25 de maio de 2013   |   09:12

Sindipetro NF



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Revista Imagem


Revista Imagem

A Revista Imagem é uma publicação trimestral do Sindipetro NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense). Opiniões emitidas em textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião do sindicato.

Tiragem
6000 exemplares

Depto de Comunicação
Marcos Breda, Gédson de Almeida, Fernanda Viseu, Vítor Menezes, e Glauber Barreto.

Edição e Redação
Fernanda Viseu (DRT 17877)

Foto de Capa
Luiz Bispo

Sindipetro NF

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Diretoria Colegiada
Aldir de Souza Vieira, Antonio Alves da Silva (Tonhão), Antonio Carlos M. de Abreu (Tonico), Armando Pinto de Freitas, Cairo Correia Garcia, Cláudio Alberto de Souza, Cristina de Araujo Couto, Dimas Francisco de Moraes, Doney Corteletti Stinguel, Francisco Antônio de O. Santos da Silva, Francisco Célio Tojeiro de Souza, Gabriel Araújo Carvalhaes, Gédson de Almeida Ferreira, Hélio Marques Guerra, Ilma de Sousa, José Maria Ferreira Rangel, Júlio Máximo de Medeiros Neto, Luiz Carlos de Souza Mendonça, Marcelo Abrahão de Mattos, Marcelo Bie Monteiro Teixeira de Mello, Marcio Ferreira dos Santos, Marcos Frederico Dias Brêda, Norton Cardoso de Almeida, Thiago Magnus da Silva, Valdick Souza de Oliveira, Valter de Oliveira Silva Filho, Vicente de Castro Marques, Vitor Luiz Silva Carvalho, Vitor Pereira e Pádua, Wilson de Oliveira Reis.

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Pobre sempre foi expropriado

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Imagem - Você escreveu um artigo  na Folha de São Paulo sobre Moral que recebeu algumas críticas que diziam que o que queria com o texto era legitimar os erros cometidos durante o governo Lula. Qual foi sua intenção com o texto?

Rose Marie Muraro - Quando escrevi o artigo não tinha nada haver com o Governo Lula ou com nenhum outro. Apenas mostrei que desde que a criança pobre nascia, ela era subalimentada e, portanto, percebia que sua fome e, junto com ela, todos os seus desejos eram para não serem satisfeitos.

Por outro lado a criança rica que tinha todos os seus desejos satisfeitos desde o nascimento, percebia que podia fazer tudo que quisesse com as pessoas e, portanto, com o mundo. Ela aprendia desde o nascimento, que podia fazer as leis e rompe-las sem punição. A criança pobre era ensinada a cumprir todas as leis, caso contrario, não seria aceita nem pela sociedade nem por Deus.Por isso afirmei que a moralidade da classe média para baixo era o esteio da sociedade de classes. Os dominantes podiam romper a lei (roubar) quando quisessem sem serem punidos, e os pobres seriam punidos por qualquer transgressão que fizessem. Portanto, a moralidade das classes dominadas legitimava a imoralidade dos dominantes dentro de um sistema radicalmente imoral. Não tive espaço para dizer qual a solução para esse impasse. Num segundo artigo escreverei que a única solução será a luta concreta e continua contra a injustiça, isto é, uma luta que transforme um sistema iníquo num sistema ético. Para mim moral significa hipocrisia e ética significa luta contra essa hipocrisia. Por isso não estou justificando nada  factual da atualidade.
 
Imagem - Nesse mesmo texto intitulado "Moral" afirma que junto com outras especialistas percebeu que existe uma lógica de classes. Como se configura essa lógica?

Rose Marie Muraro - A lógica das classes é "o mundo é meu e posso fazer o que quiser com ele. Isto para os ricos. Para os pobres é "tenho que obedecer senão serei punido". Por isso esta grande reversão de sentimentos contra Lula no segundo turno. É a classe média sinceramente moralista que não acredita que um operário possa usar a lógica da classe dominante. Eu também acho que isto é um erro pois temos que instaurar uma lógica de libertação que é completamente diferente: é a luta coletiva e pontual contra todas as medidas injustas do sistema neo-liberal. Este é o objeto de um segundo artigo para a Folha de São Paulo.
 
Imagem - Como os veículos de comunicação deveriam se posicionar diante da lógica de classes?

Rose Marie Muraro- A imprensa que pertence a classe dominante abre e fecha os caminhos da informação segundo seus interesses, e vai ser sempre asssim. Só uma imprensa livre pode dizer a verdade toda.
 
Imagem - Como avalia o governo Lula diante dessa lógica de classes?

Rose Marie Muraro- O governo Lula é contraditório. Fez uma politica economica péssima e exclusora por que juros altos e câmbio desvalorizado inibem as empresas médias para baixo, que são as que dão realmente emprego ao grosso da população.  A maioria delas está quebrada ou quase. O câmbio desvalorizado inibe as exportações e aumenta a chance de importar produtos que podem ajudar a desindustrializar o país, o que também diminue os empregos.

O certo seria juros baixos e câmbio valorizado para que houvesse mais oportunidade de emprego.  A politica externa foi muito boa porque se voltou contra a ALCA (e Alckimin faria renascer a ALCA, que é a perda da nossa soberania) e está organizando os países ditos "emergentes" em todas as instâncias internacionais, inclusive na OMC. A politica social tirou dez milhões de pessoas da miséria. Não precisa dizer mais nada.

Imagem – Sua decepção é só com a área econômica?

Rose Marie Muraro – Eu estava esperançada. Achei que Lula sairia do modelo neoliberal, e ele não saiu. Mas reconheço que o Bolsa-Família incrementou a economia do Nordeste, que cresceu 10%. Aprendi com Dom Hélder Câmara (arcebispo de Olinda e Recife, já falecido) que, ao mesmo tempo em que se dá comida, é preciso se fazer uma reforma estrutural. Mas o pobre diz: Lula faz por mim. Os porteiros da minha rua dizem: pelo menos hoje a gente come. Um deles me contou: pela primeira vez consegui juntar dinheiro para comprar uma passagem e retornei à minha cidade no Nordeste, e ela estava toda iluminada.

Imagem – Por isso os pobres votam em Lula?

Rose Marie Muraro – O pobre sempre foi expropriado desde o nascimento.Lula sabe disso porque fugiu de Garanhuns para não morrer de fome. Uma pesquisa que realizei mostra que, desde que nasce, uma criança filha de camponeses sabe que vai chorar de fome e que seus desejos não serão satisfeitos, que sua fome não será saciada. Que ela sempre espera pela mãe, que já sofria como mulher a opressão do marido, dos pais. Essa criança esperava, na passividade, pela vontade de Deus, do céu, uma salvação. Se ficasse boazinha, como pobre, iria para o céu. Aí tem também a opressão do patrão, do machismo, a dominação, a religiosidade popular.

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