuradora da República, Suzete Bragagnolo, do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, entre outros.

Edegar Pretto destacou que a tradicional da abertura da colheita do arroz orgânico expressa os resultados positivos da reforma agrária que dá certo. "Não é por acaso que o MST realiza essa grande celebração na abertura da colheita do arroz. A luta pela reforma agrária tem muitos percalços e esse momento é motivo de celebração para os assentados que comemoram mais uma colheita como uma prova da viabilidade do assentamento e da produção orgânica, como também para os apoiadores da luta do MST. Estamos dizendo aqui, com alegria e emoção, que a luta que nós fizemos é uma luta que vale a pena".

"Não recuaremos na luta pela terra"

 

GUILHERME SANTOS/SUL21stedile e boff.jpg
João Pedro Stédile e Leonardo Boff fizeram uma análise da conjuntura política e econômica vivida no país

Na abertura do ato, crianças e jovens militantes do MST fizeram uma encenação teatral dos sentidos da luta pela terra e por um outro modelo de produção. A disputa entre a agricultura agroecológica e cooperativada e o agronegócio que pratica o uso intensivo de agrotóxicos e prioriza a produção para exportação foi simbolizada por um cabo de guerra. De um lado, a agricultura que é sinônimo de vida, cooperação e abundância; do outro, a agricultura que produz alimentos cheios de venenos que levam à morte. Embalada pelo refrão "não recuaremos nem um passo na luta pela terra", a encenação celebrou todo o ciclo da geração do alimento, da semeadura até a colheita.

A solidariedade foi representada por um desfile de bandeiras de entidades e movimentos que apóiam essa luta por um outro modelo de produção: MST, Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres, CUT, União Nacional de Estudantes (UNE), Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entre outros. Ao final, o hino do MST foi cantado de pé por centenas de militantes e apoiadores do movimento.

Após a mística de abertura, Emerson Giacomelli, da coordenação do grupo gestor do arroz agroecológico na Região Metropolitana de Porto Alegre, declarou aberta oficialmente a abertura da colheita do arroz agroecológico. O MST produziu uma edição especial do Jornal dos Sem Terra, que apresenta os números da safra deste ano e da evolução da cultura do arroz agroecológico que começou a ser plantado em 1999 nos assentamentos da Região Metropolitana. Para a safra 2016-2017, a estimativa é colher cerca de 549 mil sacas do grão, numa área plantada de mais de 5 mil hectares. A produção envolve o trabalho de 616 famílias, em 22 assentamentos e 16 municípios gaúchos. Em comparação com a safra do ano passado, houve um aumento de quase 40% na produção. Já a produção de sementes, envolve 25 famílias em nove assentamentos e oito municípios. A estimativa do MST para este ano é colher mais de 22 mil sacas de sementes.

No final da manhã, João Pedro Stédile e Leonardo Boff fizeram uma análise da conjuntura política e econômica vivida pelo país. Para Stédile, o Brasil vive um dos períodos mais difíceis e complexos de sua história. "A economia brasileira, da forma como foi estruturada, continua inserida na periferia do capitalismo mundial. O grande capital internacional controla a nossa economia. Mas o capitalismo está em crise. Hoje, toda a riqueza do trabalho no mundo está concentrada na mão de 50 empresas somente. Com a crise, esse capital internacional vem para o Brasil, não para investir, mas para recuperar o lucro que perderam lá fora. Essa crise desequilibrou a estrutura de classes no Brasil que, no período do governo Lula, viveu um certo equilíbrio. Esse equilíbrio não existe mais. O navio começou a afundar e a burguesia brasileira está na linha do cada um por si".

Tentando se salvar, acrescentou o dirigente do MST, a burguesia, a partir de 2013, começou a conspirar para assumir também o controle absoluto do Executivo e do Legislativo. "Gastaram seis bilhões de reais, em 2014, para eleger esse Congresso que é o pior da história. Perderam a eleição para presidente e passaram a conspirar permanentemente contra a Dilma. Foram beneficiadas pelas escolhas erradas que o governo Dilma fez na política econômica e que lhe custaram o apoio popular. Quando a burguesia via, pelas suas pesquisas, que o povo não ia defender o governo Dilma, deram o golpe. Em 2016, ficamos só nós, a militância, defendendo Dilma nas ruas contra o golpe. Não foi o suficiente".

Stédile vê um cenário diferente se desenhando em 2017. Segundo ele, os autores do golpe não entenderam que o capitalismo mundial está em crise e não virá para o Brasil investir, como fizeram após o golpe de 1964, gerando um período de crescimento econômico. Além disso, acrescentou, o governo Temer não tem um centro de direção único, como ocorreu em 1964 e no governo FHC. "Figuras como Temer, Padilha e Jucá são lumpens da política. A burguesia também não gosta deles. O governo golpista não está conseguindo ser popular. Pelo contrario, está tirando direitos do povo e não tem nenhuma sustentação popular. Em 2017, novos ventos estão soprando", afirmou, apontando três sinais disso:

"O primeiro sinal ocorreu no Carnaval quando, por todo o país, de forma espontânea, o Fora Temer foi adotado pelos blocos populares. O segundo foi no 8 de março que teve uma participação inédita de mulheres nas manifestações de rua. E o terceiro foi agora, no dia 15 de março, na jornada de mobilização contra Reforma da Previdência. Em São Paulo, 200 mil foram às ruas". Diante deste cenário, Stédile defendeu que Lula lance imediatamente sua candidatura à presidência da República e comece a percorrer o país, denunciando as políticas do governo Temer e propondo um projeto emergencial para o Brasil. "A candidatura de Lula é fundamental na atual correlação de forças. Se o povo engatar nessas mobilizações de rua, as eleições podem ocorrer ainda este ano. Caso contrario, já estaremos com o cavalo encilhado para 2018, com uma vantagem. Sem o PMDB, que conspirou pelo golpe, um novo governo Lula deverá estar baseado, necessariamente, em um projeto popular".

Leonardo Boff também chamou a atenção para a importância de entender a natureza da crise do capitalismo internacional, inclusive para identificar as raízes do golpe no Brasil. "A política externa dos Estados Unidos está baseada em três princípios: cobrir todos os espaços, construir no mundo um só império e desestabilizar todos os governos que se oponham a esse projeto. Um dos espaços que estava muito livre e solto era o Brasil. Fizeram ensaios de um novo tipo de golpe em Honduras e no Paraguai. Na Argentina, conseguiram resolver com uma eleição. No Brasil, foram para o golpe mesmo".

Boff mencionou o episódio da viagem do senador tucano Aloysio Nunes para os Estados Unidos no dia em que o golpe foi consumado. "Aloysio Nunes teve uma glória na vida que foi ser motorista de Marighella, Depois traiu todo mundo e agora está traindo o país. O Brasil é uma das grandes potencias ecológicas do planeta, com recursos naturais fabulosos. Estão tentando se apropriar disso. Hoje, há dois projetos em disputa no nosso país: o entreguista e o popular. Temos que derrotar esse projeto entreguista nas ruas e, quando for possível também nas urnas", concluiu Boff que também defendeu o lançamento imediato da candidatura de Lula para as eleições de 2018.

Após o debate político, foi serviço um almoço para as mais de mil pessoas que participaram do ato. No cardápio, carreteiro, feijão, salada de tomate, repolho e cebola. Depois do almoço, ocorreu a abertura oficial da colheita na lavoura do arroz, com a presença de representantes da Emater, do Incra e de outras entidades. Os assentamentos dominam hoje todo o processo de cultivo do arroz, desde a produção agrícola, passando pela produção industrial e chegando à comercialização. O MST é considerado hoje o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Pagina 10 de 665

Sede MacaéMacaé

Rua Tenente Rui Lopes Ribeiro, 257 Centro - CEP 27910-330 Telefone: (22) 2765-9550

Sede CamposCampos

Av. 28 de Março, 485 Centro - CEP 28.020-740 Telefone: (22) 2737-4700